Porque as palavras me são luz e instrumento explicitador de amor e inconformismo, de dor e de prazer; porque as palavras me são garantia de esplendor carnívoro pela verdade toda, pela carcaça da realidade que só eu poderei devorar, rei e tirano do dizer inédito, serei, porque o sou de facto, o inextinguível e feroz PALAVROSSAVRVS REX. [joshuaquim7@gmail.com][Um blogue de Joaquim Carlos]

Segunda-feira, Maio 18, 2009

DREN, DELAÇÃO, CELERIDADE

Toda a gente de um certo país sabujo desunha-se por um facto qualquer que afaste as atenções de cima da questão Freeport e de como, por causa dos seus odores, não se olha a meios para atingir quaisquer fins convenientes àqueles que elegemos para nos servirem com lealdade nas funções de que foram investidos. Antes de aceder ao áudio da delação, manifesto desde logo a minha reserva e desconfiança sobre se este é mesmo um caso de indevido despudor na escola ou do oportunismo mais reles e mal desculpável em quem denuncia, tendo em conta a proibição de suportes electrónicos, telemóveis e afins na sala de aula, após a vergonheira do "Dá-me o telemóvel, já!" Oprimir professores e cidadãos tem sido popular, um traço distintivo da Lesgislatura. E também tem dado um jeitaço às restrições abusivas insertas no Código do Trabalho ou aos vergonhosos Recibos Verdes num País com mais de meio milhão de desempregados. Aguardemos pela clareza cristalina dos factos: «Uma professora da Escola Básica 2,3 Sá Couto, de Espinho, está suspensa e enfrenta um processo disciplinar na sequência de alegadas alusões a orgias sexuais, durante uma aula, gravadas em áudio por uma educanda.» ADENDA: Acabo de ouvir parcialmente a gravação através da SIC. Choca-me o abuso de poder e a grosseria da linguagem da docente ao mesmo tempo que me suscita compaixão o terror que a deforma, aquilo que na raiz a torna agreste, descontrolada, defensiva, ameaçadora sobre pessoas em desenvolvimento e merecedoras de absoluto zelo e protecção. Um professor tem de possuir uma formação humanística profunda e uma personalidade harmoniosa, feliz e dada a relacionamentos sãos, promotores não de medos, mas de caminhos de libertação interiores indeléveis, profundos. A fixação sexualizante da docente é uma distorção triste e doentia. Evidentemente que aqui é notório o desequilíbrio e o descontrolo da professora o que me faz reflectir sobre o Sistema que este ME tem introduzido nas escolas, vulgarizando a divisão e o ressentimento inter pares, a inimizade e a competição horizontal no mau sentido, destruindo a cooperatividade afectiva, chegando aos picos de asqueroso nas formas de impor políticas e sobretudo uma avaliação que de chantagem em chantagem dobrou muitos pais de família docentes. No caso de esta professora doente no âmago, recomendaria no máximo um urgente acompanhamento psicológico em vez do puro facilitismo punitivo simplista, quase de certeza 'célere' e 'exemplar' à boa maneira da DREN, aliás tutelada por alguém não de todo na posse de todas as suas faculdades democráticas .

2 comentários:

Anónimo disse...

Ainda não ouvio a gravação, mas reina grande festança no reino do PS, que já mandou os seus sabujos a terreiro inocular no povo a ideia de que todos os professores falam assim!

A professora deve estar doente, pelo que diz. E ninguém se lembrou de que agora a moda é meter o telemóvel ligado na mochila e estar toda a aula a transmitir para a família lá em casa, cortesia dos tarifários fale de borla em família.

No primeiro ano em que dei aulas, uma professora levou um dicionário para a sala e desatou a citar todos os palvrões que lá havia aos atónitos alunos do 5º ano: caralho, cona, foder, etc..

Simplesmente tinha enlouquecido.

Pata Negra disse...

A fixação sexualizante da docente preocupa, tal como preocupam outros colegas que andam a ficar doentes tal é a pressão a que tem sido sujeita a educação.
Mas é igualmente, ou ainda mais, precupante a leviandade, com que se grava, como que se avalia o enquadramento da gravação e, sobretudo, como se disponibiliza essa gravação para as TV.s.
Da minha parte, será mais fácil apanharem-me numa orgia do que a gravar alguém...
Um abraço