AF 447 — ANGÚSTIA SOBRE O ATLÂNTICO II
Agradeço desde já a sábia e muito bem fundamentada explicação de Carlos Portugal, na caixa de comentários do meu post anterior AF 447 — ANGÚSTIA SOBRE O ATLÂNTICO, incidindo sobre os aspectos técnicos a montante de este vôo trágico: «Caro Joshua: Creio, infelizmente, que este era um acidente à espera de acontecer. Isto dado uma das falhas mais graves do Airbus: o sistema de «fly-by-wire», ou seja, em vez de o piloto e co-piloto terem comando directo do avião via circuitos e servos hidráulicos de dupla ou tripla redundância, esse comando é, no sistema descrito, completamente virtual. Ou seja, o comandante pilota o avião por meio de um joystick que está ligado a quatro ou mais computadores de voo, que interpretam os movimentos do joystick e dos pedais e accionam, via cablagens multiplexadas, os servos nas asas e lemes que vão accionar airelons, flaps, lemes de direcção e profundidade, etc. Tudo em nome da economia, pois estes sistemas são mais leves e baratos do que os hidráulicos. Ora, em caso de tempestade magnética, as correntes induzidas nas cablagens podem provocar o descontrolo dos servos, a avaria da aviónica de bordo, ou mesmo a queima de circuitos. Nesse caso, a redundância não vale de muito. Creio que terá sido este o cenário com o Airbus da Air France. Aliás, é consentâneo com a turbulência encontrada, e com a passagem junto à singularidade magnética do Atlântico Sul (zona onde há ruptura das Cinturas de Van Halen, e perturbações magnéticas graves). Com os antigos Boeing, Douglas, ou outros, todos com sistemas hidráulicos, o perigo das tempestades magnéticas era muito reduzido. Poder-se-à contrapor que agora a maior parte dos aviões militares de caça e bombardeamento são «fly-by-wire». Desde o F-16 ao B-2. Só que esses aviões dispõem de assentos ejectáveis para a tripulação, o que não é obviamente o caso de um avião comercial. Lamento profundamente a morte de tantas pessoas, e o sofrimento das suas famílias. E tudo provavelmente por causa do economicismo demente em que estamos mergulhados.»
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Comments
Muito obrigado pela distinção (imerecida, contudo) que me concede.
O que expus é apenas uma hipótese, que me parece plausível, pelos parcos dados comunicados à Imprensa. Poderão, obviamente, haver outras explicações.
E, é claro, não tem nada que agradecer.
Cumprimentos.
'Long time no see'...
Também já tinha saudades suas!
Infelizmente, como diz, o motivo é tremendo.
Beijinhos.