TIM KRETSCHMER'S CULTURE OF BLOOD

Certamente que uma vida sem contrapontos ao vício do vídeojogo assim como o acesso fácil a armas contribuem para uma explicação, sempre parcial, de uma tragédia como a de ontem na Alemanha. Para a misoginia implícita no crime não tardará também uma explicação. Mas um indivíduo é uma agulha num palheiro, entre tanta procura e oferta de produtos culturais excêntricos, extremamente depravados ou extremamente violentos. É cultura. Circula. Curto-circuita certos caracteres. Mais tarde ou mais cedo, talvez se conclua que mesmo a chamada legislação moderna 'libertária', pró-abortiva e pró-eutanásia, releve de uma cultura que, de tão optativista e opcionalista em matérias por milénios intocáveis, esteja ferida de morte, revestida de suicidário e do absoluto relativismo que se instala, desprotegendo gradualmente as pessoas e expondo-as a perigos novos, imprevistos, explosivos. Uma cultura da vida, pelo contrário, enforma de fecundidade e vida comunitária as sociedades, promove uma multiplicidade de estímulos e actividades ricas, capazes de resgatar da caverna dos afectos caracteres extremos como o Tim: «A polícia alemã lançou uma investigação para perceber o que levou um jovem de 17 anos a um tiroteio que acabou na morte de 16 pessoas, colocando jogos violentos na lista das hipóteses. Tim Kretschmer ter-se-á suicidado depois de ser baleado na perna pelas forças de segurança, adianta a revista "Der Spiegel". Uma análise ao computador de Tim revelou que o rapaz gostava de jogos violentos, indicou hoje a polícia. “Examinámos o seu computador e encontrámos jogos vídeo típicos deste género de violência, incluindo o jogo Counter-strike”, indicou à AFP Ralf Michelfelder, responsável local.»
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