PORTUGUESES E PORTUGAYSES


Numa sociedade disparitária e desigual, falar de paridade de género nas mais diversas funções é um exercício ocioso, pretexto para mera propaganda, sendo tão difícil haver oportunidades não apenas para as mulheres com mérito, e não por serem mulheres, como para muitos homens com mérito e não apenas por serem homens. Ter sistematicamente de emigrar daqui dá conta do problema mais fundo com que nos confrontamos. A paridade não se decreta, se não consta no espírito nem na cultura de quem emprega, que de resto se vai pautando pela naturalidade de não precisar de empregar e empregar sempre pouco, o mínimo, o residual. E se se decretou, não funcionará. As leis paritárias são até contraproducentes porque partem de uma série de princípios amadores e voluntaristas que depois a realidade infirma, contraria, mostra impraticáveis devido à especificidade e complementaridade de género; por outros lado, são os melhores que se fazem contratar e esta é uma circunstância sempre ímpar, imponderável e inquantificável. Um Cabeleireiro com o mesmo número de mulheres e de homens é uma quimera; no Parlamento, uma coisa artificial, que parlamento inglês nunca viu nem Congresso norte-americano, até porque a classe política é ciosíssima em que sejam sempre os mesmos no seu rodízio de interesses. O fundamental é superar as lógicas de género, mas por cultura e não por legislação que acaba por reverter contra os alvos, na medida em que se possa alguma vez dizer: «Foi contratada, mas por causa da paridade». Portugueses, portuguesas e portugayses necessitam de um País que lhes não seja padrasto e lhes dê oportunidades, enquanto respeita o direito de todos à felicidade e não ao desespero, coisa-desespero por que esta legislatura estapafúrdia zelou com denodo ao obliterar de todas as formas imagináveis a paz social com reformas desastradas e de nome mentiroso. O cerne do Estado e do Poder Político está viciado e apodrecido de interesses. Homens e mulheres são carne para o canhão da extorsão geral montada em Portugal. Nada mais que política enganosa e mecanismos de mentir muito constitui o programa do PS que não se poupa às mais diversas e bizantinas contradições, eles, que põem uma cara de maus e de zangados para demonstrar ser os mais preocupados com os portugueses, incapazes de compreender como nos soam a Cínico e como nos cansou tanto o hábito de Mentir: «Elas continuam a ganhar menos do que eles e a ser agredidas dentro da própria casa, mas hoje estão mais protegidas e têm mais consciência dos seus direitos. O Estado tem integrado a igualdade de género em todas as políticas públicas e a legislação portuguesa é das mais avançadas do mundo. E vêm aí as primeiras eleições paritárias de sempre. Os sucessos dependem sempre da comparação e, aqui, nenhum Estado é perfeito. Há sempre um calcanhar de Aquiles - do apedrejamento ao afastamento dos cargos de chefia. E a realidade pode ser apresentada em invólucro optimista ou pessimista.»

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