Todos os analistas são unânimes em reconhecer em Jaime Silva o pior ministro e o mais lesivo dos interesses e necessidades da agricultura nacional em largas décadas. A culpa não é dele. Enquanto durante estes quatro anos, o Governo fez o jogo dos grandes interesses, do grande capita e das grandes empresas e, sem diminuir a despesa pública, pelo contrário, procedeu aos cortes mais selváticos nos bens e serviços mais essenciais às populações, na verdade, a a passividade da actuação governamental foi completa, com o castigo fiscal sobre os pequenos, com a desactivação económica das micro e médias empresas. O grande paradoxo é que enquanto se fingia emagrecer o Estado nos tais serviços e bens essenciais que incumbe a um Estado Ético, na verdade, o Governo converteu-se numa plataforma de negócios, onde só os fidelizados e garantes de contrapartidas serão servidos dos ajustes directos e das partes de leão nessas tais obras redundantes do Regime, nas estradas redundantes que não servem a ninguém senão a quem as constrói e derrapa nos orçamentos, nesse TGV proibitivo e mega-endividatório de Portugal. É em face do conhecimento de tudo isto que os partidos com uma proximidade e uma ética de cumplicidade directa com as pessoas, o PCP e o BE, têm crescido. Em em face de tudo isto que o ódio geral pelas aldrabices, falsidades e sofreguidão do poder dos actuais titulares dos cargos executivos tem recrudescido e daí a raiva que espuma e estrebucha em Sócrates a quem as coisas escapam do precário controlo. Aparentemente, as eleições implicam o voto e a manifestação da vontade das pessoas, da sua esperança e expectativas de verdade e justiça nas políticas. Aparentemente quem enganou e engana as pessoas e lhes prega quantas patranhas há, não pode ser caucionado e muito menos reconduzido. Se o BE e o PCP crescerem significativamente, será o triunfo da lucidez e a rejeição da Fantasia, do Engodo e do Logro gigantescos do PS. Há um nome para a brutalidade: incompetência e amor lúbrico ao poder. Há um cansaço geral da política-espectáculo, da política do diz-e-não-faz, da deriva fascizante no tom e na prática de esta Legislatura PS, com os seus sinais de absolutismo e autocracia horrendos e insultuosos da nossa inteligência. Todos fervemos por manifestar até que ponto esta situação inconsistente e enganosa não mais se suporta, venha Soares, venha Pitta, venha Rangel, venha Júdice, vem Câncio, venha o Piscoiso, venha o Fado Alexandrino, venha quem vier servir de pára-raios a esta desgraça pespegada: «O secretário-geral do PCP afirmou ontem que a "causa da raiva" de José Sócrates não foram as agressões a Vital Moreira no 1.º de Maio, mas a luta da CDU contra a sua política de direita. Jerónimo de Sousa considerou também que os problemas que a agricultura transmontana são anteriores à crise internacional, culpando os quatro ano de "erradas" politicas nacionais e comunitárias concretizadas pelo Governo.»
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