Um sossego esfomeado infinito entre caixas de correio electrónico outrora palpitantes, esperançosas de libertação e mudança. Corpos que adoptam matizes cobreadas por exposição ao sol à beira-rio e à beira-mar. Problemas familiares com base na penúria, no dinheiro que se evapora imperceptível. Suicídios. Homicídos de mulheres. Dezenas. Um por dia, segundo rezam as notícias, fora o que não rezam. Facadas. Muitas. Violência acrescida por falta de dinheiro para cigarros, vinho tinto, café e bolos, quando ela não quer submeter-se ao trabalho extra para sustentar somente isso. Monteiro boneco. Cândida boneca: supremos instrumentos da perfídia de um só cadáver insepulto. Incêndios em roda livre. Em tempo de cortes cegos, é deixar arder. Aselhice política. Economia como campo do bom sorver "socialista". PSD de férias, assobiando para o lado. E não há debate. O debate meteu atestado. A indignação está à espera de um grau de tragédia nacional superior: um País que se arrasta, com o Governo a mendigar 2000 milhões em financiamento externo por mês. Este meu País é o Hades. A morte numa existência espectral: eis o único existente, única entidade promissora, ó Portugueses abstémios de ser Povo!

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