O DEPUTADO MARTINS É UM SER HUMANO


Eu costumo aconselhar o vernáculo a toda a gente que engole ofensas. Ofereço vernáculo como solução indolor quando os pobres seres humanos que me procuram não conseguem impedir-se de padecer provocações e insinuações teatrais muitissímo mais graves e mais exasperadoras que um singelo e angelical vocativo como «Filho da puta!». Os que seguem os meus conselhos são incomparavelmente mais saudáveis e mais autênticos. Assim temos que, por exemplo, o José Eduardo Martins está hoje desopilado, evitou uma neurose, animou as redacções dos jornais e os blogues e ainda é notícia. E porquê? Porque o deputado Martins é um ser humano. Quanto ao deputado Candal, talvez porque sou um obstinado anti-PS e anti-Ventrão-Centrão, não consigo sentir nada. Não gosto. Abomino quem não é capaz de romper com a chamada disciplina tirânica de voto e votar por sua própria cabeça, como o faz Manuel Alegre e o seu grupo. Abomino os que acima e para além de tudo se colam ao Poder, seja ele qual for e faça o que fizer, vendendo a própria boa consciência na loja dos trezentos. Agora que Mourinho trouxe o conceito, a Prostituição Intelectual nunca deixou de morar no Parlamento e na Maioria Absoluta. A intransigência como maneira de estar na política e a incapacidade de negociação honesta interpartidária em qualquer contexto e sobretudo em face de uma Crise tão terrível são coisas muito primitivas e que o PS acoita em larga escala. Por isso mesmo é um partido terminal e nem repara. É urgente hábitos modernos e evoluídos na arte parlamentar, é urgente uma formação intensiva capaz de vertebrar estes moluscos parlamentares com alguma flexibilidade e capacidade de Ouvir a Sociedade e ouvir-se uns aos outros com pureza e honestidade: «O deputado social-democrata José Eduardo Martins pediu hoje desculpa a todos os deputados menos ao socialista Afonso Candal pelo palavrão que lhe dirigiu ontem, que considerou uma reacção "destemperada" a uma insinuação que ofendeu a sua honra.Por sua vez, Afonso Candal alegou que não fez nenhuma insinuação e que não encontra motivos para o episódio: "Não insinuei fosse o que fosse e se tivesse algo a dizer afirmava-o". "Eu sou humano, erro, e manifestamente ontem [quinta-feira] errei. Lamento no que diz respeito aos outros 228 deputados, que não têm de ser testemunhos de uma cena menos agradável", disse José Eduardo Martins aos jornalistas, no Parlamento.»

Comments

Anonymous said…
cenas menos agradáveis?lol...e que tal, desagradavel? muito...
estes politicos são um "prato" e recebem principescamente por isso.

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