BPP, DA DEBILIDADE MORAL

A opção frequente dos elementos governamentais pela porta das traseiras não é um bom sinal dado à 'economia' nem ao conceito global que se enraiza acerca de esta Legislatura. Esse conceito não poderia ser pior. Não é preciso mais sinais. E assim como a debilidade mental está para teimosias insanas, contra todo o bom conselho e aviso da Razão, a debilidade moral está para esta coisa das portas da frente e das traseiras por onde passam ou não passam os titulares de cargos públicos. A Força Bruta esconsa e injustificada capitula perante a Força Moral de quem tenha as mãos limpas e o coração impoluto, se não levar a melhor um bando de devoradores de Portugal, capazes de meter a perigo, por fraude eleitoral e boicote, todo um Povo. Há poucas semanas, foi gritante a opção do duo bicéfalo Sócrates/Lurdes Rodrigues de sair pela porta equina na António Arroio após uma vaia particularmente eloquente dos alunos ali residentes. Agora, perante a delicadeza de se deparar com os 'manifestantes' do BPP, depositantes traídos por uma traição ambivalente, Governamental e dos 'Gestores', Teixeira dos Santos aparentemente furta-se ao encontro e diálogo com alguns deles. Participava num evento marginal à questão, é certo, mas o que se comunica e implicita é, por um lado, a ideia de fuga ao problema e, por outro, o espectro da conivência com aquela gente intocável que não se chega à frente para dar explicações cabais e credíveis aos que lesaram. Mas, enfim, um Governo que se apressa a nacionalizar o prejuízo do BPN, evitando os activos da SLN, explicando nada; um Governo que não apresenta como escopo uma Justiça Célere, a devida sanção sobre quaisquer prevaricadores, irregularidades, abusos, roubos; um Governo que não exerce o seu magistério de influência para que Vitor Constâncio-PS assaque conclusões e consequências rápidas da sua infravisão nada super; um Governo assim é comprovadamente uma equipa de débeis morais com a qual não se pode falar porque nos não sabe nem pode ouvir. Mesmo que ouvisse, não compreenderia. Mesmo que compreendesse, não actuaria. A debilidade moral implica a ausência de argumentos e de vontade para fazer o que está certo. O débil moral faz somente o que lhe convém e diz, mentindo, o que convém aos ouvidos da maioria e a maioria, ironicamente, deixa-se embalar e impregnar da debilidade moral dos que o regem: «Alguns dos clientes do BPP que desde terça-feira protestam junto à sede do banco, em Lisboa, estão neste momento no Hotel Tivoli, à espera que o ministro das Finanças acabe a sua participação numa conferência. Os manifestantes, cerca de 20 pessoas, concentraram-se inicialmente à porta do Tivoli, a aguardar que Teixeira dos Santos chegasse para realizar a sessão de encerramento de uma conferência da Associação de Leasing e Factoring. Porém, ao aperceberem-se que o ministro entrou no hotel pela porta das traseiras, entraram também no edifício e encontram-se agora à porta da sala de conferências, a aguardar a sua saída.»

Comments

antonio ganhão said…
Estes clientes dos BPP, banco dos Pelintras e Patetas, estavam convencidos que eram clientes do BPN!
Daniel Santos said…
arrependeu-se de não ter saído pela porta dos fundos.

E muito bem!

Tem dias...

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