PROCISSÃO DE BIMBOS
Não é por fazer desfilar uma procissão de abonatórios bimbos ilustres que Queiroz reverte a seu favor a questão aberta com a FPF. E infelizmente para si, o presidente do meu clube, Pinto da Costa, não tem razão. Gosta de Queiroz, tem-lhe amizade, quer conservar uma porta aberta para o futuro, dentro do seu alfobre de putativos treinadores ou directores desportivos que habitualmente o FCPorto promove e reabilita? É lá com ele. Até porque ninguém nega o valor de Carlos Queiroz como teórico, organizador, excluindo, obviamente, a função de treinador, para a qual nunca mostrou capacidade, acerto, autonomia, tantas foram as tentativas e oportunidades. Objectivamente, Queiroz está queimado. Ridículo é que permaneça. Caso clamoroso de um perdedor nato, a não ser na função de assessor de um dado líder lúcido, como Alex Ferguson, o que envolve o seleccionador Carlos Queiroz é um pretexto para demiti-lo? De acordo. Mas, apesar da própria incompetência na elaboração de contratos de trabalho, assiste à Federação Portuguesa de Futebol accionar todos os meios de que necessite para evacuar um homem que se tenha transformado num ónus: tal é o caso de um treinador que abre contenciosos e rupturas com cada jogador em desconforto com as suas ideias e invenções. Por isso mesmo, quanto à imagem do seleccionador, a respectiva degradação é da sua exclusiva responsabilidade: o Mundial demonstrou-o. Será sempre a descer, caso forceje permanecer num posto onde falta de autoridade e improvisação atoleimada ficaram demasiado à vista.

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