AMONTOAR CIGANOS É FIXE

Enfim, é de estranhar as justificações apresentadas para esse amontoar de 17 ciganos num monoContentor: quer-me parecer que idealmente a integração em turmas plurais e a salvaguarda da distinção etária bastariam como critérios universais da educação em Portugal não passíveis de excepções nem de experimentações livres. Para experimentalismo indescritível basta o que tem sido exercido ilegal e erroneamente sobre os professores. Mas isso é seguindo o bom-senso e o melhor espírito da lei. O problema é que o clima eductativo, com os seus tiranetes e as suas opressões, deixa muita margem para as direcções regionais de confiança política caninamente arfantes de lealdade possam inventar e fazer de improviso o que queira. Isso e o facto de, rezam as crónicas, serem os portugueses nada racistas, salvo em se tratando de ciganos, onde desde pequeno se é industriado acerca dos respectivos perigos: «O PSD, PCP e o Bloco de Esquerda (BE) já pediram a presença da ministra Maria de Lurdes Rodrigues no Parlamento para explicar o facto de 17 alunos ciganos terem aulas à parte, na escola básica de Lagoa Negra, de Barcelos, noticia hoje a TSF. A Direcção Regional do Norte nega a discriminação racial. Segundo um comunicado da DREN, a criação de uma turma-projecto é uma “medida provisória” e o seu objectivo era responder às especificidades deste grupo de jovens, como o risco de abandono e a dificuldade de frequência, adequando os currículos e horários de funcionamento. Quanto ao contentor, a DREN diz que a turma funciona num “monobloco igual a centenas de outros utilizados nas nossas escolas”, garantindo que este possui todas as condições, como sistema de aquecimento e ar condicionado. [...] A alta-comissária para a Imigração afirmou hoje que, pelas informações que dispõe, a opção da Escola de Barqueiros (Barcelos) de concentrar alunos ciganos numa única turma terá sido uma decisão tomada em conjunto com os pais.» Que pais? E a violação da lei e da constituição pelos pais pode ser caucionada porque se trata dos pais?! O facilitismo e o populismo vieram para ficar e passam muito pela rédea solta a uma parte monstruosa dos problemas da educação, os mesmos pais, por contraponto com os alvos de toda a pancada e de toda a desconsideração, os professores. Um ME que se acua e cede prontamente perante os interesses dos pais e canta de galo para com os professores abre caminho a sapateirices como esta. Por isso mesmo, o único caminho da escola e dos professores é organizar o recurso aos tribunais administrativos por parte de professores que manifestem essa pretensão, facilitando a constituição de um grupo alargado de professores que permita a contratação de uma equipa de advogados de direito administrativo para actuar judicialmente contra as inconstitucionalidades e ilegalidades da legislação imposta pelo Ministério da Educação; incentivar os sindicatos a, juntamente com os movimentos de professores, constituírem uma delegação nacional de professores que solicite audiências ao Parlamento Europeu e à Unesco, denunciando os sucessivos ataques deste Governo aos professores e à escola pública; estimular os professores, através da acção concertada de sindicatos e movimentos, a envolverem-se em vigílias/concentrações por tempo indeterminado, distrito a distrito, para explicar à opinião pública o absurdo das medidas e das situações aberrantes vividas nas escolas, vigílias que devem ter, também, como objectivo apelar à não votação neste Partido Socialista. Há muito a fazer. E um milhãos de motivos para resistir.
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