«MENTIROSO» OU O EPÍTETO BANAL
A retórica retorcida de Vital Moreira, Fernanda Câncio ou mesmo de Alberto Martins, permitem-lhes justificar abstrusamente qualquer horror político ou malformação política no estrito limite do bom senso e da ética elementar. Tal prática tem sido recorrente babando de contradição e escândalo um pensamento minimamente poligonal e holístico. Veja-se agora a ambiguidade entre advogar a 'suspensão de mandato no Eurojust ou a advogar a demissão' em clara clivagem com o que o fabuloso Vitalino veio arengar como Porta-Voz daquilo a que ainda se chama precariamente PS. Se por aqui se usasse esse filão que permite defender maquiavelicamente um abuso, um excesso, ou impor um ângulo tosco aos problemas, dir-se-ia que fora 'o próprio PM, por ele mesmo e reiteradamente', a dar azo a esta epitetagem convulsiva de 'mentiroso', 'feirante', 'Piss and Ink' que varre o País e de que o madeirense Jorge Moreira é apenas mais singelo reprodutor. Como não temos esse ADN mental de Câncio e Vital, temos a dizer que por agora conviria desbastar os espinhos dos prometidos braços abertos madeirenses. O que pensamos e sabemos é o que sabemos e pensamos, mas há outras horas para proclamá-lo: «O vice-presidente da bancada do PSD madeirense, Jorge Moreira, atacou esta manhã, no parlamento regional, o primeiro-ministro José Sócrates, atribuindo-lhe os epítetos de “mentiroso” e “caixeiro viajante”.» Como é perturbador saber da renitência inicial de Cândida Almeida em colocar decididamente as mãos sobre o dossiê freeportiano e a descoberta recente de que se encontra sob sigilo, sugerindo que o sigilo é uma coisa flutuante e só é colocado em prática quando falham outras tentativas de suavização do problema político-judiciário chamado Freeport: «O processo Freeport esteve duas vezes em apreciação no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e por duas vezes a directora, Cândida Almeida, devolveu o dossier ao procurador do Montijo. Apesar de,desde o início, estarem em causa eventuais crimes económico-financeiros, só à terceira apreciação, a "complexidade" do caso justificou que fosse chamado à esfera do departamento especializado e que dispõe de mais meios.»
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