CRETINA CÚTIS

Amor Vincit OmniaCaravaggioGemäldegalerieBerlin.
Há dias em que a espécie humana nos afigura digna de razia. Seja pelo egoísmo tão atroz que desnivela sociedades, seja pela hipocrisia das amizades entre pessoas que nada se dizem e se repletam de indiferença ou secreto desprezo. A crise que prodigaliza a generosidade imprescindível do Banco Alimentar, também prodigaliza invejas, quezílias, e sobretudo um manto impressionante de frieza. Se há coisa que me impressiona aqui, Portugal, é a fantástica frieza, a extraordinária crispação na cútis geral. Em terra de secos, avaros, um sorriso não tem preço e uma dádiva é milagre. Talvez nem aqui sequer o Amor Vincit Omnia.

Comments

Anonymous said…
Gramo a sério Caravaggio. Usava ilegalmente espada (era um plebeu...), entrava frequentemente em rixas e duelos de bandidos de rua e ladrões, era um 'tenebrista'´brilhante e usava "modelos" pescados nas valetas. O Anjinho do quadro, de feições terrivelmente viciosas, é exemplo da fauna humana (afinal, apenas o que havia à mão...) que o pintor usava - e com a qual convivia. Também foi (pela prática) um dos pintores que melhor pintou o sangue a jorrar - de modo imperfeito, é certo, mas séculos antes da fotografia e do cinema. E tudo isto entre fugas aos esbirros papais e de outros 'Doges', e mecenas tirânicos. Vida difícil que coloca as joanas-vasconcelos-deste-mundo no seu devido lugar. Cumprimentos Joshua.

Ass.: Besta Imunda
João Amorim said…
De facto, não é de agora, mas a chamada "Crise" vem trazer à tona a percepção da insensibilidade. Os tempos não estão para subsídios mas para a caridade e o altruísmo, se é que ele ainda existe na "quantidade" necessária para socorrer a todos os que precisam.

abraço

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