OFFSHORES DA AMBIGUIDADE


Porque as coisas correram tremendamente mal, os paraísos fiscais são um alvo legítimo a abater, mas devagar. Ao longo de décadas, o dinheiro não era suposto ter cheiro nem origem nos offshores. Fugia-se aos impostos e talvez haja poucos políticos que tenham resisitido a estagiar neles as suas luvas da praxe. Contas bancárias anónimas em ilhas como as Bermudas, Jersey, Caimão ou Cayman, anonimato e enclaves políticos e territoriais como o Grão-Ducado do Luxemburgo, Lichtenstein e o Principado do Mónaco. E a Madeira. Chegados aqui, valeria a pena que Frei Teixeira não tergiverssasse e conservasse determinação e clareza no plano de esse propalado desmantelamento concertado europeu dos Paraíso Fiscal: «O líder do Bloco de Esquerda acusou hoje o ministro das Finanças de ter entrado numa "contradição gritante" ao declarar-se contra os 'offshores', lembrando que "o paraíso fiscal da Madeira movimenta cerca de oito mil milhões de euros".Em declarações à Lusa, Francisco Louçã sublinhou a "contradição que há entre o discurso e a prática, particularmente do Governo português sobre o paraíso fiscal da Madeira". "[O 'offshore' da Madeira] tem um custo gigantesco, são cerca de 4 por cento do Produto Interno Bruto, oito mil milhões de euros que passam pela Madeira sem pagar imposto, sem pagar IRC, mais do dobro do total do défice previsto para este ano", criticou o líder bloquista.»

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