SOLIDARIEDADE VOCAL E BUCAL


Está muito em voga uma espécie de solidariedade vocal e bucal a que toda a gente se habituou um pouco por todo o lado: as pessoas condoem-se, põem aquela cara pesarosa e pietista e quando lhe pedem opinião, abrem a boca e opinam. Dizem que sentem muito e tal, mas depois voltam para as suas masturbações egoístas favoritas, quando ninguém está a ver, gastando em carros e em putas o que outros não podem gastar em pão, decência e consistência de vida. Bucal, portanto, a solidariedade. Da boca para fora. Espero que não seja de modo nenhum o caso dos que contemplam à distância o drama dos desempregados, excluídos ou não das ementas da SS, ou dos que assistem na primeira fila ao grave problema dos salários em atraso do Estrela. Já não há mecenas em Portugal, gente comprometida com o seu meio, com um sentido de promoção humana, pelo bem dos outros e como profilaxia de males sociais devastadores para todos? Li algures que quem, podendo muito bem fazê-lo, se exclui activamente de um processo de promoção social humanizadora, fora do ou no âmbito do Estado, ou é burro ou é burro: «O defesa do Sporting Marco Caneira afirmou hoje que é "lamentável" a situação de salários em atraso que vivem alguns colegas de profissão e defendeu que está solidário "para aquilo que for preciso"."Aquilo que é a minha opinião é que é lamentável existirem faltas de respeito por quem trabalha, tem uma profissão digna e chega ao fim do mês e não tem o seu salário. Estamos solidários e sempre estaremos, com os jogadores do Estrela ou de outra equipa. Lamentamos profundamente que continuem a existir estas situações no futebol português", disse em conferência de imprensa.»

Comments

Anonymous said…
O problema é que lamentar não chega, exigia-se uma tomada de força por parte de toda a classe futebolística.

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