VENEZUELIZAÇÃO DE PORTUGAL


Portugal, vassalo de Angola e da Venezuela, tem pouco tempo para compreender que a devastação chavista pode bem ser a sua. Se a Venezuela vinha sendo um país caótico, desorganizado e acabrunhado, piorou de modo atroz mal subiu ao poder o tenente-coronel Hugo Chávez. Não se pode dizer que aquele país tenha agora um presidente. Tem é um chefe, "El Jefe". É uma pessoa doentia, autocentrada, egolátrica e, tal como amplamente tem sido noticiado, está arruinar a petrolífera do estado PDVSA, cujos melhores quadros expulsou aquando de uma greve, quadros que agora trabalham no estrangeiro. A produção da companhia reduziu-se em cerca de um milhão de barris diários - um terço dos três milhões de antes, além de uma inflação ascendente, entre 32 e 35 % em 2009. Isso, somado à queda nos preços do petróleo, e está encontrada a receita para o desastre manifesto na criminalidade crescente, quase cem sequestros semanais, na escassez de produtos, ao estilo cubano, na degenerescência total das instituições, com um poder Legislativo sabujo e um Poder Judiciário submisso e conivente. Eis o poder sem imaginação e sem liderança, um poder providencialista, viciante, e que obceca Hugo Chávez, mas também José Sócrates, José Eduardo dos Santos e tantos outros que o detêm, Vladimir Putin, Evo Morales, a irmandade Castro, o casal Kirchner, Mugabe, como bons exemplos. Todos com o seu modo específico de apego a esse poder e com tácticas diversas para o conservar injusto, usurpado, incompetente, zero para com a vida democrática. Egos incomensuráveis, nulidades afectivas, personalidades patológicas que sofrem de uma espécie de patologia do poder: gosto doentio de mandar nos outros, de acumular dinheiro e outros bens, de furar as leis, atitudes também características na pessoa de psicopatas financeiros como Bernard Madoff e Allen Stanford. Todos eles jefes. Em absolutamente nada líderes. Não os move a vontade de servir e de fazer um bom trabalho. Só o poder os move. Será que Portugal quer persistir e aprofundar esta deriva socratina? Quatro anos de Governo Sócrates com sinais péssimos para a Liberdade, para a Transparência e para a Verdade. Além de imensa sintomatologia de carácter ambiental, houve medidas marcadas por larga ambiguidade: na área social, o horroroso sistema de avaliação dos professores e o miserável estatuto do aluno; a vacina contra o cancro do útero, sabe Deus com quantas lutas pela devida comparticipação estatal; a redução das listas de espera para as operações às cataratas, aproveitando um timing oportunista e instado pela sociedade e pelas oposições pelo escândalo que até certo ponto se previa; a tardia e arrancada a ferros a venda de medicamentos em unidose; as taxas moderadoras no ambulatório, actualmente cruéis e ultrapenalizadoras dos que já mal podem nos casos que envolvem cirurgias; a assistência medicamentosa aos deficientes nas pensões de reforma, enquanto se lhes cortaram isenções fiscais de modo escandaloso; o aumento de tempo na atribuição do subsídio de desemprego, enquanto se excluíam dezenas de milhar por minudências burocráticas mal assimiladas num país iletrado; na área económica, dez medidas fatais: o acentuar do fanatismo e da perseguição fiscais, não à Banca e aos Negócios de Estado com Particulares (combater a evasão fiscal com mais eficácia sobre cidadãos previamente arruinados, desempregados e empobrecidos é algoi de brilhante!); reembolso mais rápido do IRS, quando não é por inteiro captivado a cidadãos arruinados, desempregados, emprobrecidos precisamente graças a leis retroactivas que vieram punir cidadãos compradores de imóveis havia anos, segundo as regras ditadas pela lei ao tempo e fiados na boa fé lúcida dos seus mediadores imobiliários; o pagamento das dívidas do Estado que fica a dever e não paga a tempo e horas como regra; baixa da taxa de IRC no interior de Portugal, onde já ninguém nem nenhuma estrutura produtiva se fixam, graças ao desmantelamento de hospitais e de escolas capazes de fixar populações e equilibrar o território; pagamentos da portagem sobre o Tejo em Agosto, ui, que rigor!; a retenção dos subsídios comunitários ao longo de quase quatro anos e o pagamento a conta-gotas das dívidas aos agricultores; o aumento da taxa social única nos contratos a termo que mal se fazem numa economia estagnada há dez anos e ainda pior desde há quatro; a morosidade lenta e lentinha das regras amiguistas a roçar o nepotamiguismo das linhas de crédito e do QREN, 'faça chegar o seu caso pessoal ao meu gabinete e tudo se resolverá'; o raro ou raríssimo bom senso da ASAE (sem fugir à fiscalização certa ou errada no momento certo ou errado, tantas vezes excessiva e abusiva sobre pobres, fracos e já em dificuldades para sobreviver, coimados e estropiados sem dó nem pedagogia); o fim arrancado a ferros do erro da OTA, graças à pressão dos media, dos blogues, da imprensa e das organizações mais diversas; na área institucional, o aumento muito lento e arrastado do número de efectivos policiais explorados e mal pagos com imensos casos de suicídio por desespero económico; o cadastro dos pedófilos, mas o arrastamento ofensivo e obsceno de um julgamento por pedofilia, que vai morrendo e cansando e zero; a transformação do debate mensal num debate quinzenal na AR, sítio em que o primeiro-ministro grasna e grita em grande estilo com o bracito-mãozinha à cintura, atacando a Oposição, como se fosse ela a governar.

Comments

Anonymous said…
Os mentecaptos tendem a entenderem-se o que governa é a força da catana política! Desprezíveis ignorantes isso sim
Marcos Santos said…
O caudilho tem uma característica que independe de sua falta de inteligência, é a sua persistência.
Como moscas, ele sempre retorna e insiste.

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