As férias são terríveis porque permitem a muitos espíritos passem em claro incongruências escandalosas da parte do poder político e se torne lasso o escrutínio permanente que ele nos exige. Chego lá através do blogue Pedro Santana Lopes: Pedro Santos Guerreiro, do Jornal de Negócios, escreve precisamente acerca da treta do "interesse nacional" esgrimido cinicamente pelo PM aquando da última mega-operação envolvendo a PT. As isenções fiscais de esse negócio entre os accionistas contrastam com o absoluto estrangulamento fiscal de indivíduos, famílias e empresas. O PM brinca com as pessoas, manipula as palavras num vil exercício de esquiva. No conjunto dos seus slogans, avulta a troça dos simples. Flagra-se como clamorosa mera treta publicitária que, no curto prazo, cala quaisquer observações. O Pedro explica em que medida o escândalo da dualidade fiscal rebenta com a escala do tolerável: «O que é revoltante é que a "golden share" tenha sido usada, em nome de dez milhões de portugueses tributados em benefício de meia dúzia de isentos, na mais-valia e nos dividendos. Aqui foi escrito vezes sem conta o embuste do alegado interesse nacional da "golden share". Nem só por ideologia, mas por ser um instrumento público usado em privilégio privado, os accionistas da PT. Não quisemos acreditar que o primeiro-ministro, que moveu montanhas por um negócio no Brasil, não levantasse um grão de areia pelos contribuintes portugueses. Mas o tempo passa, e areia só para os olhos. Interesse nacional? Nos últimos anos, o IVA subiu de 17% até 21%. O IRS tem um novo escalão e uma sobretaxa "temporária" (pois...), estando anunciada a limitação das deduções fiscais na saúde e educação, o que terá um impacto brutal em quem tem filhos. Interesse nacional? O IRC das empresas (sem BV...) sobe, há mais impostos especiais, mais taxas liberatórias sobre a poupança e mais-valias bolsistas. Interesse nacional? O código contributivo vai aumentar a carga para a Segurança Social, incluindo nos recibos verdes. Os funcionários públicos pagam mais na ADSE, há cortes sociais: nos subsídios de desemprego, nos abonos, nas pensões de reforma. Interesse nacional?!»
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