f. EM PRÉ-EJACULAÇÃO JUGULARIANA

f., recorre às polémicas em que Herculano se envolveu para fazer moralidade relativa ao casamento homossexual por confronto com as lutas de reconhecimento do casamento civil heterossexual em face de um argumentário exclusivista eclesial por ele travadas. O escritor/historiador: «demonstra, com recurso a decretos antigos e a textos papais, que o casamento civil não só pré-existia ao casamento canónico como sempre fora reconhecido. Como prova, Herculano cita por exemplo de um lei de 13 de Novembro de 1651, em que se referia o “casamento clandestino” ou “matrimónio clandestino”, que seria, nas palavras do historiador/escritor, “o acto de contrair uma união constitutiva de família de modo diverso daquele que ordena a igreja”.» Para além de todos os argumentos-plasticina que f. queira lamber, apraz-me perguntar-lhe o que fazer perante a repugnância popular patenteada nas caras refusivas dos militantes do PS?! Como irá proceder a langue de bois da Socratura f. perante o veredito do senso comum entre os militantes desajeitados nessa matéria?! Para os militantes do interior popular do PS, mas não só, está visto que os pares homossexuais não são casais e que o casamento é, portanto, uma "fantochada", que o simbólico pode fazer-se vivo e actuante no que a lei prevê para as uniões de facto gay e gay de facto. Provavelmente, todo o erro está na tentativa de trazer esta matéria para debate num momento em que muitos de nós passamos fome e vivemos encostados às tábuas duradouras do desemprego ou da carnificina kafkiana desmoralizadora e suicidária na Educação: «Quando se discute o casamento civil das pessoas do mesmo sexo, é afinal de reconhecer uma realidade existente que se trata – de reconhecer como nosso, da sociedade, aquilo que nosso já é: a existência de casais de pessoas do mesmo sexo que querem poder, perante testemunhas, fazer uma promessa mútua e dizer publicamente, para registo, as palavras que já se disseram mutuamente: recebo-te como meu, recebo-te como minha. Se há prova do carácter simbólico reconhecido por todos às palavras, está nestas frases que durante tanto tempo foram reconhecidas como bastantes para ligar duas pessoas perante todos. Àqueles que, acenando com apocalipses, reivindicam o monopólio da palavra casamento, teremos de responder como Herculano: não podem apropriar-se do que não é seu.» O seu a seu dono. f., está visto, tem pouco em que pensar e menos ainda com o que sofrer. Haja pachorra.

Comments

Anonymous said…
Até parece um assunto de Estado!!!

Se o desemprego o movimentasse tanto...Emfim não há sequer palavras para gastar

Popular Posts