PÉROLAS PORCINAS
O texto de Llosa, proclamado no dia sete de Dezembro, na cerimónia de recebimento do Nobel da Literatura 2010, convidava a uma extraordinária e suculenta leitura de excertos no grande grupo. Com extrema expressividade, sublinhar-se-ia aqui e ali algumas ideias e por-se-ia em evidência o quanto a literatura nos reabilita e melhora como seres humanos livres, sedentos de absoluto; cada ideia convocaria outras ideias e apenas uns parágrafos bastariam para uma conclusão vivificadora e estimulante, na sala de aula. Porém, duas moças, felpudas de atrevimento e grosseiras de carácter, vieram escarrar naquele êxtase e defecar sobre aquele sublime, enunciando à partida indisponibilidade e desdenhando o desconhecido. Pérolas porcinas desprezando a pérola rara e humanizadora da literatura numa ânsia de estar zangadas. A bruteza alheia é o pior dos pesadelos e a estupidez obstinada o maior dos fantasmas confrontando e afrontando os que vivem apaixonados por livros e mergulhados na literatura.
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