CRÓNICAS DE UMA VIDA MADRASTA

Entre emigrar e ser desempregado crónico e objector de consciência ao poder político sem vergonha do Centrão-Ventrão, há afinal escolha. Angola. Europa. Mundo. O velho ranço concentracionário da riqueza e dos recursos reedita o antigo das décadas sessenta e setenta salazarinas com que se fugia à miséria, à guerra e se fugia ao abafamento democrático do velho caudilho. Eis a escolha de merda entre uma infinidade de call centrers num País de serviços e a respectiva sazonalidade; um país das reformas estúpidas e desastradas, que fizeram do emagrecimento do Estado e da desmoralização das pessoas uma pioridade, mas nunca esclareceram os portugueses sobre quais seriam as alternativas de empregabilidade nem certamente o esclareceram acerca do tipo de emagrecimento na Função Pública: dispensar funcionários e miserabilizar os serviços, mas pagar principescamente aos detentores de sinecuras políticas, dar largas ao desperdício em serviços supérfluos na administração central e local e sobretudo dar largas ao deboche que os custos de Marketing Político da luminária primo-ministerial envolvem. Naturalmente, os salários "normais" que Silva Lopes deseja congelar são uma perversidade nacional fatalista e uma das razões da evasão de valor e da sangria demográfica: «O número de portugueses a ir trabalhar para o estrangeiro aumentou mais de 22 mil entre 2007 e 2008, com uma grande maioria a escolher Suíça e Angola para emigrar, segundo dados do Governo português. De acordo com a Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP), em 2007-2008 emigraram mais 22.726 portugueses do que em 2006-2007. Existem assim oficialmente 4.990.923 emigrantes portugueses espalhados pelo mundo.»

Comments

Blondewithaphd said…
O problema, caríssimo, é que a emigração é uma solução fácil, rápida, barata e indolor para os sucessivos governos deste país. Admiração a emigração estar a aumentar? Não, nenhuma.
Anonymous said…
Resta contabilizar os emigrantes que como eu, a minha namorada e muitos dos meus amigos, nao se registam no consulado portugues.
A mim choca-me que um terco da populacao portuguesa faca parte da diaspora. Mas devo ser facilmente impressionavel.
Traduzido em miudos , este numeros siginificam que um em tres cidadaos portugueses vive no estrangeiro...isto nao querera dizer nada? Os politicos nao retiram ilacoes? As autoridades internacionais nao se alarmam?
Ele ha coisas....

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