GALP? SOUNDS LIKE PULHA

1. Foi caricato observar a forma tímida e cínica com que ontem Silva Lopes propunha o decréscimo dos salários e reformas mais altos, quando perante o despudor que grassa por exemplo no que a Galp paga-a-peso-de-ouro aos seus administradores infinitos, lá colocados em posição de amamentar pelos partidos do Poder, PS e PSD, nada acontece e nada acontecerá que se revele exemplar e morigerador. De estas coisas, em Portugal, fala-se pouco e a medo, enquanto franjas de população mergulham numa inexorável penúria desempregada, desamparada. Tal situação chocante releva ainda mais, agora que se anuncia o lucro da petrolífera, num ano particularmente anómalo nos preços dos combustíveis, onde o protesto com o ritmo sorna da Galp em descer os preços, quando tal plenamente se justificava, foi geral. É pela falta de limpeza ética e de verdade nos procedimentos da Galp em coisas óbvias e transparentes que toda a gente sente que alguma coisa de muito errado corrói no âmago a dormente portugalândia: «O lucro de 478 milhões de euros que a Galp Energia obteve em 2008 beneficiou da lentidão com que a petrolífera acertou os seus preços pelos valores internacionais nos últimos três meses do ano passado.O lucro da Galp Energia no exercício de 2008 cresceu 14 por cento para 478 milhões de euros, anunciou ontem a petrolífera. Para este resultado contribuiu em muito o resultado do último trimestre de 2008, período em que a companhia registou um aumento de quase 200 por cento dos seus lucros, que foi de 125 milhões neste trimestre (mais 198,8 por cento).»
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2. Exactamente: pedem-se sacrifícios e cortes salariais aos mal-pagos portugueses, mas a conversa fiada dos lucros da Galp, à custa de uma desonestidade clamorosa que conferência de imprensa nenhuma pôde ou poderá jamais branquear, segue sem explicações. O bicho antissocial do lucro pelo lucro já alegra ninguém. Antes deprime uma sociedade desigualitária, a mais brutal e mais abissal no seio da europa desenvolvida. Espera-se do PCP a frontalidade de sempre contra a naturalidade do esbulho que os administradores nos procuram vender de cada vez que lhes é dada a palavra justificatória. Não há solidariedade nestes bem pagos administradores? Não aprenderam a ter vergonha na cara e contenção nos ganhos, comissões e salários das arábias? De repente, colapsa um País, faz Islândia em Portugal e estes senhores não têm vergonha de alardear lucros à custa de um povo usurado à força toda? Em Portugal não há moral. Não comem todos. Anda por aí uma minoria de camelos a enganar as pessoas com a treta da produtividade e com a treta das qualificações, quando tudo serve de desculpa para pôr as pessoas a pagar exorbitâncias por serviços e as loucuras de casino ou desonestas em que os privilegiados do costume incorreram. É caso para dizer aos grandes investimentistas públicos, chega de estradas, chega da demagogia endividatória, olhem pelas pessoas, c'um caralho!: «O PCP pediu uma audição ao presidente da Galp Energia para dar explicações sobre os lucros da Galp apresentados ontem, em particular o aumento de quase 200 por cento nos resultados do quarto trimestre do ano passado face ao período homólogo de 2007. Os comunistas lembram que denunciaram a "lentidão inaceitável" com que a Galp estava a fazer reflectir a baixa dos preços do petróleo no preço dos combustíveis.Por outro lado, segundo o requerimento da audição, os lucros e a distribuição anunciada de dividendos "confrontam-se de forma escandalosa com as brutais dificuldades económicas que a generalidade dos portugueses e das pequenas empresas atravessam".»
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