TEMPO DE ATREVIMENTO

Bonacheirão e repleto de bonomia, há na figura do PGR a mesma simpatia natural que mora em muitos e muitos homens da sua idade, reformados e com pensões humilhantes, habituais frequentadores da tasca, do café ou da bodega das vilas do País. «Não me atrevo a fazer qualquer comentário sobre as declarações do procurador-geral da República», diz o procurador Vítor Magalhães e co-autor do despacho de acusação no processo Free Porc. Di-lo a propósito das momices (que alguns qualificaram de entrevista) do mesmo PGR e do registo atrevido, revisionista e perdido que adoptou. E fica tudo dito. O Coordenador não coordena. O Chefe não chefia. O Procurador-geral geralmente não procura. É apanhado de surpresa e, coiceado pelo Lóbi Mau "socialista"-maçónico, salta também ele para os media a fazer ainda mais ruído, assim como Marinho Pinto, com a histeria e agressividade do costume. Salta ele. Salta todo o bando de hienas postas a rir e a ranger os dentes na mesma direcção, o que é costume velho "socialista", velho corropio. O PGR não coordena? Não chefia? Não procura? Não. E não porque a tal também não se atreve. O lugar que ocupa, dádiva político-partidária com finalidade profiláctica para aquecer as costas do PS, enferma da lógica do poder político em Portugal: viciar todos os dados. Trair e explorar o Povo (ou lá o que isso seja!). Enriquecer discretamente no surf aleatório das novas oportunidades de "negócio". Nomear e escolher o PGR. No fim de tudo, se há problemas e a coisa engrossa, armar-se em vítima de cabalas e conspirações. Agora digam-me como qual é a alternativa para debelar este mal crónico na política e nos políticos? Não será rompendo com as convenientes convenções e deitando mão ao inesperado como último recurso? Não temos nem de longe um Baltasar Garzón, tão mediático como convicto e forte não por acaso arrumado pelo "socialismo" espanhol. É por puro desespero em face da Mentira e da Decadência que a Imprensa se transformou no último recurso para instigar a derrocada da Podridão Impune, o que se faz a medo e aos bochechos por não poder ser de outra maneira. Ela, a Podridão, controleira e ávida, usurpa e perverte o sentido de Serviço Absoluto e desinteressado ao Bem Comum que deveria nortear eleitos. E faz outras coisas que nos atrasam e minam como Povo ou Projecto de continuidade enquanto tal.

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