AF 447 — ANGÚSTIA SOBRE O ATLÂNTICO

Acompanho com extremo interesse e paixão a aviação civil planetária e a aviação em geral. Todos os incidentes aeronáuticos me interessam na medida em que não se repitam, que lições sejam aprendidas, se progrida no conforto de quem viaja e na eficiência e rapidez de este que se tornou num meio de transporte já vulgar. A aviação civil baqueia de momento em muitas companhias aéreas que se arrastam penosamente com milhões de prejuízos acumulados, filhos de um optimismo remuneratório de décadas, declínio e morte de mercados e rotas e velhas opções de gestão insustentáveis. Os impactos da Crise, aliás, sobre as economias e sobre algumas companhias aéreas, elas mesmas em crises prolongadas (debalde subsidiadas por engenharias de financiamento Estatais desesperadas ou por fusões estratégicas) determinaram no passado bem recente, no mais profundo causal possível, eventos como o de Barajas de que todos se recordam. O que pensar do vôo AF 447?! Pouco ou nada se sabe a não ser, neste momento, a sobeja gravidade angustiosa de se ignorar o seu paradeiro sobre o imenso Atlântico. Oxalá, todos se encontrem bem!: «A Air France confirmou à AFP "estar sem notícias" do seu voo AF 447, que assegurava a ligação entre o Rio de Janeiro e Paris. A bordo do aparelho estão 216 passageiros e 15 membros da tripulação.O Airbus 330-200 desapareceu esta manhã dos radares quando sobrevoava o oceano Atlântico. O avião deveria ter chagado ao aeroporto Roissy Charles de Gaulle pelas 11h00 (10h00 em Lisboa).» No jornal online O GLOBO pode ler-se: «RIO - Um avião Airbus 330-200 da Air France que seguia do Rio de Janeiro para Paris desapareceu nesta segunda-feira dos radares quando sobrevoava o Oceano Atlântico. De acordo com a "CNN", há 228 pessoas a bordo, 12 delas tripulantes. A emissora americana informou ainda que o governo brasileiro realiza trabalhos de resgate nas proximidades de Fernando de Noronha, em Pernambuco. Segundo a Reuters, o avião partiu do Rio às 19h de domingo e deveria chegar a Paris nesta segunda-feira às 11h15 (06h15, hora de Brasília). (Relembre a cronologia dos piores acidentes aéreos dos últimos dez anos).» Sabe-se entretanto que o último contacto do avião com as autoridades de controlo aéreo foi por volta das 22h de ontem, hora do Rio. O comandante teria alertado que enfrentava uma zona de forte turbulência e subitamente o contacto foi cortado.
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Comments
Estou impressionada.
Saí de lá às 19h10 (este saiu às 19h00), cheguei às 9h50 (este devia ter chegado às 10h).
Saí do Rio no sabado,este saiu Domingo.
Há coisas que nos deixam a pensar...
E já agora, também penso na turbulencia que se fez sentir. Foi incrivel.
Os efeitos podem ser: Danificar a estrutura do avião, cegueira momentânea da tripulação, interferência com os sistemas de navegação, e poderá desligar os motores. Ao mesmo tempo, todos os aviões comerciais estão equipados com radar meteorológico e os pilotos podem decidir desviarem a sua rota para evitarem o mau tempo num determinado local. Sobre os radares, em alguns locais sobre o Atlântico e também sobre o Pacifico, não há cobertura destes radares e o procedimento normal dos pilotos é o contacto via rádio para informarem a hora em que entraram nessa localização, o estado do combustível, e a sua próxima localização estimada. O Airbus A330, é um avião extremamente seguro e fiável. Falhas mecânicas são muito difíceis de acontecer desde que sejam cumpridas as exigências de manutenção do fabricante.
Espero que este acontecimento não seja mais um daqueles causados por erros de manutenção, em que certas companhias não se incomodam em arriscar vidas humanas para tentarem ganhar mais dinheiro. Não acredito que a Air France seja uma dessas e tenha estas práticas.
Desejo que todos estejam bem em local ainda incerto e que nas próximas horas as notícias sejam as melhores !
Creio, infelizmente, que este era um acidente à espera de acontecer. Isto dado uma das falhas mais graves do Airbus: o sistema de «fly-by-wire», ou seja, em vez de o piloto e co-piloto terem comando directo do avião via circuitos e servos hidráulicos de dupla ou tripla redundância, esse comando é, no sistema descrito, completamente virtual. Ou seja, o comandante pilota o avião por meio de um joystick que está ligado a quatro ou mais computadores de voo, que interpretam os movimentos do joystick e dos pedais e accionam, via cablagens multiplexadas, os servos nas asas e lemes que vão accionar airelons, flaps, lemes de direcção e profundidade, etc. Tudo em nome da economia, pois estes sistemas são mais leves e baratos do que os hidráulicos.
Ora, em caso de tempestade magnética, as correntes induzidas nas cablagens pode provocar o descontrolo dos servos, a avaria da aviónica de bordo, ou mesmo a queima de circuitos. Nesse caso, a redundância não vale de muito.
Creio que terá sido este o cenário com o Airbus da Air France. Aliás, é consentâneo com a turbulência encontrada, e com a passagem junto à singularidade magnética do Atlântico Sul (zona onde há ruptura das Cinturas de Van Halen, e perturbações magnéticas graves). Com os antigos Boeing, Douglas, ou outros, todos com sistemas hidráulicos, o perigo das tempestades magnéticas era muito reduzido.
Poder-se-à contrapor que agora a maior parte dos aviões militares de caça e bombardeamento são «fly-by-wire». Desde o F-16 ao B-2. Só que esses aviões dispõem de assentos ejectáveis para a tripulação, o que não é obviamente o caso de um avião comercial.
Lamento profundamente a morte de tantas pessoas, e o sofrimento das suas famílias. E tudo provavelmente por causa do economicismo demente em que estamos mergulhados.