FANFARRA DA DEMAGOGIA
Frei Teixeira, o próximo Governador do BdP, não se arrepende de ter aumentado os salários da FP. Nem por um momento se questiona se se deve chamar tecnicamente aumento a uma correcção compensatória de perdas de anos, depois de quase uma década com eles ou congelados ou sempre abaixo do nível da inflacção, sobretudo nos quatro anos de esta legislatura. Por outro lado, os vencimentos escandalosos dos intocáveis amigalhaços do Regime permanecem deflaccionários, misteriosos, escandalosos, inescrutináveis, assim como as reformas milionárias, cada uma delas uma pazada nas Contas Públicas, logo num país ainda mais frágil. O grande mérito da legislatura e da maioria que a cavalgou foi mostrar-nos o lado fanfarão da incúria e da sem-vergonha ética. Perdidas as ilusões democráticas de um país europeu com líderes responsabilizáveis e aspirações desenvolvimentistas, descobrimos que não há grandes diferenças entre as nossas lideranças políticas e as de um país qualquer centro ou sul-americano. E se existem é para pior: «O ministro das Finanças disse hoje não estar arrependido de ter aumentado os funcionários públicos em 2,9 por cento este ano, mas defendeu que no sector privado é preciso gerir os salários tendo em conta o combate ao desemprego.»
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