Terça-feira, Maio 05, 2009

A "DIREITA" DESAMOROSA DE 2005

Façamos alguma arqueologia blogosférica. Em 2005, todos os gatos eram pardos e ninguém poderia imaginar que a esquerda despesista PS posicionar-se-ia tão à direita, mas tão à direita, (a não ser na fenda e na fractura de esquerda por puro tacticismo político, tentativa de esvaziar o balão libertário do BE), que àquela luz e sob todos aqueles pressupostos apareceria como irreconhecivelmente fascizante, salazarizante nos seus tiques personalistas. Foram, em suma, quatro anos de uma esquerda esquizofrénica sem amor. Descurar as pessoas inteiramente e assentar políticas em bazófia é de uma falta de amor gélida. Terá entretanto Rui Tavares compreendido que a rarefacção do amor na direita era inexistência pura na esquerda demagógica e falsária? Impossible to tell: «A mim deu-me que pensar. E a conclusão a que cheguei, depois de umas equações que a guilhotina da meia-noite e o fim do Barnabé mesmo aqui em cima da nuca não permitem que refaça para melhor satisfação da clientela, e rabiscando num caderno de notas que agora procurei e não consegui achar – a conclusão a que cheguei, dizia eu, é de que a direita precisa de amor. De amor. O sisudo José Manuel Fernandes; a severa Fátima Bonifácio, sempre saudosa de uma época sem pieguice; esse conquistador do oeste que é Paulo Portas mais os seus cowboys dos sobreiros; Pacheco Pereira, que não admite a ninguém que seja mais modesto do que ele; lord João Carlos Espada; Helena Matos e a newsletter do saudoso Banco Português do Atlântico; o axiomático João Miranda; esse grande pensador da contra-reforma que é João César das Neves; Filomena Mónica na busca incessante da empregada perfeita; os desleais orgânicos Pedro Lomba e Pedro Mexia; Cavaco Silva, também chamado de o rei do bolo; e João Pereira Coutinho que já está um homenzinho – todos eles precisam de carinho, de uma ternura cósmica, transbordante, ou de uns desvelos pequeninos – miminhos, afinal – de atenção, de qualquer coisa que os acalme, que lhes dê confiança, que os deixe regressar ao colo da mãe, esse mundo certinho, seguro, cheio de cavalheirismo, rapazes com a tabuada na ponta da língua, livros com intriga e personagens, torradas.» Rui Tavares, Barnabé

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