NOJENTA UBIQUIDADE
"Deus Nosso Senhor" Sócrates, como o proclamou Almeida Santos, está positivamente em todo o lado. Colocar uma pedra sobre o assunto Freeport só poderia constituir uma infinita dificuldade por parte poderoso rainha Pinto Monteiro tendo em conta o peso natural que "Deus" pode ter nestas coisas. Ter poder e ainda mais inaudito poder, como é o caso do PGR, explicaria o acelerar as coisas, gerando inequívoca clarificação. Mas também explica bem a criação de atritos, ameaças implícitas, obstaculizando, por todos os modos disponíveis, o andamento correcto e normal de um processo com o cariz deste. As retaliações já estão aí: mais um inquérito aberto subsequente ao despacho de arquivamento. No processo Freeport, a mudança de arquitectos impressiona tremendamente. Das declarações prestadas, tanto aos investigadores ingleses como aos portugueses, por testemunhas, como Rik Dattani, gestor do projecto de Alcochete, Nickolas Lamb, director da Benoy, Peter George, consultor da Freeport, ou Jonhatan Rawnsley, director executivo do Freeport, mas também de documentos juntos aos autos, resulta espantoso que a troca do escritório de arquitectura Promontório por Capinha Lopes tenha sido motivada pela alegada proximidade deste com o Ministério do Ambiente e com o então ministro José Sócrates. "Deus Nosso Senhor" Sócrates é sumamente prodigioso. Que aquela mudança se tenha reflectido nos pagamentos é somente o milagre multiplicativo de pães e peixes: a Promontório terá feito 80% do projecto e recebeu 800 mil. Capinha Lopes terá feito 20% e levou pelo menos 1,7 milhões. Fantástico, Melga!

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