PARTILHAR UMA PORRA
Em face da desigualdade que entretece a sociedade portuguesa [abismo na distribuição riqueza, desproporção dos sacrifícios pedidos, insulto nas excepções criadas, o número que alastra de esfomeados e encostados à parede] o desânimo em Portugal é já mexerico odioso e greve de zelo. Mais tarde, gerará fúrias desconhecidas. A psique dos comuns mortais portugueses ainda não percebeu na carne que dificuldades acrescidas lhe advirão em 2011, mas já percebeu que o statu quo instalado não pode moralizar nem exemplificar simbolicamente nada. Não pode, não quer nem sabe gerar qualquer espécie de federação de vontades: se se avolumam excepções aos cortes salariais, elas assassinam a unidade nacional em torno de um objectivo comum. Espere-se o pior. Pense-se na bina PM e PR, mas sobretudo no Primadonna Sócrates, que não governa, viaja: ele e todo o sistema abjecto que o segregou e o mantém, nunca se vergarão a nada, a nenhuma evidência, estão couraçados para rir do que soframos, para durar apesar de falharem e traírem os portugueses. Esse pessoal político sem pátria nem sensibilidade social, posto a mamar segundo a lógica clientelar do Governo-PS, não se vergará a nada, não se despojará do espólio tão dura e impunemente saqueado nas EPs, nas PPPs, nos cargos e assessorias, nas excepções que se atribui. A desastrosa execução orçamental de 2010 não os envergonhou, nem a pobreza mais filha da puta, que se entranha e alastra como um gelo sobre as famílias mais desvalidas e os mais frágeis dos frágeis — nada os demove de prosseguir iguais a si mesmos, urdindo excepções manhosas, imorais, devorando o Erário. Enquanto as suas benesses, sinecuras, reformas douradas, prebendas estiverem a salvo, toda a conversa hipócrita da partilha dos sacrifícios não passará da mais vil e ofensiva mentira. Mais uma, a somar a todas aquelas que nos trouxeram murchos, moles e enganados até aqui.
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Comments
preciso dum pouco de 'aquecimento global'
o outro está pela 'hora da morte'
Abraço do Zé