Simulando finalmente a coragem que sempre faltara, a fácil, dentro de uma demagogia ainda mais fácil no seio do Centrão-Ventrão, com tiques e retoques de um neo-pombalismo grotesco e ao contrário, foi angustiosamente curioso acompanhar o despejo dos jesuítas-professores da boa harmonia e integração na sociedade portuguesa, obra sem par e sapateira de esta legislatura furada. Agora, é possível ver na aflição para salvar a Qimonda o anti-clímax do vale-tudo para infernizar a felicidade laboral dos outros, sobretudo caso sejam professores. Não que deva servir este estertor da Qimonda de regozijo para alguém, mas simplesmente porque o cálculo político, quando maquiavélico e envolto na malícia dos números frios, na falta de imaginação e sobretudo no escamotear da realidade, merece ter certos revezes a fim de que se prove que política nenhuma serve quaisquer interesses válidos do País fora de razoabilidade mínima e da compreensão límpida dos seus alvos, em sinergia e não em confrontações mentirosas e estéreis. É uma pena que aparentemente os professores já não possam livremente ser maus professores, conforme é seu direito, numa sociedade em que os maus triunfam, medram e se constituem exemplo de conduta: os maus primeiro-ministros, os maus banqueiros, os maus políticos e opinadores, todos eles fazem pela vida e não padecem de dificuldades nem de aflições. São maus e por isso tudo lhes corre bem, sobretudo a partir do momento em que a amoralidade e a venalidade passaram a ser valores em alta estima no Portugal entorpecido de todos os dias. Quase todos se subordinam aos maus e à sua malícia, mas é para sobreviverem melhor e não passarem mal como os outros, os que não têm Qimonda tatuado na testa. O valor dos bons ou emigra ou encerra as portas inapelavelmente. A Qimonda merece ser salva. Todos os esforços envidados nesse propósito são bem-vindos. É pena ser tarde e o mercado estar 'escangalhado-esculhambado' como um brinquedo entregue prematuramente ou por tempo de mais a putos: «Cavaco Silva já tinha abordado a questão da falência da empresa alemã Qimonda com o seu homólogo germânico, Horst Kohler. O Presidente da República revelou ontem que o caso, como era esperado, também foi abordado “com maior profundidade”, com a Chanceler Angela Merkel, que tem o poder executivo. Resultado: Cavaco Silva não está “em condições de afirmar algo positivo e com alguma certeza em relação a essa grande preocupação”. A conclusão destas conversas foi revelada aos jornalistas durante uma conferência de imprensa do Presidente da República no decorrer do segundo dia da sua primeira visita de Estado à Alemanha, que se prolonga até sexta-feira. A Qimonda tem uma filial em Vila do Conde que é o maior exportador nacional e emprega cerca de 1200 trabalhadores, cujos postos de trabalho estão em risco.»

0 comentários:
Enviar um comentário