FRASEOLOGIA PÍCARA DE FREI TEIXEIRA


Faço ideia da pena que Frei Teixeira teve por não ter podido participar na grande Missa Negra unanimista de Espinho cravado no flanco de Portugal. Na rua, ainda me lembrei de perguntar a um amigo que passava: «Então, Manel, que tal achaste o Congresso espetado em Espinho na carne de Portugal?» Com um ar de quem desfalece de tédio por ter de gotejar uma opinião de caca sobre política, o moço respondeu-me: «Joshua, se Sócrates pudesse exterminar os desempregados e pobres que lhe maculam a fotografia ideal, não hesitava». O Manel quer pouca conversa com política, mas não é o único a pensar assim. Já todos interiorizaram o que é que se está a passar com o PS de Sócrates. Um unanimismo fascizante e unívoco. Para Sócrates, o pluralismo é uma treta, a liberdade e confrontação de ideias e de comportamentos uma quimera que atrapalha o exercício iluminado do mando à bruta. Sente-se aquilo por que multidões grunhas clamavam: alguém que meta isto em respeito, sendo que respeito é andar cada qual a medir as palavras e bem odediente mesmo perante injustiças grosseiras. Só para dar um exemplo, quase tudo o que se passou na Educação. As pessoas já começam a fazer uma ideia do perigo que significa uma personalidade que não se manca e que se ilude de imprescindível. Levianamente, ainda há mulheres de todas as idades às quais basta aquela cara cheia de loções hidratantes e massagens secretas em SPAS insuspeitos. Mulheres e alguns homens perdidos de paixão por aquela coisa mandona, determinada e desastrada de amor por si mesmo. O homem lambe-se como um gato antes de sair de casa e todos os outros são supérfluos comparados com a sua imprescindibilidade. Convenhamos, foi ou não foi generoso e grato com o grande Bajulatrónix Vital?! Se o foi com o Vital, como o não será com Júdice, com o insuportável Emídio Rangel ou mesmo com o excelso Pitta?! Aquela truculência fugitiva no Parlamento é insuportável, mas há mulheres e alguns homens que apreciam um sádico na política e para quem a política é um exercício complexo que pressupõe nos governados a devida dose de masoquismo fatalista: os professores? É comer e calar. Os médicos?! Rareiam e padecem lá as suas dores. Os Manuel Finos?! Enfim, é fartar excepções! E é por tudo isto que o PS está eleitoralmente condenado e vai estando cada vez mais se, na grande arena da Guerra de Argumentos e Razões, a vontade dos soldados do verbo e da opinião provocatória vale alguma coisa contra a cavalaria dos Fortes e dos Poderes que zelam por si mesmos e pela própria manutenção à boca do mamilo estatal. Resta aguardar pela próxima sova eleitoral para confirmarmos a festa, a libertação das amarras que perder Sócrates representará para um País já impregnado com os tiques repressivos exemplares da legislatura. Já agora, o Pior e mais irrelevante ministro argentinizador das Finanças a vinte e sete bem que podia abster-se de comentar com trejeitos desprezivos a opinião de MFL sobre a ausência rufia do PM em Bruxelas. Nós já percebemos que a politicamente desastrada e gaffeana senhora apesar de tudo deixa em nervos este apparatchik аппара́тчик-nomenklatura do PS, por isso usam em resposta modelos fraseológicos pícaros e verrinosos ao jeito dos blogues que podem ser pícaros e verrinosos à sua vontade. A bloga contamina de procedimentos verbais imediatistas a própria imprensa, como escreve deslumbradamente JPP, mas também o faz a palavra política, cuja imaginação e força expressiva em tempos pardos e sem ideias deixam ainda mais a desejar: «O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou hoje em Bruxelas que quem se insurge contra a ausência do primeiro-ministro José Sócrates da cimeira informal de líderes europeus tem uma "visão paroquial e provinciana do que é a política". Fernando Teixeira dos Santos falava no final da reunião informal de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, para discutir a resposta dos 27 à actual crise financeira e económica, na qual representou Portugal em substituição de José Sócrates, retido no Congresso do Partido Socialista em Espinho». O PSD e o PS estão em crise. Um parece poder e maioria, mas na realidade aferível nos votos outra coisa se revelará mais rigorosa que as sondagens por encomenda, fiáveis como os pseudo-relatórios da pseudo-OCDE encomendados. O outro mal se tem de pé. Entretanto, de eleição em eleição, vão devorar-se de verbo acutilante e de deselegância até ao desfecho desastroso final. Não esquecer que a abstenção é um crime lesa-pátria. Escolher, escolher sempre. Punir, sovar democrática e eleitoralmente o obeso PS e o anafado PSD clientelares, ineficazes, ronceiros e incompetentes, eis a tarefa límpida a cumprir pelos eleitores.

Comments

Anonymous said…
Então agora somos todos provincianos!?isso dava-lhes jeito dava, como no tempo do provinciano e paroquial Salazar...mas o povo hoje é outro!
Ontem pareciam "inflamados"obesos de gratidão e subserviencia uns verdadeiros meninos do coro.Pode ser que fiquem afónicos.
antonio ganhão said…
Ouve-lá tens a noção do tamanho deste post?

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