NINO: FEROZ RIVALIDADE PESSOAL

Enquanto viveu exilado em Gaia, talvez tenha sido gradualmente impregnado de os mínimos democráticos e se tivesse reeducado na tolerância por afinidade com o lado civil da democracia portuguesa. As voltas que o poder dá! Quando o contexto, porém, foi mudado, a realidade fez e desfez a intencionalidade putativa de quaisquer bons resíduos: uma vez na Guiné, talvez fosse impossível terçar outra línguagem que aquela que vigora em tantos países de código de honra primário: há que matar primeiro quem nos odeia e ameaça. Sob ameaça, na verdade, mata-se por antecipação preventiva, inaugurando um ciclo infernal de violência e retaliação. Rivalidade em torno de quê? Narcotráfico e Poder. «A situação é hoje em Bissau extremamente confusa, relata em Cabo Verde o jornal electrónico "A Semana Online".O Governo de Carlos Gomes Júnior, líder do PAIGC, reuniu-se ontem à noite de emergência e deverá voltar a fazê-lo esta manhã, conforme informação do ministro guineense da Defesa, Artur Silva, citada por aquele órgão cabo-verdiano. Ouvem-se tiros esporádicos em Bissau, algumas horas depois de ter sido confirmada a morte do Presidente João Bernardo Vieira, "Nino", de 69 anos. A morte do chefe de Estado aconteceu de madrugada na sua casa, que foi pilhada por militares e populares. Tudo indica que se trata de uma reacção dos militares afectos ao general Tagma na Waie, tido como um velho rival de Nino Vieira e que ontem à noite morrera durante uma das acções violentas em que a Guiné-Bissau tem sido fértil ao longo dos seus 35 anos de vida como país independente. Tagma na Waie acusara em Janeiro os homens de Nino Vieira de o terem tentado assassinar, mas nessa altura fora dito que apenas se verificara o disparo acidental da arma de um segurança da Presidência da República à passagem do general.»; «A mulher de Nino Vieira, Isabel Romano Vieira, encontra-se refugiada na embaixada de Angola em Bissau, disse à Reuters um coronel reformado, Sandji Fati, que era pessoa próximo do Presidente da República da Guiné-Bissau. "Nino Vieira recusou-se a deixar a sua residência quando diplomatas da embaixada angolana apareceram para o levar a ele e à mulher para um lugar seguro", contou aquele militar, que tal como fontes da segurança confirmaram a morte do chefe de Estado por alguns militares, durante a madrugada de hoje. A maior parte da população permanecia esta manhã dentro de casa e "não se percebia quem é que estava no controlo" da situação, noticiou o correspondente da Reuters, Albert Dabo. Uma fonte da segurança disse que os soldados saquearam a residência do Presidente depois de o terem morto, quando ele estaria finalmente a procurar sair de lá.O Chefe do Estado-Maior General, Tagme Na Waie, "sempre disse que o seu destino e o do Presidente estavam ligados e que se ele morresse Nino também morreria", contou aquela fonte, citada pela Reuters."À uma da manhã soldados que apoiavam Na Waie derrubaram as portas da cela na polícia judiciária e libertaram seis pessoas suspeitas de em 23 de Novembro de 2008 terem atacado a residência de Nino Vieira", contou entretanto um funcionário da Judiciária, que pediu o anonimato.»; «As chefias militares guineenses distribuíram hoje um comunicado de modo a esclarecer que não se encontra em curso nenhum golpe de Estado. Os comandos militares fizeram questão de esclarecer que "irão respeitar os poderes constituídos e dialogar com o Governo" de Carlos Gomes Júnior, noticiou o correspondente da RDP África, Cipriano Cassamá.».
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