PROTECCIONISMO? NADA A FAZER!


Quanto mais Cavaco insiste em verberar o proteccionismo económico, mais se percebe que ele está no terreno e vem a caminho nas suas formas mais extremadas. É instintivo e provavelmente uma fase incontornável. Desde as laranjas e bananas portuguesas de feição grosseira que o Pingo Doce põe à venda, passando pelos movimentos de estímulo que a França esboça para salvaguardar a sua indústria automóvel, ou ao fechamento da economia norte-americana em si mesma, por exemplo, no âmbito do mercado do aço, atirando para o desemprego algumas centenas silenciosas de mineiros brasileiros. E note-se que em Obama cada um vê o que quer ver. O desastre ou a esperança. Claro que o discurso do PR é o de um sobrevivente das velhas lideranças dos anos oitenta e noventa do século XX cuja palavra e sentido de compromisso se pautavam pela consistência e sentido de conjunto que hoje rareia e que a Crise simplesmente pôs a nu. Sarkozy e Merkel disputam entre si mais do que coordenam. A União Europeia, afinal de urdidura burocrática tão frágil apesar de pesada, funciona como peia ao desígnio proteccionista natural e incontornável dos grandes países e em vão pregará Cavaco a fim de nos garantir migalhas e buxas. Nem sequer acredito num proteccionismo moderado de esses países: «O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou hoje que, face à crise econonómica e financeira, as prioridades dos governos e “dos decisores em geral” deverá ser “minimizar as consequências de escassez de crédito e restaurar a confiança nos mercados financeiros”.Durante o segundo dia da sua visita de Estado à Alemanha, Cavaco Silva interveio na sessão de encerramento do seminário económico Encontros Financeiros Alemanha/ Portugal, que contou com a presença do ministro da Economia, Manuel Pinho. O Presidente da República voltou a colocar a luta contra o proteccionismo e o nacionalismo como tema central do seu discurso.»

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