O MARAVILHOSO MAGNETISMO DE LELLO



1. Coitado de Manuel Alegre. Tem uns colegas de partido que gostariam que ele fosse obediente e alinhadinho como os demais colegas deputados que o são, mas nada disso sucede. É ainda o único socialista a sério e a grande reserva de autonomia e independência num partido capturado por magníficos subidores da escada partidária, degrau a degrau. É o único que não engole Sócrates nem revestido a papel de embrulho com lacinho côr-de-rosa, deve saber bem o underware de esse 'camarada'. Vota desalinhadamente em relação à Maioria, no Parlamento, desautorizando-a e passando a mensagem de que ela não é séria nem para levar a sério, e diz que os partidos, portanto, também o PS, «foram sequestrados por gente medíocre». Pois. Mas a mediocridade pode ser incrívelmente magnética sobretudo para os que choram que se rasgam por ficar sempre à boca do poder e acumular as extraordinárias reformas e benesses em que consiste verdadeiramente trabalhar para a nossa 'democracia', acumular e aproveitar oportunidades novas, como Vital, tão servil e dócil. Ora Lello é isso e isso basicamente resume Lello. É ele o grande multiusos no PS e multifretes. Também é um enorme 'amen' de soprar. O poder muito lhe deve e às suas palavras obedienciais na RTPN, onde nos adormece com a sua retória coprologicamente mole. Direi mais. Ele é perfeito e movimenta-se perfeitamente no hipermercado dos interesses que tomaram o PS e por isso mesmo tem aquele cio de se sentir prejudicado por um colega fazer perigar esse desínio-tetina que é uma vez mais o PS. A equipa dos diligentes e espertos que manobram cautelosamente à boca de essa grande Tetina em que o PS se transformou, tal como Lello e Vitalino e outros, quer é um Alegre menos perigoso para eles porque o poeta, só por estar a vê-los muito bem, a 'manjá-los' os ameaça imensamente. Ninguém é magnético na garimpagem da vantagem como Lello, yesman acabado com um olho na acumulação de que é o maior artista. O magnetismo pelo lado certo do Poder que Lello exala é incomparável e a 'democracia' portuguesa tem muitos como ele na fila a fazer peso às nossas contas públicas com as suas reformas e acumulações: por isso ele sente, fareja, antecipa o que lhe convém. Não incomodar, portanto! «O secretário-geral do PS, José Sócrates, ignorou hoje a polémica entre Manuel Alegre e José Lello, apresentando em alternativa o seu partido como um referencial de estabilidade e de unidade na vida política portuguesa. Na Comissão Nacional do PS, que elegeu sem votos contra a Comissão Política (que por sua vez elegeu o Secretariado Nacional), José Sócrates recusou-se a falar aos jornalistas quer no início, quer no final da reunião.»[...] «Os principais dirigentes socialistas tentaram hoje desdramatizar a acusação de "falta de carácter" que o secretário nacional do PS José Lello fez a Manuel Alegre, que admitiu candidatar-se como independente a deputado se a Constituição o permitisse. Falando aos jornalistas à entrada para a Comissão Nacional do PS, o presidente do partido, Almeida Santos, recusou-se a comentar a divergência entre José Lello e Manuel Alegre, alegando que "cada um dos dois tem direito às suas opiniões".»
lkj
2. Talvez por ser, de momento, o mais simpático do friso cavalar governamental e o titular que ostenta a grande cenoura social, é o escolhido para as funções de coordenador do processo eleitoral. Qualquer desempregado verá em Vieria da Silva o rosto recentemente humanizado de quem lhes garante respiração e respaldo de males maiores. Nada é pensado ao acaso e a reeleição da Maioria faz-se de equações arquitectadas para impactar nos instintos comprimidos de muitos indigentes e aflitos, apesar de terem sido e continuarem a ser o lugar do morto da política da legislatura, cuja acção se orientou fundamentalmente para empresas fabulosas e globalizadas como a magnífica Martifer e outras, pelas quais tudo foi feito, e ainda bem para elas, mas fora das quais nada se fez que envolvesse os cidadãos e lhes desse esperança, trabalho, futuro: «José Vieira da Silva, secretário nacional do PS e ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, vai, na qualidade de dirigente partidário, coordenar o processo eleitoral socialista nas europeias, nas legislativas e nas autárquicas. Esta é uma das principais decisões tomadas ontem pela nova direcção socialista eleita pela comissão nacional na sequência do XVI Congresso realizado o fim-de-semana passado em Espinho.»

Comments

Anonymous said…
A seguir, Lello e Alegre, vão resolver a questão lá fora.

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