SOCRATISMO, PEDRA DESFILOSOFAL
Em jeito de humor, parece que muitas das coisas em que entusiasticamente a governação toca e assinala como bandeiras pomposas de não sei quê tretas cansativas e inconsequentes como 'linha da frente', 'vanguarda tecnológica, energética e ambiental', 'pela primeira vez em Portugal' tal como nos contos de fadas, se transformam em sapos e fracassos sem happy ever after. Ao ponto de a única coisa reluzente e bem sucedida ter sido, uma vez mais, o anúncio. A tirania dá azar aos melhores negócios, aos mais promissores e entusiasmantes. Esse azar desmobiliza e contamina as iniciativas que mereciam melhor sorte, como o Pelamis. Agora, são as dificuldades financeiras. Não é justo. Mas pode atribuir-se esse espectro de fracasso, de insucesso, de paralização financeira e de crédito, num projecto tão interessante, à tirania socratinesca & amigalhaços, toda pela 'democracia' do vil metal: é ela esse azar vivo e ambulante, pedra desfilosofal que tudo transforma não em ouro, mas em esterco, que arrasta para o fundo e dana uma pobre sociedade desmobilizada que se acomoda ao jugo de se fazer servil diante dos mais reles que lhe acontece supostamente liderá-la: «A pricipal causa do atraso no desenvolvimento do Parque de Ondas de Aguçadoura são as "dificuldades financeiras" da Babcock & Brown, detentora do projecto, e não as "questões técnicas", considerou hoje o presidente da Associação de Energias Renováveis (APREN). As três máquinas Pelamis, do parque de ondas da Aguçadoura, Póvoa do Varzim, considerado pelo Governo "uma bandeira" da liderança portuguesa nas energias renováveis, foram retiradas do mar por problemas técnicos e estão no Porto de Leixões há quatro meses, disse ontem à agência Lusa Rui Barros da Companhia de Energia Oceânica (empresa do grupo Babcock & Brown).»
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