Nada sei quanto a Portugal e à resiliência dos portugueses, ao lado fénix de se ser português, traído por políticos, rodeado de corrupção por todos os lados menos por um: o Céu. Sei que marcho dez quilómetros por dia a pé em direcção ao meu local de trabalho e de regresso, desde há três meses e gosto. Adoro esse despojamento, aliás. Sei que o frio que passei e passarei e a água que me ensopou e me ensopará de deram e darão prazer redobrado em estar vivo e poder contemplar mais longamente os rostos dos passantes assim como os róseos crepúsculos, róseas auroras e róseos ocasos. Sei que deixo o carro em casa e não me pesa a sua falta porque o tempo e o tom neste meu novo estar vivo têm outro sabor, bem outro, como uma inesperada espiritualidade próxima das pessoas e mística porque próxima de Deus igualmente, na humildade e na purificação interior. Sei que trabalho com alegria muito embora ganhe uma miséria que mal dá para um, quanto mais para os quatro que nos somos família. Sei que o rosto dos meus alunos, na harmonia da nossa empatia exigente e fraterna, vale por quinhentos mil despachos contraditórios da labiríntica babel chamada Ministério da Educação e pode-se ser feliz centrados no essencial que é viver para eles e dar-lhes tudo, fazer de tudo, por que o básico e indelével lhes fique para a vida como um farol de ousadias e bom gosto. Nada sei quanto a Portugal, mas sei que gosto de Marcelo, que fez anos ontem, parabéns. Também sei que acredito nele para além de todos os ziguezagues e volubilidades de opinar. Faz-nos humanos o cerne fraterno e a razão errática, sempre insatisfeita, na empresa de volver cada qual à sua Ítaca.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53

1 comentário:
os portugueses andam dispersos pelo mundo e perdidos no rectângulo.
o 25.iv descobriu o regresso do caminho maritimo para a India,
mas não o retorno a Ìtaca depois da sua Odisseia porque esta continuará ad aeternam.
a minha magra reforma ainda serve de auxílio a outros mais necessitados. isto está uma miséria. a pior que conheci em quase 80 anos.
Marcelo é o único comentador. uns gajos que por aí andam são tipo mulher a dias pagos à peça com recibo verde.
o 'pritibói' anda cada dia mais ET
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