BPP: LENTO, LENTAMENTE, QUASE NADA
Seco, o Ministro das Finanças disse ontem aos grandes lesados do BPP que aquela situação de se estarem a manifestar ali, barrando-lhe a saída, forcejando chegar à fala com ele, era muito 'desagradável' e não contribuia para a resolução do problema. Contaminado com o vírus da imagem e da aparência, Teixeira dos Santos lavou as mãos do problema e não avançou com o que permanece no segredo dos deuses. No entanto, já toda a gente compreendeu que a razão assiste a estes depositantes do BPP, distintos e iguais no seu clamor e razões de queixa contra aquela instituição bancária. A lógica foi salvaguardar imediatamente os detentores de altíssimas quantias e deixar marinar o problema para os demais, não estivesse agora o Estado Português obrigado a cumprir a palavra dada de que acima de tudo haveria que salvaguardar o dinheiro dos depositantes para o que, no caso do BPN, houve nacionalização, com a SLN, o único accionista, a perder as acções e o Estado a injectar fundos públicos. No caso do BPP, a complexidade é maior. As suspeitas que recaem sobre a instituição pouco se distinguém em natureza, espécie e efeito das do BPN. As acções continuam na posse dos actuais accionistas. Os depositantes não têm acesso ao dinheiro de uma vida inteira de trabalho e sacrifícios. Sentem-se lesados por João Rendeiro. João Rendeiro é um intocável nacional como há outros. O Governo afirmou-se 'preocupado' em garantir os depósitos (até 100 mil euros) e empenhou-se a interceder na situação mediante uma arquitectura de assunção dos passivos entretanto remunerados a estes clientes defraudados, coisa que não assume publicamente. O impasse é difícil de sustentar. E uma vez mais avulta por aqui o papel infravisionário da supervisão tutelada vitaliciamente por Vitor Constâncio assim como actos isolados de aparente acção policial e judiciária que nós suspeitamos e sabemos estar condenada à síndrome Caso Casa Pia: «João Rendeiro, Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital estão a ser averiguados por suspeita de fraude fiscal qualificada, de branqueamento de capitais, de falsificação de contabilidade e abuso de confiança.»
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