
Compreendemos o enternecimento natural do PM e Comitiva enternecida [a ME Maria de Lurdes Rodrigues, o Ministro do Trabalho e da Solidariedade, Vieira da Silva, e vários presidentes de câmaras, entre os quais António Costa (Lisboa), Isaltino Morais (Oeiras) e Fernando Seara (Sintra)] pelo pré-escolar, mas era de deixar cair o conceito 'obrigatório' que se ouviu no congresso espinhoso assim como conviria encarar com frontalidade o lado económico e sistémico de todas as tentativas de redução do nível de abandono escolar. Essa diminuição terá provavelmente tem a ver com o facto de Portugal ter feito o devido investimento no pré-escolar na segunda metade da década de 90, mas não tem decididamente a ver com a qualidade do investimento pessoal e do trabalho dos professores. Num momento em que a bandeira fracturante do casamento gay também é anúncio e é brandida a recordar-nos como em Portugal esdruxulamente se adressam assuntos da maior 'pertinência' e 'urgência' sobretudo nos tempos desolados e desempregados que correm, ou vai esmaecendo em face de um povo que gela com o tema?, conviria lembrar que o grande fautor do abandono escolar é, como muito bem escreve Mário Lopes, programático e 'natural', não precisa de bodes expiatórios nem sacos de pancada fáceis para o justificar. Uma leitura atenta, honesta e inteligente chega e sobra: «Há anos que os professores deitam as mãos à cabeça com as medidas apresentadas pelos sucessivos governos, cada uma pior que a outra. Com a sua proverbial paciência, professores e conselhos executivos tentam implementar o que, muitas vezes, não tem qualquer viabilidade ou aderência à realidade. Se a autonomia das escolas lhes permitisse rejeitar muitas das directivas absurdas que lhes chegam anualmente, por certo, muito dinheiro pouparia o País e muita eficácia ganhariam as escolas. Mas vamos às queixas da senhora ministra. Para responder a estas questões, não precisamos de comissões de sábios ou de espertos (traduçãolivre do Inglês), qualquer professor esclarecido conhece as soluções. Porque é que os alunos não completam o 12º ano? A resposta é curta e simples: o elevado grau de abstracção dos actuais programas do 12.º ano não é compatível com o perfil de uma parte significativa da população escolar. O problema não está nos alunos nem nos professores nem nos pais nem sequer no sistema de ensino, mas nos programas, que foram criados com afunção de preencher anos pré-universitários. Ora, quem não tem perfil universitário - e são muitos - também não tem perfil para frequentar o actual 12.º ano. Se o País quer que a generalidade dos alunos completem o 12.º ano tem de lhes propor outras competências, de menor abstracção e complexidade, seja através de cursos profissionais ou outros. E ponto final. Volto à questão da necessidade de especialização da escola. O Ministérioda Educação olha para a população escolar como uma massa uniforme e, por norma, propõe soluções universais para problemas bem distintos. Erro crasso. Já dizia, Descartes que os problemas complexos se devem decompor em problemas simples, para que se possam resolver. Ora, com a democratização do ensino, toda a população jovem passou a ter acesso à escola. E com ela chegaram novos problemas às escolas que exigiriam soluções diferenciadas. Contudo, o Ministério da Educação continua acomportar-se como se a população escolar tivesse a mesma homogeneidade de há 30 anos. Não tem. A população escolar de hoje é altamente heterogénea, uma consequência da universalidade do ensino». Encarar estes factos com frontalidade e abandonar o tom de guerrilha e a campanha maliciosa de desinformação anti-docente seria muito mais saudável. É de resto um serviço que muito honestamente incumbirá aos governos do futuro que finalmente não ponham um sapateiro a tocar rabecão no ME. Perante isto, a Anuncialite da Legislatura segue pastosa como desde há quatro anos e isto não sequer vício de dizer mal, é gastura — foi tão intensa a aposta no show das medidas, das grandes farras com púlpito Feira-Nova, púlpito Nova-Alcântara, púlpito Estradas de Portugal, púlpito Call Center da PT, púlpito Pirites Alentejanas, que está instalado o atrito e a 'contraproducência' de toda e qualquer anunciatura: «O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje que dentro de ano e meio a rede de pré-escolar portuguesa terá capacidade para acolher todas as crianças com cinco anos, num discurso em que elogiou a acção dos governos de Guterres. Sócrates falava na Fundação Cidade de Lisboa, depois de terem sido assinados 172 contratos para a construção de 299 salas de aula destinadas ao ensino pré-escolar, que abrangerão 13 mil crianças – investimento avaliado em 36 milhões de euros. Na cerimónia, estiveram presentes os ministros da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, do Trabalho e da Solidariedade, Vieira da Silva, assim como vários presidentes de câmaras, entre os quais António Costa (Lisboa), Isaltino Morais (Oeiras) e Fernando Seara (Sintra).»
1 comentários:
Como estou com gripe e tive uma péssima noticia médica, diz-me lá, és contra a medida de extensão do pré-escolar ou não?
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