ALÉM DA TIRANIA, O AZAR


Para um homem que tem visto das maiores e mais atrozes tiranias insanas do mundo, que conhece o policiamento e a castração da liberdade, o culto da personalidade de Mugabe como um veneno e um atraso, o acidente recém-sofrido com a perda da esposa, é um duro revés. De provação em provação até à vitória e superação final. Mugabe, esse hipérbato-hyperbaton em forma de gente, resiste saudável e à prova do sangue que derramou. Há um nexo entre a classe política africana e a portuguesa: não se enxergam, não abdicam do seu quinhão exploratório do Regime, nem se corrigem: «O primeiro-ministro do Zimbabwe, Morgan Tsvangirai, voltou hoje a casa, depois de ter ido ao Botswana submeter-se a exames médicos devido aos ferimentos sofridos sexta-feira num acidente rodoviário em que morreu a mulher, Susan. "Sinto-me bem", disse Tsvangirai, que regressou quanto antes a fim de preparar o funeral, que deverá ser quarta-feira na cidade natal do casal, Buhera, na província de Manicaland, que faz fronteira com Moçambique.»

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