POLÍTICA COMO COITO INTERMITENTE
Em Portugal, os políticos sobrevivem aos problemas que nos criam e eternizam-se nos lugares de eleição e nomeação como múmias respeitáveis, apesar dos fracassos sucessivos que nos acarretam e da separação das pessoas concretas que vão segregando. O Manuel Alegre que desaparece do Parlamento, onde tantas vezes criou rara fricção com o dictat anacrónico socratinesco durante esta legislatura, representa uma história de grande jactância e outro tanto de inocuidade de 'esquerda' dialogando intermitentemente com o corpo do Poder ao qual, por exemplo, todo sucumbe Alberto Martins. Veja-se como ASS e Sócrates, os ideólogos de uma política feita para os Fortes, urdida para os Grandes, política ultracleptocratizante, pró-oligopolista e antidesenvolvimento sustentado e harmónico, cavando abismos com os quais todos perderão e tudo se dissolverá, esparramam-se numa hipocrisia formidável com coroas de flores verbais relativamente à decisão do outro em não figurar nas listas embora permanecendo no cadáver esquisito — o partido obediencialista! — que o PM criou. Perante estas múmias de enorme conivência com o Partido, mas já nenhuma cumplicidade com o País palpitante, há, portanto, que inventar, votando em massa, uma realidade inteiramente nova e mais sã para Portugal. O Cancro da Imoralidade na Política, de ruptura dos seus actores sucessivamente eleitos com a respectiva Nobreza de Servir de modo vincular ao Povo, não pode trucidar-nos o Futuro, o qual, para quem como nós nada tem e cada vez tem menos que o mínimo, é realmente a única coisa que nos resta: «José Sócrates elogiou hoje Manuel Alegre por não ter optado pela "aventura de criar um partido", lamentando, com ironia, a "desilusão" para aqueles que acreditavam que o histórico socialista abandonaria o PS.»
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