UM ESFÍNCTER CHAMADO ECONOMIA

Quando se fala em crise e se anuncia quem vai sofrer, os pobres, os desempregados, os africanos, o que nos consola são notícias como as que Manuel António Pina recobre com comentário de fina e telegráfica ironia, aliás imperdível e imprescindível todos os dias (confesso que é ele e a sua crónica a única razão que ainda justificam que estenda o braço e pegue no JN físico da mercearia ou do café e que por vezes pague e leve um do quiosque): «o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco [BCP] arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. ». Depois, claro, compreendemos melhor que África sofra mais: «O crescimento mundial poderá ser pela primeira vez em mais de 60 anos negativo este ano e os efeitos da crise serão particularmente severos em África, alertou hoje o director-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, numa conferência na Tanzânia, precisamente para avaliar o impacto da crise mundial no continente africano.“O FMI prevê um crescimento mundial abaixo de zero este ano, o pior resultado alguma vez visto entre nós”, admitiu Strauss-Kahn, perante a plateia de líderes africanos em Dar es-Salaam.»
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