VALSA DA SUBVERSÃO SOCRATINESCA


Não sabemos quando é que a falta de respeito pela inteligência e capacidade de vigilância dos cidadãos, eleitores e contribuintes, foi accionada e quando a democracia representativa usurpou a Democracia como expressão dos cidadãos para além do voto e diálogo permanente com os cidadãos e aferição dos seus problemas, confiscando aos portugueses o direito de saber, de aceitar ou rejeitar políticas no tempo mesmo da sua implementação, e tudo isto em trinta e cinco anos de governação alternada PSD/PS. O que sabemos é que o poder representativo é paternalista, está hoje no zénite de esse paternalismo, e isso convém-lhe por todos os motivos. O que sabemos é que, na verdade, nenhuma legislatura o fez, a esse confiscamento, tão ostensiva e ofensivamente como esta governação sob chancelaria socratinesca. A corrupção de que se fala, que se conhece ou suspeita, pode nem ser, no momento político português actual, a mais grave, mas somente uma dentre imensas manifestações da mais crassa decadência moral e democrática entre a elite embrutecida que se apossou do Poder como coisa legítima sua, de que usa e abusa a fim de controleirar todos os mecanismos de liberdade que de algum modo denunciem tal pretensão. De certa forma, entre outros pecados graves lesa-democracia perpetrados pela socratinescitude, que é essa atmosfera abafadora das subjectividades divergentes, do humor, está a usurpação da designação 'Esquerda' assim como o flanar à boca cheia com pseudo-posicionamentos de cunho socialista, quando na verdade foi numa outra direcção diversa que se caminhou, fazendo-nos convicta e professadamente pobres. Os interesses corporativistas do governo e a sua mole de 30000 ou mais dependentes directos, à semelhança do que se passa com os governos das Rússias, Venezuelas e Angolas, que divergem do interesse dos respectivos povos, também divergem claramente do interesse profundo de Portugal. A alternância no poder PS/PSD, qualquer ilusão de bipartidarismo, falhou e foi nociva a partir de determinado momento da História recente. Foi um dos produtos enganosos tóxicos ideológicos, postos a circular, ao longo de décadas, pelos papagaios oficiais do regime e dos principais partidos. Em Espinho, de repente, a TVI e o Público, indicados como incómodos a Sócrates e a este PS em estado adiantado de corrosão anímica e corrupção intelectual, é um sinal dado que passa a definir a falta de nível e de densidade moral e humana de estes aprendizes de Maquiavel. Não se conhece semelhante cinismo ao de esses manobreiros dos organismos e das instituições nacionais, nada se compara a esses grandes detentores e donos da isenção que não se pressente que se exerça ao nível judicial e legislativo, ó tempo de mau português e ainda piores leis! Em suma, algo de muito errado lavra no cerne do Poder Político em Portugal. Este endividamento. Este empobrecimento. Esta opressão fiscal recalcitrante e contumaz. Esta aposta na imagem e no ênfase às coisas mais irrelevantes da vida comum, esta venalidade e funcionarização parlamentar, enfim, corrupção nos fundamentos de Portugal. É por tudo isto que não é possível divergir das críticas de MFL à governação, ao lado executivo de esta legislatura cadente, o que não quer dizer que a amorfia e pertença ao problema por parte do PSD suscite alguma expectativa oposta. De momento, o que temos como esperança e escapatória para o Super-Problema de sustentabilidade portuguesa a curto-médio prazo, é a necessidade de ousar errar fortalecendo os minoritários do costume, armadilhando democraticamente novas ameaças de maiorias devoristas, sôfregas, acreditando na pulverização partidária, obrigando cada partido à humildade dos entendimentos e à conflitualidade fecunda, criativa: «Os maus resultados de Portugal são anteriores à crise internacional e resultam das “más opções tomadas desde o início” do mandato de José Sócrates. A opinião é da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, que fez hoje um balanço dos quatro anos de governação socialista com maioria absoluta. Na sessão, a social-democrata criticou também o “condicionamento da liberdade de expressão dos media” feito “em nome dos interesses do Governo” – em referência às declarações do primeiro-ministro feitas no Congresso do PS, em Espinho.»

Comments

Anonymous said…
e tu não participas na festa dos quatro anos?
Anonymous said…
...os maus resultados , resultam do resultado de termos elegido semelhante irresoluto! Isso sim.
Nem todas as redundâncias chegam para o qualificar!
manuel gouveia said…
Hoje segue uma generosa comitiva de jornalistas com Sócrates a Cabo Verde... e a Manelinha? O que é que tem para oferecer?

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