
1. Aos bochechos, vamos compreendendo que a bola de neve do BPN é magnificamente abrangente. O mal é que, por muito que a verdade assome, há que dividar das rectas consequências de tão exaustiva barrela: «Francisco Sanches ex-administrador do BPN, revelou hoje, na comissão de inquérito ao caso BPN, que tem a ideia que bancos angolanos tinham posições accionistas no Banco Insular de Cabo Verde, veículo através do qual o BPN fazia operações irregulares. Até agora, pensava-se que o Banco Insular era detido unicamente pelo banco português BPN, que se encontra sob investigação das autoridades regulatórias portuguesas e que acumulou prejuízos que se elevam a 1800 milhões de euros.» 2. Dias Loureiro não ostenta somente preocupantes brancas e amnésias horrorosas, mas cultivou relações mais que duvidosas, fazendo de ele, a par do Sócrates auto-chavista mugabeano e putinesco, mais um que simultaneamente é Fausto e Mefistófeles. Só Deus sabe até aonde ramificam e a que esgotos vão ter as relações embaraçosas do Dr. Dias Loureiro. E daí, o mais provável é que este postal espraiado e descomposto, quando na Comissão de Inquérito, nem se recorde dos milhões amistosos com Abdul El-Assir: «Francisco Sanches, ex-administrador do BPN e constituído arguido no quadro das investigações do Banco de Portugal feitas ao grupo bancário, disse hoje, na comissão de inquérito ao caso BPN, que o empresário libanês Abdul El-Assir, que vendeu ao BPN as empresas de Porto Rico, que se encontram sob suspeita, e que tinha créditos de cobrança duvidosa no BPN, atingindo vários milhões de euros, foi um cliente trazido para o grupo por Dias Loureiro e que existem questões nesse relacionamento entre Abdul El-Assir e o grupo que ele [Sanches] desconhece. Abdul El-Assir era proprietário de um empreendimento imobiliário nos arredores de Madrid, La Grangila, que foi dado ao BPN como hipoteca de um financiamento que recebeu. Dias Loureiro foi antigo ministro da Administração Interna e ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que controla o BPN.» 3. Desemaranhar o novelo tóxico do BPN do qual é provável que dependa o próprio Regime, acossado de casos e de negligências grosseiras por todas as partes, levará uma eternidade. Por isso, mais noventa dias significa que andaremos naturalmente nisto por mais de três meses. Por que não os mesmos anos do caso Casa Pia, só para fazer regra?! O tempo funciona como aliado do esbater da gravidade e candência das questões. Vamos nisso! Mais noventa dias, pois: «O CDS vai solicitar aos deputados que prorroguem o prazo da comissão de inquérito ao Banco Português de Negócios (BPN) por mais 90 dias. A comissão parlamentar ouve hoje o administrador da Pleiade, Lencastre Bernardo, que entrou no grupo SLN pela mão de Dias Loureiro, antigo ministro da Administração Interna e ex-administrador da SLN.» 4. Francisco Sanches por esta altura já terá solicitado algum tipo de protecção, pois as revelações deixam fios pelos quais será só puxar até remontar sabe-se lá aonde, isto é, a que tubarões intocáveis nacionais e internacionais. Supostamente Oliveira e Costa seria o bode expiatório quase exclusivo. Estará em decurso o alargamento da equipa dos arguidos? Poderemos ver nisso apenas o teatro derradeiro que de resto poderá redundar em penas de prisão simbólicas e coimas de cinco mil euros? É muito natural. Normalmente, depois dos ais e uis de pasmo, não se passa mais nada: «Considerado durante muito tempo o braço-direito de Oliveira e Costa no BPN, o ex-administrador Francisco Sanches incriminou hoje, pela primeira vez, o filho do ex-presidente executivo do grupo financeiro, que era também administrador da SLN. Em declaração feita na comissão de inquérito ao BPN, Francisco Sanches disse que muitas das operações envolvendo transferências de contas de clientes do BPN Cayman para o Banco Insular eram realizadas por ordem do filho de Oliveira e Costa e de Vaz Mascarenhas. Este era presidente do Banco Insular de Cabo Verde e na sua ida ao Parlamento português para falar deste caso garantiu que desconhecia essas operações.Vaz Mascarenhas era um dos donos do Banco Insular antes deste ter sido vendido ao BPN.» 5. A miséria soma e segue: Freeport 1 - 1 BPN. Esta gente da Banca e do Centrão dos interesses não é para brincadeiras. Seria um sonho se toda esta podridão Freeport/BPN toda fosse saneada e sem tardança, os políticos desacreditam-se com isto, as instituições fragilizam-se, o País afunda-se numa modorra nada sã, já de si um sítio cada vez mais mal frequentado: «Francisco Sanches, ex-administrador do BPN, disse hoje aos deputados da comissão de inquérito ao BPN, que Oliveira e Costa, antes de 2007, pensou resolver o problema do grupo SLN/BPN vendendo 50 por cento à Carlyle, do ex-embaixador dos EUA em Lisboa Frank Carlucci, e a investidores angolanos.Oliveira e Costa foi presidente executivo da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) e hoje encontra-se preso preventivamente, acusado de burla agravada e branqueamento de capitais, entre outros alegados crimes, praticados no grupo financeiro que fundou. A Carlyle comprou em 2007 o grupo retalhista britânico Freeport, que é proprietário do centro comercial em Alcochete, por mais de 227 milhões de euros.»
0 comentários:
Enviar um comentário