Quinta-feira, Março 05, 2009

BCE TRINCHA TAXA AO RALENTI



Interessante e expectável desenvolvimento que o Banco Central Europeu tenha baixado a sua principal taxa de juro para o valor mínimo histórico de 1,5 por cento e que muitos analistas apontam como mera etapa em novas intervenções no mesmo sentido, perante um cenário de Crise que estilhaça politicamente a desUnião Europeia. Nela, na verdade, avultam a descoordenação e uma fragilidade inesperada que décadas de burocracia não anteciparam. As coisas não vão bem na Europa Comunitária. Mas não vão melhores nos EUA, depois de o próprio FED, no início de Dezembro último, ter operado uma intervenção em 0,75 pontos percentuais a taxa de juro de referência para os 0,25 por cento e actualmente se desdobre em múltiplas e variadas iniciativas de estímulo à economia norte-americana. Avulsamente ou não, Gordon Brown, que há poucos meses já se encontrara com Bush, em nome do UK e da Europa, faz, ao Congresso e a Administração norte-americanos, propostas de convergência global com os EUA a vários planos, impostos e cerco terminal a offshores, a primeira ideia por lá muito mal amada, mal-habituados ao seu proverbial unilateralismo, hoje com muito pouco cabimento e ainda menor sentido. Quixotescamente, o PM britânico faz a sua parte activa contra o perigoso e contraproducente proteccionismo que por ali aparentemente se desencadeia de um modo convicto: «British Prime Minister, highlighting the dangers of protectionism while addressing the U.S. Congress. Neither Republicans nor Democrats applauded». O horizonte geral porém é incerto, enquanto os vários sistemas bancários tentam curar as imensas feridas que lhes foram infligidas e por isso mesmo fluidez do crédito é algo por que de momento se deve esperar sentado com as consequências paralisantes que se conhecem: «O Banco Central Europeu baixou a sua principal taxa de juro para o valor mínimo histórico de 1,5 por cento, contra os anteriores dois por cento. Desde Outubro, o preço do dinheiro caiu 1,75 pontos percentuais e há economistas e analistas a antecipar novos cortes dos juros nos próximos meses, tendo em conta a extensão da recessão económica que atinge praticamente todos os países da zona euro. Este é também o valor mais baixo do dinheiro no curto historial de 10 anos da zona euro, que se explica pelo ponto crítico e frágil a que chegaram o consumo das famílias, o investimento das empresas e as exportações. [...] Trichet disse que não excluía uma nova diminuição das taxas, face aos riscos que pesam sobre a economia da zona euro, que se encontra em recessão técnica desde o último trimestre do ano passado. [...] o quinto corte desde Outubro do ano passado, mês que coincidiu com o início da crise financeira que levou à falência do banco Lehman Brothers.»

3 comentários:

Blondewithaphd disse...

Descem os juros, sobem os spreads e as comissões e acaba por ficar tudo na mesma! Nah...

Daniel Santos disse...

Aguardo pelo dia do Zero por cento de juros.

Lura do Grilo disse...

A caixa de Aspirinas está quase esgotada.