CENAS DE UMA MULHER-PROBLEMA

1. Podia até ser mais corrupto que a personagem de cinema a que deu origem, mas era necessário prová-lo consistentemente, coisa que um homem astuto e prudente na verdade não consente e só uma fraqueza com mulheres terá aberto brecha nesse sistema impenetrável meramente alvo de conjecturas. Pinto da Costa tem na denunciante Carolina o exemplo acabado de um problema interminável de saias. Tragicómico, vê-la a sair do Tribunal de Gaia com tempo para saborear um tabefe, tentado e 'gloriosamente' consumado, de uma daquelas mulheres do povo afectas ao líder e que aproveita quaisquer oportunidades de exposição exterior para insultá-la de «oportunista» e de «puta» para cima. O povo, quando lhe salta a tampa, castiga com actos, palavras e safanões, sendo que as mulheres normalmente não perdoam às mulheres: «Um grupo de populares apoiantes do Futebol Clube do Porto e de Pinto da Costa, à porta do tribunal, começou a insultar Carolina Salgado. Uma mulher conseguiu chegar ao pé da testemunha e agrediu-a com uma estalada. Carolina Salgado ia com dois seguranças privados, um dos quais exigiu imediatamente a identificação da agressora. Várias testemunhas, incluído fotógrafos e jornalistas viram a cena. A mulher que bateu na testemunha já está a ser ouvida em tribunal.» A sorte do presidente é que a credibilidade dela está ferida pelas motivações iniciais que originaram o accionamento de uma sucessão de processos em cacho. Dinheiro. Por dinheiro, há quem não se negue a nada, começando por desencadear todo este turbilhão de suspeitas em geral redundando em Zero por défice de prova, por palavra contra palavra: «O presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa foi ouvido esta manhã no Tribunal de Gaia, no âmbito do chamado "caso do envelope", um processo do "Apito Dourado" relativo ao jogo Beira-Mar/Porto. O presidente portista negou ter entregado qualquer envelope ao árbitro Augusto Duarte.»
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2. A mão pesada da popular apaixonada devia ser de chumbo: «A ex-mulher de Pinto da Costa não voltou a aparecer na sessão do julgamento de hoje do caso Apito Dourado por se sentir mal. O advogado de Carolina Salgado informou que a testemunha de acusação foi ao hospital fazer uma TAC depois do episódio de agressão que, hoje de manhã, sofreu à saída do Tribunal Judicial de Vila Nova de Gaia. A sessão da tarde ficou também marcada pela ausência da irmã de Carolina Salgado, Ana Salgado – testemunha de defesa de Pinto da Costa –, que alegou não estar em condições psicológicas para prestar declarações».
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