QIMONDA, REFREGA DIPLOMÁTICA


1. O dossiê Qimonda transformou-se numa matéria permanentemente no segredo dos deuses quanto ao seu desenvolvimento e desfecho, passível de todas as contradições devido à subtileza admirável e cada vez mais chinesa da linguagem diplomática: do lado português, reservas e prudência, do lado alemão, esperança e uma réstia de luz. Na versão presidencial portuguesa, pouco avanço; na versão da diplomacia governamental, alguns progressos. Que pensar?! Jogos florais. Provavelmente mesmo uma subreptícia compita entre a PR e a diplomacia governamental por que os louros da negociação ou o ónus da derrota negocial — rosário de apelos! — tenham dono. O Governo. A PR: «De Berlim para Munique. O Presidente da República chegou ontem à capital do estado alemão da Baviera, onde vai cumprir o seu terceiro dia de visita de Estado à Alemanha. Também em Munique o caso Qimonda, que tem sede nesta região germânica, voltou a ser falado. Desta vez pela voz do ministro-presidente da Baviera, Horst Seehofer.Horst Seehofer saudou o Presidente da República português e revelou que falaram de diversos temas relativos à situação económica e à crise financeira e também em relação à Qimonda, cuja falência pode levar ao despedimento de milhares de trabalhadores, nomeadamente cerca de 1200 na filial de Vila do Conde."Falámos em unir esforços para manter a empresa e a tecnologia e esperamos ter uma solução na próxima semana", disse.»
lkj
2. Oxalá que estas formas de luta e de pressão multilateral servissem para um bom desfecho da situação global da Qimonda. Sirva o modo como estas pessoas se levantam, por si mesmas e pelo seu sonho, de modelo a situações equivalentes onde tantas vezes a Crise e o mais crasso Oportunismo se fundem e confundem descretamente: «Um grupo de seis trabalhadores da Qimonda manifesta-se neste momento, em Munique, em frente de uma empresa de tecnologia que vai assinar um protocolo com a Universidade do Porto e que será visitada pelo Presidente Cavaco Silva no âmbito da sua viagem de Estado à Alemanha. Empunhando cartazes escritos em alemão, inglês e português, este grupo diz representar os trabalhadores da Qimonda que são cerca de 12 mil nas empresas na Alemanha e em Portugal. “Coragem para investir no futuro. Porto, Munique, Dresden. Coragem Europa”, diz um dos cartazes, noutro pode ler-se “Nós temos um sonho”.»

Comments

antonio ganhão said…
O estado quer entregar uns quantos milhões à Qimonda, só não descobre a quem… é pena. E que tal distribuir parte desses milhões pelos trabalhadores?
Anonymous said…
Um estado proteccionista de empresas estrangeiras.

O sistema é tão amoroso a distribuir dinheiro.

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