O PODER DA PEDANTARIA É INFINITO


Louvo naturalmente a iniciativa do deputado Paulo Pedroso, tanto mais que a situação é degradante. Transpirou suficientemente para o exterior o foco incinerador do conflito. Razões de mesquinhez hierárquica e o estilo incooperante de um poder que teima em não se exercer colegialmente e levando em linha de conta o benefício em que consiste o contributo de cada qual, tendo em conta a experiência adquirida. A intransigência é um fenómeno estúpido e recente na vida dos serviços e instituições nacionais, fenómeno que não devemos estranhar, uma vez que o exemplo tem vindo de cima, tem influenciado formas de fazer as coisas de um modo não-moderno, por imposição, por torção da percepção e subjectivade dos outros. Vêmo-lo na Educação. Vêmo-lo no Parlamento onde a Razão foi substituída pelo tom alterado de voz, agreste e passional. Para a paixão e a expressividade existem os blogues, a literatura, o teatro, as aflições e dificuldades do dia a dia. Na Saúde 24 e no Parlamento era a frieza do bom senso e do sentido cooperativo puro e abnegado, sem delongas, sem orgulhos infantis, sem merdas. Mas, enfim, a pedantaria, quanto mais balofa, ignorante e oca, mais poder, mais brutal, mais pretensão indevida a liderar: «O deputado Paulo Pedroso, do PS, apelou hoje a um “rápido entendimento” entre a administração da LCS, que gere a Linha Saúde 24, e os enfermeiros que trabalham no “call center” de Lisboa no sentido de se acabar com o diferendo que extravasa a barreira laboral e que dura já há vários meses.“Apelo a que as partes encontrem muito rapidamente uma solução que encerre este infeliz episódio, de forma a permitir que um serviço tão importante para a população possa ser gerido com a tranquilidade necessária”, disse Paulo Pedroso, observando que gerir um serviço de saúde de triagem especializado implica ter “sensibilidade, porque os enfermeiros têm uma identidade profissional muito própria que é preciso ter em conta”.»

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