quinta-feira, abril 29, 2010

ZARALHICE GABRIELINA

À parte o atabalhoamento na postagem do Gabriel Silva, ter razão não é ter moral pelo menos à luz do princípio da solidariedade e da subsidiariedade no espaço dos 27. Para que serviram anos e anos de FEDER e FEOGA, só para dar dois exemplos?!

PEC OU EM ESTADO DE SEVÍCIA

A sensação de imoralidade e de escândalo grassa na sociedade portuguesa por causa das prioridades assumidas pelo Governo sob a transigente cumplicidade da mais recente fotogénica Oposição corporizada no PSD. Começar pela proposta aos parceiros sociais da redução do subsídio de desemprego, limitando o máximo a 75% do valor líquido da remuneração de referência pode ser mais uma estocada nas famílias já depauperadas. Sem outros sinais de justiça e justeza perante quem mais folga e mais ganha na nossa sociedade, que consequências na psique nacional?! A ofensiva do poder político é, antes de mais, conceptual e verbaliza-se no preconceito estigmatizante sobre quem aufere de subsídios de desemprego. Soa muito cretino, num País de absolutíssima precariedade e nulo emprego, falar em «tornar menos atractivo viver à custa do Orçamento». Que se moralize o sistema e se combatam abusos nesse âmbito, nada contra. Mas continuam a ser sempre os mesmos a alombar com cortes e a penar as mesmas penúrias. Por que se não recua de esta tralha perdulária? Há sinais urgentes a dar de que a contenção e morigeração dos gastos é mesmo para todos. Não é isso que acontece. A gestão da frota de carros topo de gama atribuídos a titulares de cargos públicos tem sido exemplarmente obscena, para não dizer criminosa (tão longe do exemplo exagerado dado por Lech Kaczynski com a velha frota de aviões do Estado Polaco). Criminosa e obscena no Estado, nas autarquias e nas empresas públicas. O Estado pretende continuar a gastar como habitualmente, quer continuar a ignorar imoralidades entre a clientela insaciável e isso gera revolta nos cidadãos, incita à pior das greves, que é a greve de zelo, coisa que ocorre sempre que as medidas não são justas, não são abrangentes, nem inspiram confiança nem estimulam ao esforço. O PEC ainda nem sequer começou a fornicar com o português, mas o português já as sente todas lá dentro, sevícias com um rabo de porco anal-introduzido e suas cerdas-farpão. Aumento de Impostos? Castração geral? Pode conceber-se que esta gente governamentalesca estivesse a leste dos factos a pretexto dos quais agora nos agride e esmaga?!

quarta-feira, abril 28, 2010

PEDRO E JOSÉ FAZEM AMOR

O caloroso encontro entre Sócrates e Passos Coelho representa o Regime de calças na mão, expondo a sua nudez aflitiva. Representa também uma declaração surda de interesses comuns. Vai na mesma linha do enamoramento ocorrido entre Jardim e Sócrates, exemplares no armistício aos golpes baixos e à longa série de ofensivas verbais ou administrativas, imediatamente após a tragédia na Madeira. Estranhamente, no Portugal da decisão política, o amor cooperativo interpartidário só acontece in extremis. Simplesmente, in extremis pode ser extremo de mais. Após facadas fatais da Natureza ou na decorrência de graves ofensivas especulativas contra a dívida portuguesa provindas do exterior, a conversa fiada governamental e o silêncio ocultador socialista dão lugar à sofreguidão cooperativa com o outro partido regimental. Ontem o apelo lancinante de Teixeira dos Santos à válvula-bóia PSD. Hoje, sem mais delongas, Passos Coelho e Sócrates a fazer amor, sorrindo-se, beijocando-se, numa cumplicidade namorada do ponto de vista político. Todos querem parecer mais cooperativos que os outros, os mais abertos e sensíveis a um tipo de pluralismo participativo moderno até aqui posto na prateleira em favor da visão predestinada de um só cromo visionário eticamente estrábico. Como se nada fossem quaisquer guerras passadas, as palavras agora são bem diversas e bem claras. Trabalhar em conjunto. Cooperar: «...o PSD e o Governo decidiram trabalhar em conjunto para responder à situação de crise internacional e de “ataque especulativo” ao euro e à dívida soberana portuguesa.» Fantástico! Usurpadores e donos do Regime, os partidos da avidez mais depudorada sobre o aparelho de Estado, em 36 anos, farão agora todo o possível por salvar o seu modo de vida, tendo em conta que objectivamente o País nunca esteve em primeiro lugar. Se tivesse estado, nunca afundaríamos neste abismo. 

FUGAZ SIMULACRO DE REAL

Lembro-me como, a par da obstinada solidão a que ele se votava, caracterizava-o um hábito particularmente excêntrico, talvez autista, que era um infinitivo escrever enrolado sobre si. Sim, nesse tempo, os outros reuniam, fraternizavam, cooperavam no rancor ou na benignidade, eram corpo. Ele, pelo contrário, seccionava-se dos demais. Imiscível com gente, remetia-se a uma espécie de ruminância emparedada a papel e a tinta. Escorriam-lhe da mão as palavras-entes como voo, único consolo ao seu cansaço tão aflitivo. A sua natureza livre em extremo perigava sem essa liberdade habitual de mendigo milionário de si, accionista maioritário das mais valias repletas de sonho vogando por aí. Estava demasiado afeito à extrema liberdade interior para suportar o mundo-minuta envolvente dos homens, mundo anotado e superficial, fugaz simulacro de real quando comparado com o seu perene planeta interior absorto.

terça-feira, abril 27, 2010

LUSA BLACK TUESDAY

O nosso black-negrume económico acontece ou agudiza-se quando as agências de rating quiserem, infelizmente. Pode toda a gente assobiar para o lado e para o ar, enquanto ontem a Standard & Poor's procedeu ao corte do rating da dívida pública portuguesa. Subsistem, porém, ainda algumas vozes de Cassandra diante de uma indolência ignara mais ou menos geral sob o nosso célebre céu azul ferrete. Vai doer e eventualmente tirar-se-á algum bem do mal que sobre nós impende: «Mas nunca ninguém se esqueça do que foi um governo socialista.» Carlos Santos

DO RUINOSO

Canas é simplesmente Canas e MFL também: «Perante a insistência de Vitalino Canas para apresentar "factos", a deputada chamou a atenção para dois: "Ninguém foi demitido e é impensável que uma empresa em que o Estado possui uma golden share leve um negócio tão longe sem avisar previamente o primeiro-ministro e o ministro das Obras Públicas." E, mais tarde, voltou a sustentar as suas afirmações dizendo que Sócrates tentou resguardar a sua "imagem pessoal" ao vetar o negócio. "O veto é um tratado daquilo que não pode ser feito: invocar a imagem pessoal para vetar um negócio que poderia ser bom para a empresa. Foi uma decisão absolutamente grave do ponto de vista nacional."»

FAXES DO INFERNO

É evidente que o mundo conspira contra os fracos. Certos economistas prestigiados fazem fretes aos apostadores-especuladores internacionais, apontando o dedo a Portugal e a outros, fazendo com que os olhares mais vorazes e impiedosos varem o nosso País tal como outrora o Castelhano nos cobiçava esta esplanada voltada para Atlântico aprazível, à borda do qual nenhuma aspereza térmica há que se não suavize, enquanto nos abranda e embala. Mas factos são factos: dói que os juros da dívida portuguesa disparem para máximos de Março de 2001, com o “Spread” a caminho dos 250 pontos base; macera que a Bolsa nacional caia mais de 2% com cinco cotadas em mínimos de mais de um ano ou que o agravamento dos juros leve bancos a perderem, coitados, 1,2 mil milhões numa semana ou que a greve grasse pelo País, sem cheiro a brincadeira, quando comboios param quase inteiramente e autocarros garantem serviços mínimos, originando um trânsito ainda mais congestionado nos acessos a Lisboa e Porto. Finalmente, a novela comissional continua e de esta vez é Carlos Barbosa, na CIPT/TVI, a asseverar que Rui Pedro Soares não tinha “aptidões”, mas teve “padrinhos”.

RUI PEANUTS SOARES

Rui Pedro Soares é o Regime e o Regime é Rui Pedro Soares: “Nada se passa na PT sem que haja o beneplácito do Estado e do BES para grandes estratégias e nomeações.” Sim, sim, mas Rui Pedro Soares, para todos os efeitos, não passa de peanuts. Dos corrupto-tubarões e tubarões-padrinho, grandes semeadores e colectores de favorecimentos-mil, de esses é que não se fala o suficiente ou só demasiado a medo.

segunda-feira, abril 26, 2010

36 ANOS TRAÍDOS

Décadas de medo amordaçado acabaram, em 1974. Começaram trinta e seis anos de saque ao erário público, de ignorância, alienação, alheamento populares a par de uma lúcida e reiterada corrupção política. Estamos por isso globalmente mais pobres, o crescimento é nulo, a bancarrota assoma e ameaça-nos como dentes-sabre de uma besta por fechar sobre carne tenra. Há uma clara tirania medíocre em Portugal. Subtil na perfídia. Sub-reptícia no esbulho, a lembrar-nos todos os dias a nossa impotência popular perante quem realmente manda ou realmente usurpa de todos nós esse mando abusivo. Plutocracia não é democracia. Quando chamam a isto democracia, insultam o conceito. Numa democracia, um monte de esterco corrupto, por suspeitas ou por factos, não fica nem mais um dia sentado na cadeira decisória do Poder. Por cá, ainda tem mais razão. Sorri em público. Inaugura, com fervor. Discursa, moralóide. Foi para chegar a esta triste impunocracia que se fez o vinte e cinco de Abril?!

sábado, abril 24, 2010

NAS BORDAS DO 25

Às vezes, para me recordar de consistentes razões de raiva, penso só um pouquinho em Mário Soares. Enraivece-me que o velhinho bochechudo já não se indigne. Perdida a erecção do indignar-se, não há viagra ético que lhe valha. Não se indigna o aprendiz de mafioso benigno, porque português, com Bettino Craxi, biombo de corrupção, ventila-se. Não se indigna o especialista em cosa nostra maçónica nacional e bispo de essa igreja laica e sôfrega que é um certo Partido Socialista (há ali evidentemente gente honrada e recta). Não se indigna o sumo artífice de múltiplas tretas de liberdade dita só para inglês ver e português empobrecido cheirar. Pois é um crime que Soares nem por uma vez se indigne com o Primadonna. Com o estado a que isto chegou. Com o drama que por aqui vai, uma vez que isso de não haver vida para além do défice veio para ficar. Por que não pergunta ao Primadonna quantos Figos, cartazes e outras representações luxuosas foram necessárias para cavar e esconder o abismo do nosso défice?! Por que não pergunta a que obscenidades-financiamento foi preciso recorrer apenas para se re-alcandorar ao Poder?! 

LUTA EM PNEUS TIR

Toda a gente normal sente isto: que sob o cutelo de cortes, perdas de direitos, de rendimentos, sob franca perseguição fiscal, por mais que proteste, se indigne, faça greve, organize ajuntamentos, se mobilize, nunca resulta sensibilizar este Governo, qualquer Governo, para que retroceda do esbulho. Há muito não são as pessoas comuns a eleger os seus governantes. Há muito os governantes não estão ao serviço leal e efectivo das pessoas. São os poderes reais instituídos, do dinheiro e do acesso aos media, que elegem, põem e dispõem. Votar é um folclore minoritário. A falta de respeito por quem vota constitui suma cultura dos eleitos. Os poderes por detrás é que conduzem o gado nacional, o iludem e lhe exploram as tripas. Tais poderes garantem reeleições a quem os sirva com medidas e políticas favoráveis. São sempre os mesmos estômagos. Pense-se nos escritórios de advogados aos quais, por pareceres inúteis, para encher e fazer de conta, o Estado-PS paga milhões. Pense-se nas PPPs com sistemático prejuízo que depois pagamos na íntegra, pagando prémios de uma gestão-boa-merda. Pense-se na classe à parte a qual, por lamber cus, senta o lasso cu no histriónico Parlamento para exorbitar e nos atirar a factura, escarrando na sorte e situação de milhões. Pense-se em toda a família política que é posta a mamar nas velhas oportunidades, coisa em que muito relutantemente se quer mexer ao passo que a mexer connosco se apressam, num galope. Pois bem, há pelo menos uns senhores aí de novo para fazer o que só eles sabem e podem. O tamanho conta. A capacidade negocial também. Um dia, seremos mais fortes. Unir-nos-emos como consumidores, cidadãos e contribuintes. Determinaremos, unidos, boicotar quem nos explore, penalizar quem nos engane. Se formos milhões a dizer não a um chupa-chupa, ou a fábrica fecha ou encontra uma saída criativa, amorosa, para nos apaziguar a indignação justa. Seccionados por classes, por interesses, estamos condenados a ser escravos no já vil e apagado século XXI português. 

A UM CÃO COMPASSIVO

Ia atropelando o bichinho, um canídeo de médio porte, castanho-branco, sem raça, que ao fim de esta manhã atravessava-zebra da Junta da Freguesia para o Centro de Saúde e o fazia como algumas pessoas: pé na passadeira, alguns passos atabalhoados em frente, antes de curar se vem carro. Vinha eu dentro do meu, numa velocidade civilizada, coisa que pode sempre ser insuficiente. Sem contradição nem paradoxo, travei, abrandando. Após um pequeno susto de quem estava apenas imerso nos seus pensamentos profundos, o cãozito prosseguiu o seu caminho. Mas foi então que eu vi aqueles olhos castanho claros, bem claros e meigos, tão esperáveis porém tão escassos em gente. Vi aquela meiguice natural. Ao aperceber-se do vulto que avançava sobre si, ele volteou o focinho na minha direcção, num gesto reflexo, instintivo, mas sem fitar, sem atentar verdadeiramente em mim, na minha lata com rodas crescendo para ele. E expôs aquele olhar divino. Tinha ele um ar misericordioso e manso, o cãozinho. Há séculos que procuro um olhar assim, misericordioso e manso, capaz de degelar o meu coração e me reverter ao modo criança abandonada às mãos amantes de um Deus. Juro que se escrevo sobre esse canito anónimo, que hoje eu poderia ter ferido sem qualquer culpa, é porque não é fácil encontrar compaixão incondicional entre os seres humanos. Qualquer grãozito dela, mesmo partindo de um bicho, parece que nos salva o dia.

SIM, "RESERBADO"

Uns acham alguma piada e atiram-se a outros que não encontram piada nenhuma e infligem, aliás, uma leitura imprecatória mais bairrista e ultrarressentida. Eu já não sei. Publicidade é publicidade e funciona hoje numa perspectiva masturbatória. Disse-o e repito: quanto mais blogues, políticos, interesses, poderes, se encontram lá em cima na vida, a fazer vida, pela vida, entregues à vida, mais se masturbam e prostituem entre si. Os excluídos e esmagados estão fora. Os apertos do tempo e a fome que alastra assassinam parte da nossa tolerância, parte do nosso bom humor e amputa mesmo os hoje justificadíssimos ressentimentos regionalistas mais a Norte ou no extremo Sul. Um povo de acuados, a contar os trocos, não deveria ter tusa por futebol nem grande vontade de rir. Aliás, porque isto não é nenhuma Dinamarca, não tem! Enfim, porque a loiça das Caldas teve um precursor milenar, dedico o supra vaso greco-itifallico exposto no Museo di Spina, em Ferrara, aos autores "enravados" do "Reserbado" colocado por uns minutos no jardim da Rotunda da Boavista. 

NORTE ENCORNADO DE SCUT

O Norte está economicamente doente, ferido de morte. O Norte tem o azar de não ser Lisboa nem ser o Vale do Tejo, a próspera e fértil Santarém ou o promissor Alentejo verdejante desperdiçado. Fiscalidade devastadora e crédito caro eis dois lastros que condenam e estrangulam o Norte. Bater em Valença, fechar SAPs ali, é fácil porque fica muito longe de Lisboa e Lisboa prevalece über alles und alle dinge. Demografia equilave a mais votos ou menos votos. Quando é menos votos, o estratego político, protector das clientelas e do statu quo corruptivo, diz: «Que se fodam!» Impor o pagamento das SCUT a Norte é fácil porque o Norte gosta particularmente de Sócrates, Pinto da Costa, Valentim, vota entusiasticamente nestes, tirando um que não vai a votos, e só acorda no fim do acto quando descobre que afinal o coito sem sentido era forçado, apenas parecia consentido. Nem pensar em perturbar os que circulam na Via do Infante, no Algarve, repleta de ingleses, alemães, holandeses, imigrantes russos, ucranianos, africanos, brasileiros, com uns poucos de tugas emigrantes en France e nos mais diversos Cus de Judas do Planeta, e ainda menos gente local, rara, rareando cada vez miséria mais! Queriam coragem? Têm-na à moda do Primadonna. Sobre o gasganete de quem não pode economicamente com um gato pelo rabo.

sexta-feira, abril 23, 2010

ESCALADA DO DESCALABRO

Ontem Portugal apresentava uma probabilidade de incumprimento de crédito de 21,05%, ultrapassando a Letónia, e tornando-se no 9.º país com maior risco de bancarrota do mundo. A bancarrota, se e quando vier, poderá mandar pela cloaca da História o Regime, a Partidocracia, essas vacas-sagradas-Gestores Público-Privados pagos em correlação com a boa merda em que nos meteram e pela qual regredimos desde há trinta e cinco anos. Esta República Corrupta exige autodissolução e a emergência de uma outra República Regenerada sob um Rei Livre que bata o pé aos novos poderes anónimo-imperiais deglutidores de Nações e que resista à imoralidade global anarco-capitalista, trucidadora de povos, esmagadora de Países. Nos políticos, o afã por reeleição mata os imperativos da Hora. Cavaco todo se castraria pela reeleição porque todo se prostra para não hostilizar o Fedor Amoral que o socratismo exala. Por Hércules que o fito na reeleição prostitui os políticos portugueses à leviandade! Aliás por mil caralhos clientelares emaranhados no Estado com a tenacidade e a latose de mil Lellos-ténia!

quinta-feira, abril 22, 2010

LELLO, IL POVERELLO

Inês passa a sair-nos cara e a sua nova situação de mobilidade excêntrica, paga pelo depauperado erário público já bem devastado pela sofreguidão socialista pré e pós-eleitoral, abre um precedente tão perigoso como esquisito, logo num tempo esfaimado e torpe, pese embora o esforço mediático logo posto em terreno de fazer equivaler Paris à Madeira no preço do voo e na decorrente justificação para ser comparticipado. Lello, essa velha ténia regimental, com o seu inqualificável voto de qualidade, denigre a política, enxovalha os políticos, enlameia o PS, escarra no Regime, até à suprema náusea. Marcha natural que essa gente à parte defeque habitualmente sobre as nossas cabeças a partir da coutada partidária de interesses e respectivo impudor. Lello, o fabuloso omnimultitachívoro, não pára de surpreender! O que o separe de Alegre une-nos mais estreitamente ao Dalai Lama ou ao Tony Carreira! De igual modo, Gama e o CDS-PP também sujaram tacitamente a Câmara Parlamentaresca. Cheira, portanto, mal. Muito mal! Mas eles gostam. 

quarta-feira, abril 21, 2010

FALOMAQUIA

Triste reconhecer como a pudibundice de cientistas, arqueólogos e historiadores tem sonegado uma noção integral sobre o homem da antiguidade, interferindo com a verdade acerca dele. A arte do falo, sucedâneo de madeira ou pedra, quanto ao seu manejo não poupou civilizações: desde sempre a espécie se masturbou. Por exemplo, os antigos egípcios afinal eram bastante libertos intramuros. 

segunda-feira, abril 19, 2010

4 ANOS


A todos os leitores, amigos e indiferentes, cumpre-me comunicar este facto digno de registo e celebração pessoal: o meu PALAVROSSAVRVS REX faz hoje quatro anos. Obrigado a todos porque todos, quer benevolentes e francos amigos, quer detractores e insultuosos, à sua maneira impulsionam-me em frente.

A VASELINA DA NEGAÇÃO

Simon Johnson foi o último economista atrevido com a situação portuguesa a ser seviciado pelo azedume do Governo português, já habituado a dar caça e retaliação a qualquer opinião contrária e hostil aos frutos e visionarismo do monólito Sócrates. Em estado de negação? Quem? O Governo português? É graças a essa vaselina negacionista e ao método Mohammed Saeed al-Sahhaf que tal Governo se mantém. Não é por acaso que todos os partidos o querem lá, mesmo o Presidente da República, para limpar as mãos à parede. Não sei o que passou pela cabeça de Simon para se meter com o Governo português. Isto aqui não é permeável a nada nem às célebres análises do seu antigo blogue "The Baseline Scenario". Por cá "O golpe de Estado silencioso" não pode ser sequer mencionado como "golpe" nem como "silencioso" e muito menos como "de Estado". Sim, também temos qualquer coisa como "13 Bankers" a galar a situação, mas também não é para dizê-lo em voz alta nem para escrevê-lo opinativamente sem autorização. O economista em vez de focar a difícil situação grega e europeia ou falar realisticamente de Portugal, deveria consultar primeiro o Governo português e a sua informação privilegiada e pedir-lhe permissão para pensar e dizer. Isto por cá não é a panmixia da mãe Joana. Já aqui demos conta do que subscreveu Simon na edição "on-line" do "New York Times": uma dura avaliação à situação nacional. Segundo ele, depois da Grécia, Portugal poderia bem ser o "o próximo problema global". Fernando Teixeira dos Santos, já cotado como o pior ministro das finanças da Europa, não gostou e apodou essa avaliação como "disparates" que revelam "ignorância" sobre a economia nacional e a moeda única. Com quem Simon Johnson se foi meter! Nunca mais terá sossego. Provavelmente terá a desagradável surpresa de lhe acordar ao lado, em L.A., nada mais nada menos que o Primadonna para lhe explicar melhor as virtudes e virtualidades do Governo português e da economia portuguesa, numa apresentação em PowerPoint e direito a cachet.

domingo, abril 18, 2010

COMPLACENTE SANTANA

O armistício político ao carácter, atitudes e decisões políticas de Sócrates contagiou Santana Lopes. Sócrates nunca teve um pingo de respeito por Santana e isso pôde verificar-se sem excepção, no Parlamento ou noutras circunstâncias sempre que recorreu a bodes expiatórios. Santana, pelo contrário, passos-coelhiza-se, isto é, prefere hostilizar Louçã com o seu adjectivo sexual, ou pelo menos encornante, "manso", poupando a hedionda pesporrência primo-ministerial. Sintomático esse alastrar de contemporização com o Primadonna. Sócrates não tinha por que se empertigaitar. Graças a ele, somos todos "cornos mansos". Todo o Povo. Todo o eleitorado. Tanta complacência com um símbolo vivo da decadência portuguesa, da rasura Ética, do caos-Babel justiciário e económico, construído na abolição de quaisquer escrúpulos, é somente o Regime a segurar as calças. 

A NAÇÃO E A NOÇÃO

Favas. A Académica, coitada, já entrou derrotada, apesar de combativa. Com esta vitória, o Benfica deixa o FC Porto matematicamente afastado do título e coloca-se em posição de até poder festejar o triunfo no campeonato já na próxima jornada, caso, por um lado, vença o Olhanense e, por outro, o Sporting de Braga não ganhe em casa da Naval. Mais uma noite de azia azul. Minha. Nossa. Toda a gente tem bem a noção do que se vai passar com o Braga e que raio de Bimby Sistémica nos trouxe até a este desenlace. Favas! 

NO OCASO DO CANGAÇO

Escondido no sertão do Ceará, Pedro Januário de Lima conta a sua história de cangaço nas caatingas do Rio Grande do Norte: «Muito cabra da peste já ficou estirado pelas moitas, mas eu continuo vivo». Pedro tem vários buracos de bala pelo corpo e um lado da bochecha atrofiado pelos tiroteios que já enfrentou. Atira com as duas mãos, tem boa vista e não conversa muito com ninguém: «Só termino minha história quando buscar o camarada que matou meu irmão, no Rio Grande do Norte. Os dias dêle ’tão contados, graças ao meu São Benedito.» Pedro Januário soletrava os dez mandamentos para matar. Misturava o rosário com o gatilho, mas não era um assassino profissional. Vamos vê-lo aqui, ao longo de sua história de pólvora e peixeira, na base da fala mansa e fria. Suas costas parecem até uma cartucheira, de tantas marcas de bala. No canto direito da bôca uma 38 lhe rasgou parte da bochecha, até quase a ponta da orelha. Vai mostrando as cicatrizes e, para cada uma, tem a narrativa matuta de cabra macho. Era festa no Riacho Fundo, pedaço de sertão conflitado. Pedro Januário, nos confins de 1940, montado num cavalo fogoso chegava e apeava de peito pra frente. As cabrochas gostavam do seu tipo de rei, cabra da peste respeitado.
LKJ
JAGUNÇO BOA PINTA
POI
Espichado numa rêde armada na sala da sua casa, na praça principal de Limoeiro do Norte, sertão sêco do Ceará, reafirma: «Eu nunca dei um passo atrás pra homem nenhum. Se a conversa fôr de calma, será de calma. Se fôr de bala, será de bala. De peixeira, tanto faz.» Balançou um pouco até atingir a porta de entrada e deu uma cusparada para o meio da rua. Coçou o queixo, já meio ralo, chamou Maria do Socorro, uma das suas cinco filhas, para esfregar-lhe as costas. O sol estava de rachar. Eram 2 horas da tarde e êle não largava o copo. «Acho bom matar o bicho (beber cachaça), quando me lembro dos meus tempos de cangaço.» Pedro Januário de Lima, hoje com 47 anos no costado, nasceu em São Miguel, Rio Grande do Norte. As andanças pelas caatingas quase não lhe afetaram a aparência, e sua estatura, um pouco baixa, de nada implica. É forte, tem boa vista e atira com as duas mãos. «Eu já fui buscar cabeça de calango verde a quase dez metros de distância. No tempo da minha mocidade, entre 25 e 28 anos, quando não pensava em família, em nada, montava meu cavalo, Gato Prêto, completamente arriado, com um 38 na cintura, cartucheira de 36 balas, 44 escondido debaixo da sela, e me largava atrás de um forrobodó, a parada era dura.» Pedro, ao contar, bate as pestanas e torce os dedos num sintoma de satisfação, relembrando os tempos em que deixou alguns cabras crivados pelas estradas estorricadas do sertão do Rio Grande do Norte: «Em tôda parte que eu ia, a cabrocha mais bonita tinha que ficar comigo, pois do contrário até ela entrava na peia. Pelo lado dos homens, duvido que algum inchasse pra mim; só ficavam espiando. Depois, com pena da rapaziada, comprava uma garrafa de cachaça e deixava com êles. Agora aqui no Limoeiro, vivo da minha tranqüilidade, com minha mulher e meus filhos.»
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DIA DE VIDA OU MORTE
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Para os lados de Areia Branca, interior do Rio Grande do Norte, quando Pedro tinha 27 anos, Rosa da Joana, môça bonita das pernas grossas e cabelos longos, andava meio apaixonada pelo “Rei da Capoeiras”, como era conhecido. Com aquela arrogância de cabra macho, cismou um dia e anunciou que ia carregar Rosa, de qualquer jeito. Gato Prêto estava amarrado debaixo de um pé de oiticica, onde Pedro costumava deixar os bilhetes para a Rosinha. Não pensou duas vêzes. Vestiu a calça de linho branco e uma camisa azul clara de chitão. O chapéu de abas largas não podia faltar. O cigarro BB estava no bôlso, do lado esquerdo. A tarde morria lá para as quebradas do Dendé. Rodava o tambor do seu 38. Roubar Rosa da Joana seria a missão. Ela tinha um cabra doidinho por seu coração. Pedro Januário não gostava nem de ouvir falar nisso. Era um dia de vida ou morte. Às quatro da tarde, partiu, com revólver, peixeira e fuzil. Duas léguas e meia até a porteira da fazenda Girassol, onde morava o seu amor. O boato já estava espalhado. Com a matutada na espreita, Pedro, cheio de coragem, encostou Gato Prêto na porteira, agachou-se com cuidado, para não sujar o linho branco e brilhoso da sua calça, e foi em direção à casa de Rosinha. Antes, teria que enfrentar mata de cajueiros, um riachinho fino e pequena camada de mata-pasto. Mas nada disso importava. Ela tinha as pernas grossas e sabia ninar gente grande. Era tudo para o “Rei das Capoeiras”. A primeira recepção foi um tiro, que pegou na barriga e foi sair lá atrás, pelas costelas. Na hora, Pedro praguejou: «Ah desgraçada. Tô baleado, mas vou aí nem que seja engatinhando.» E foi mesmo. Fulminou uns pestes que estavam de tocaia na Girassol, levou Rosinha e com ela viveu pequena temporada. E esclarece por que a deixou. «A muié tava ficando muito sapeca. Tive que lhe dar uma surra e nunca mais a gente se encontrou.»
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O JUMENTO COICEIRO
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No Limoeiro do Norte, Pedro é um homem de paz. Sua espôsa, Francisca Alves de Lima, é seu braço-direito no bar e restaurante de sua propriedade. Êle adora as filhas Maria das Graças, Regina de Lima, Francisca Edson, Maria de Fátima e Maria do Socorro. Quando a situação está boa, o jagunço arma as suas arapucas sob as carnaubeiras ou perto dos cardeiros para pegar canários. Êsse tipo de pássaro significa tudo na sua vida. Brigas às tardes de sábado ou pelas manhãs de domingo. Tudo seu é bem limpo. Em 10 minutos, sem camisa e com os pêlos do tórax embranquecidos, desmonta seus revólveres e faz uma limpeza geral em tudo. Conversa pouco e grosso. Há 25 anos, Pedro Januário era dono de um bar, em São Miguel, Rio Grande do Norte. Dali, seguiu para a Bahia. Andou comerciando por Juàzeiro e Feira de Santana. Voltou ao Rio Grande do Norte, já casado. Mesmo assim, ainda era valente e disposto. Montava burro brabo, selava carneiros e derrubava bezerro a pulso. Pelo pescoço ou pelo rabo. Tinha um jumento braiador, que deu um coice num velho, seu amigo, quebrando-lhe a perna. Não conversou, pegou o fuzil, encostou na cabeça do animal e, só com um tiro, liquidou-o: «Hoje, só quero graça com meus canários. Êles, minha mulher e minhas filhas.» Sentando no seu restaurante, bebia uma cachaça amarelinha, de fabricação caseira.
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ÚLTIMA VINGANÇA
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«Essa história de turma para matar não adianta. Lampião tinha a dêle. Sempre andei só, com Deus. Enquanto tivesse bala na minha cartucheira não queria graça com ninguém.» Na sua vida pacata, o velho Pedro está lá palitando os dentes numa sombra de oiticica. Sempre ao lado de velhas figuras dos sertões sofridos. Homens que trazem na face o ódio e a paixão, o sofrimento e a bondade. Cada um com uma história diferente para contar. Quem sabe, outros Pedros que preferem deixar o tempo matar as suas aventuras. O ex-“Rei das Capoeiras” também prefere esquecer os episódios vividos em meio ao caatingal. Só não apaga da lembrança que o seu irmão foi morto e o criminoso está sôlto. Ainda não se conformou: «Vou ver se faço minhas filhas estudar mais para depois dar uma voltinha lá pelo Rio Grande do Norte. Estou disposto a vingar meu irmão e depois disso, me aposentar de tudo.» Fêz um riso sério virou as costas e foi-se embora. O Cruzeiro - 15 de setembro de 1970.

TOMÉ

Foi inspirador ler algumas das reflexões teológicas no blogue Iktuslogos levado às costas pelo Fernando Mota. Reparo nas suas palavras. Suspendo-me da iconografia seleccionada. Extasio-me com ela, aliás. Meteria, como Tomé, a minha mão nas chagas abertas do meu Senhor Glorioso, não porque anteriormente tivesse duvidado (pertenço à estirpe daqueles que acreditaram sem terem visto) mas porque o Tacto e o Contacto são a aspiração suprema daquele que Crê, por isso Arrisca, por isso Ama. Ter Fé é tomar posse do Corpo Comungado e do Corpus total anunciado e acreditado: creio na Ressurreição da Carne! Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica e na convergência basista, essencial, dos crentes em Cristo. Creio na obra espiritualizadora do Cosmos pelo contágio potentíssimo de Cristo Pantocrator. Se a Europa não voltar a si, voltando ao seu Inspirador e Senhor, não será senão sal calcado, isto é, Nada. Já vai sendo coisa nenhuma.

EUGÊNIO GIOVENARDI E OS MORROMOTOS

«O Brasil está deitado eternamente em berço esplêndido sobre uma placa geológica firme, infensa aos movimentos tectônicos, dizem os sismólogos. Não sofremos com terremotos. O Brasil só tem morromotos. Nossos morros são frágeis e sensíveis, não aguentam maus tratos por muito tempo.Contam-se mais de 250 deslizamentos de morros no Rio de Janeiro, em Niteroi, em Salvador, em Santa Catarina. Não bastassem os morromotos, a montanha de lixo, sobre a qual se instalou a nova classe média, veio abaixo. As pedras que sustentam o Cristo do Corcovado nunca foram consultadas e ameaçam desprender-se. Nossas cidades, inclusive Brasília, estão superpovoadas. A população avança pelas clareiras ainda disponíveis. Incrusta-se nos morros, desloca pedras, abre fendas, desnuda o solo. Nem a natureza, nem os administradores têm capacidade para acomodar uma superpupulação nas bordas de uma cidade.» Eugênio Giovenardi, O Observador

MALQUERENÇA

Ela inquiriu pela irmã mais velha. Humorado, porventura ébrio, portanto ainda mais lúcido, um dos adultos circunstantes respondeu soltando a frase álacre de que se calhar teria de procurá-la de quarto em quarto. Fora perfeitamente inocente a alusão aos quartos. Uma brincadeira vocal, social, com uma desconhecida imensamente jovem e afinal imensamente puritana. Sim porque a moça enfiou. Fechou o rosto. Era bela. Magra. Atraente. «É a minha irmã!», atirou impiedosa e fuzilando a todos em derredor. Debalde explicar-lhe a inocência e leveza de tudo aquilo, a alta consideração que todos tinham pela sua irmã. Agarrara-se à interpretada ofensa como náufrago a restolho. Irredutível. Toda a puritana esconde uma aspiração devassa vulcânica e insaciável. A falta de um homem enegrece muitos corações fêmeos ocasionalmente vazios. Não perdoou. E foi assim que se acendeu a labareda da desconfiança, do desconforto e da malquerença.

DA VENALIDADE

«A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, cousas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, cousas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? Não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro homem anémico? E o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao carácter, à porção moral do homem? Demonstrando assim o princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente.» A Igreja do Diabo, Machado de Assis

EYJAFJALLAJÖKULL

Cheira a uma espécie de fim, desaparecimento do Sol, bloqueio do Ocidente, com custos altíssimos a derrubar economias ao emperrar a mobilidade normal de um mundo mal-habituado e com tentações desigualitárias profundas. Coloquemos os olhinhos no alcance da erupção em decurso do Eyjafjallajökull, meditemos na nossa potente impotência e estrondosa mortalidade. Aquela pluma de negrume carregada de cinzas geradas pela erupção que se distende para sudeste pelo Atlântico desde a Islândia (em cima à esquerda) até às Shetlands (a meio da foto à direita) por quanto tempo mais se prolongará? Terá a Velha Europa, o Hemisfério Norte, sequer um mínimo de Verão, na verdade, cada vez mais arredio? Talvez glaciar escuridão! Talvez nada mais que gélida escuridão e apagamento! 

EMÍDIO, O BADAMECO

Dissimulando muito o sonho de ter sido ele a vender-nos um Primeiro-Ministro como se fossem sabonetes, Emídio Rangel diz a Santana Lopes que defende Sócrates porque «nunca viu um Primeiro-Ministro ser tão violentamente atacado por medíocres, cobardes, vermes, comprados para a tarefa de o aniquilar nos jornais» e porque «nenhum Primeiro-Ministro no mundo, alguma vez, se sujeitou a tantos vexames, sem nunca mudar de caminho, sem nunca retaliar, sem nunca usar o seu poder para calar, acima de tudo, sem ceder à tentação de mandar tudo às urtigas e ir de férias». Eu não sei que planos e sonhos tem Emídio Rangel ou que lentes opacas usa, mas vejo e penso exactamente ao contrário. O Poder, a teta inigualável do Poder, é absolutamente tudo para Sócrates e para os socratinos. O apego cego ao Poder e a falta de vergonha são ali cultura suprema e intocável. Nunca vi um Primeiro-Ministro tão agressivo e insultuoso dos adversários e instituições políticas, ofensor do mesmo povo que o elegeu e reelegeu como quem cai no conto do vigário. Nunca vi um Primeiro-Ministro tão poderoso, tão desrespeitador da inteligência média, tão favorecedor de e apoiado nos advogados mais caros do Regime, Júdice e Proença de Carvalho, tão retaliador da piada contrária, tão castrante do pluralismo, tão persecutório da voz hostil, da crítica honesta, tão unilateral, tão farsante, tão vaidoso. O Poder é doce no Enrabadistão socratinizado. Férias é no Quénia. Lagostas é na Maiorca. Fatos caríssimos, na Califórnia. Há um tempo para as férias, saltando para o Conselho de Administração do BES ou da MARTIFER e viajar como de costume, e outro tempo para foder e rir, com aquele horrendo esgar, do pacóvio português completamente inconsciente do estupro. Todo o nosso mal é que sejam precisamente as urtigas da devastação económica, o caos-Babel completo nas Leis e na Ética, o fruto tosco do socratismo. Emídio, supremo badameco disso mesmo, bajula outros desígnios ao apologizar o Zero em Escrúpulos.

sábado, abril 17, 2010

DECLARAÇÃO DE VIRGINDADE

Laborando num sofisma absolutamente sujo, o PS pela voz do mutitachos Vitalino quer lançar a discussão política sobre as tentativas de aproveitamento de casos judiciais, após a conclusão do processo Freeport. O que a Justiça não apura suficientemente, aqui, na China, em Inglaterra, não iliba minimamente aquele que se vê arrolado em demasiados casos, em demasiada esterqueira. Diz Vitalino, numa inflada declaração de virgindade póstuma, que «Não deixaremos depois de lançar a discussão política [sic] sobre o modo como, particularmente em período de eleições, houve forças políticas [sic], comentadores políticos [sic] e jornais que procuraram aproveitar politicamente [sic] este processo judicial para atacar, desgastar e tentar vencer o PS e o seu secretário-geral.» Deu em nada, ó Vitalino. Tão precipitado e unilateral, este Vitalino e quem lhe dá corda para falar em representação de. Afinal, não é verdade que o PS e o seu Secretário-Geral moveram montanhas e deslocaram Maomé por Seca e Meca para que a eleição corresse de feição?! E não correu?! FigoGate-Taguspork é afinal o quê?! Um acto normal e impoluto?! As frases de Vitalino não passam de alvíssaras apressadas só porque o Expresso de hoje dá conta que Sócrates foi ilibado no processo Freeport por não haver provas do seu envolvimento. Pois. Vitalino, o incansável boquinhas, prossegue: «Aguardamos com tranquilidade que o processo tenha o seu desenlace para poder até haver alguma discussão de natureza política [sic] sobre tudo o que aconteceu nos últimos anos de tentativas de aproveitamento político [sic] de estes e outros processos contra o PS e seu secretário-geral.» Que mártir é o seu secretário-geral! Grande tesão e lata tem Vitalino para esta impressionante virgindade. A discussão a ter é aquela que demita e rejeite um conspurcador sem profissão, ultradesonesto, especialista em esgueirar-se pelas concelhias, subir com os cotovelos, ávido e sôfrego de ganho e triunfo sem olhar a quaisquer meios, espezinhador do fraco, aliado, protegido e protector do forte. Mais uma vez, Vitalino esteve bem na apologia do esterco que nos dana.

ENRABADISTÃO

«Bem-vindo ao Enrabadistão», eis o que poderá ouvir quem, num futuro não muito distante, vier a Portugal. Descaracterização cultural e identitária massiva. Pobreza generalizada. Botabaixismo reagente e desesperado substituído por um Cabisbaixismo derrotado e espezinhado. A grande massa dos que empobrecem conforma-se com todo o lixo produzido e mantido pelos donos do Estado-PS/PSD accionista das grandes empresas, espaço de colocação política por excelência, Estado que paga a Mexia e a Zeinal o completo pecado da desigualdade grosseira e ofensiva vigente e alastrante. Foi Berardo quem explicou cristalinamente a razão por que ninguém toca nos salários de estes gestores, Zeinal e Mexia: «Quanto mais ganha o topo, mais ganham precisamente os decisores de esses ganhos do topo, mais ganham precisamente os da Comissão de Vencimentos.» Perverso, hem?!  This is Enrabadistão, Enrabadistanian West Coast! Não mais Portugal.

POR RATZINGER, SEMPRE!

Inteiramente de acordo com o Paulo, se bem que o Paulo e outros como ele no 31 sejam perfeitos cegos, moucos e tartamudos perante amigos e benevolentes num indiferentismo ofensivo e incompreensível desde há anos. Ok. Suporte-se. Mesmo de um penedo saem pérolas e pepitas. E concordo com ele porque o Vulgo arranja bodes expiatórios errados sempre que quer malhar por exercício exorcista, paliativo ou catártico à própria frustração e autodesconhecimento. O preconceito fácil e o estereótipo primário, devidamente arrebanhados, leva-o, Vulgo, à praça para queimar Judeus ou Comunistas, Padres ou Gestores, beneficiários do RSI ou professores, pilotos da aviação comercial ou sindicalistas. Por alguma boa razão excepcional, que confirma a regra, tem poupado o lombo do Primadonna e de outros da mesma matilha. A razão é que o "manso" Primadonna e outros como ele estão do lado que arrebanha e instiga o Vulgo. Não lhes faltam contramedidas. Passos Coelho eleito, por exemplo, mostra ser uma belíssima contramedida horrenda pelo alívio de marcação ao adversário patente no discurso e nas omissões. Dito isto, sim, concordo: «Sim, é verdade: há casos de padres pedófilos, como também há professores pedófilos, comerciantes, tutores, auxiliares educativos, amas, médicos, fisioterapeutas, advogados e até – pasme-se – jornalistas pedófilos. Não, não é verdade: o Papa Bento XVI nunca "protegeu" pedófilos na Igreja Católica, nem enquanto cardeal Ratzinger nem como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. (...) Sim, é preciso ter cuidado com os pedófilos e os abusadores sexuais. Não, os pedófilos e os abusadores sexuais de crianças e jovens não escolhem profissão nem credo religioso.»

TRAIÇÃO PASSOS-COELHISTA

O Absolutamente Esperto, repleto de rapina e subterfúgios, é o modelo de vida absoluto do Povo Português. Quanto mais facínora, mais popular. Quanto mais fajuto, mais elegível. Passarei todas as fomes que o Sistema Político de Esbulho português quiser; suportarei eventualmente mais do mesmo velho desemprego já suportado e me esteja novamente destinado e prometido como retaliação às minhas palavras e causas; aguentarei com todas as exclusões sornas que os Desonestos Políticos prescrevam a quem lhes move luta ferina por causa da desonestidade implantada, como um tumor, na vida pública portuguesa: digo e reitero que a folga dada a Sócrates, a marcação mansa ou nula por Passos Coelho ao cada vez mais manso Primadonna constitui a primeira traição ao tempo presente português, às suas expectativas e exigências. O evidente armistício do PSD às trapalhadas do sr. Sócrates cheira mal. Numa verdadeira Oposição, malfeitorias, mau carácter e má índole dos representantes do Estado Português não é tema para passar incólume, conforme tem passado. Sócrates e Coelho são, enfim, gémeos. Um mano protege e alivia o outro mano. Está à vista porquê e de que maneira tais figuras se geminam e de que forma se bascula o Sistema irreformável da vida político-partidária.

sexta-feira, abril 16, 2010

CULPAS DE CAVACO

Cavaco tem sido a almofada pefeita de um conjunto de processos e comportamentos errados e erráticos da governação socialista e quando Václav Klaus ousa dizer que o défice excessivo de alguns países releva da irresponsabilidade directa dos respectivos maus governantes, os quais devem ser responsabilizados, limita-se a dizer o que incumbiria a um Presidente da República menos interessado na reeleição vociferar. A fraqueza da República está toda aí. 

DEMITIR-SE É PRECISO

Dizia-me ontem um amigo socialista que o sr. Sócrates, a cair, cairia fragorosamente e em breve. Pois. Mas não se vê nada. Nem se espera nada. Andamos nesta putrescência há meses com milhões de portugueses sem compreender essa inaudita incapacidade de um só homem se envergonhar, reincidindo, pelo contrário em toda a espécie de mentira. Vai ainda no adro a detecção global da trapaça inominável em que consistiram as últimas legislativas, com formas de viciação do jogo democrático e eleitoral bem caras às nossas contas, ao nosso défice, ao Estado que é menos nosso que da Plutocracia e seus sôfregos serventes políticos. Figo foi um "apoio" muito caro que o PS dispôs no seu anzol "honesto". Mas não foi o único. Houve outros apoios matadores em fim de campanha. Formas de liquidar os adversários mediante o diz-me com quem andas, uma imagem vale mil apoios. Outros passes de lerpa e abraços-negócio, encontros estratégicos para eleitor ver. Nunca esquecerei o célebre encontro entre Sócrates e Luís Filipe Vieira. Nada é grátis. Que contrapartidas, portanto?! Sabe-se que em Julho de 2009 o Taguspark assinou um contrato proporcionando a uma das empresas de que Figo é sócio, a Dream Factory Network, instalação gratuita no parque por três anos, além de serviços de secretaria telefónica gratuitos e que Rui Pedro Soares, administrador do parque tecnológico e da operadora de telecomunicações, já tinha conseguido alojamento do site do projecto de comunicações, tudo oferecido pela PT durante três anos, um serviço cujo custo estimado por um funcionário da PT, Orlindo Soares, era de 1,3 milhões de euros. Sabe-se que o somatório dos dois contratos totaliza 2.050.000 euros, não tendo o Ministério Público contabilizado o valor da instalação e secretaria telefónica disponibilizada gratuitamente pelo Taguspark. Se a Entidade das Contas vier a detectar uma ocultação de despesas na campanha das legislativas de 2009, a propósito da acusação no caso Taguspark/Figo, em que três administradores daquela empresa são acusados de corrupção passiva, o actual primeiro-ministro será uma das pessoas punidas com uma coima.

quinta-feira, abril 15, 2010

DESPERDÍCIO DE MARKL

Como é possível o cómico catraio Markl ter gasto saliva e queixume com os copy-pasters da Nova Gente, quando, garimpando a sua dor pela perda do Dagoberto lhe usurparam todo um post sentido a ele dedicado? À mínima sensação de que eu estaria a falar ou a escrever para a parede, não me incomodaria nem um segundo. Deixá-los pousar. Para quê a trabalheira de rebarbar actos tão mesquinhos?! Nunca daria o benefício do notório, bom ou mau, aos que dolosamente me abarbatassem uma postagem dolorosa.

TOLERÂNCIA DE PULHÓMETRO

No segundo blogue propagandesco mais dispendioso ao Orçamento Geral do Estado=PS, a seguir ao Câmara Corporativa, o Jugular, quer Miguel Vale de Almeida quer a f., afervoram-se contra às diversas tolerâncias de ponto oferecidas pelo Governo devido à visita do Papa. Sim, porque não é só uma. São várias e parciais, consoante os dias de visita às cidades de Lisboa (dia 11) e Porto (dia 14), sendo que uma delas, total, a de 13 de Maio, tem toda a lógica, se tivermos em conta a índole católica do Povo Português, séculos de catolicismo arreigado, missionário, expansionista, e a ideia de que "tolerância" não significa necessariamente desactivação laboral. Eu, por exemplo, trabalharei em todos esses dias de bem-aventurança. Esses dois cromos mijões, espécie de eleitos a partir da mistela nacional do quase-pensamento, deveriam ser muito mais coerentes, se bem que "ser coerentes" corresponda ali à manutenção do mesmíssimo cinismo hipócrita que os caracteriza em abundantes matérias da já célebre Tábua Rasa Jacobina de eurodesmantelamento civilizacional. Seria bonito, por uma vez, acabarem com as habituais paneleirices queixinhas. Isto é assim: ou há moralidade e coerência ou comem todos, cada qual onde prefere.

THE NEXT GLOBAL PROBLEM

Chego através da nota do João. O que pensar se outros, a partir de fora, vêem da nossa realidade económica o que os media nacionais controlados omitem, a começar pelas TVs?! Decidir é jogar com expectativas e trabalhar com a realidade, coisas que nos têm sido sonegadas por treta eleitoralesca. Como sair deste fosso?! Tudo o que seja eliminar duplas reformas, complementos de reforma, bónus obscenos ou não obscenos; tudo o que passe por generalizar o regime de incompatibilidade a que estão obrigados os funcionários públicos; pela implementação dos sistemas alternativos de reforma, sem com isto se estar a defender a abolição da segurança social, do serviço nacional de saúde ou o sistema de ensino; a revisão completa e total dos valores para as reformas nas Forças Armadas, sem necessariamente retrocessos, mas para vigorar nas gerações futuras, por exemplo; revolucionar a nossa agricultura, apostando em produtos escassamente explorados, frutos secos, por exemplo, produto altamente valorizado no mercado; e apostar num novo paradigma energético; imposição de tectos para gestores: Mexia e Bava têm de receber muito menos, se se quiser salvar isto, tratando-se de EPs: «Today, despite the clear dangers and huge debts, all three rating agencies are surely scared to take the politically charged step of declaring that Greek debt is junk. They are similarly afraid to touch Portugal. So what next for Portugal? Pity the serious Portuguese politician who argues that fiscal probity calls for early belt-tightening. The European Union, the European Central Bank and the Greeks have all proven that the euro zone nations have no threshold for pain, and European Union money will be there for anyone who wants it. The Portuguese politicians can do nothing but wait for the situation to get worse, and then demand their bailout package, too.»

DUPLO VULCÃO ISLANDÊS

A Europa dos voos comerciais e da aviação civil  está literalmente a paralisar devido aos perigos colocados por um vulcão em plena erupção, na Islândia. Nuvens de cinza na alta atmosfera podem representar um sério problema aos aparelhos nas suas rotas habituais, basta recordar o voo 9 da British Airways. Não há pior ou mais perigoso abrasivo, no duplo sentido do desgaste estrutural e da agressão térmica. Islândia, eis um país a acordar do pesadelo liberal, onde nada funcionou, dentro dos mínimos esperáveis, e nada regulou coisa nenhuma, dentro do aceitável, segundo o relatório da comissão de inquérito do parlamento islandês. Liberalismo com os seus malefícios provados e comprovados na ilha. Nenhuma realidade é hermética: tal como a globalização globaliza também os danos, a Natureza democratiza os perigos.

quarta-feira, abril 14, 2010

TELEPHONE

CASA DE ALTERNE

Italiana, doze anos. Escrava sexual, pedo-alternadeira. E você já petiscou tal suculenta e sórdida deslocalização? Talvez seja contemplado com um desconto. Uns vão à Madeira, este ano, e bem. Outros, vampiros exploradores, tardam por demais em ir prá puta que os pariu.

A COBRIÇÃO TRANQUILA

Sim, é oficial. Está encontrado o bardo-mor do passos-coelhismo. Só ele para dourar a pílula política em que PPC quer converter-se, bem amargosa, segundo o velho receituário esbulhatório dos pobres, usado e abusado, com os resultados que nos trouxeram até à gloriosa penúria presente. CAA! Até já tem gesta para cantar. O Congresso de Carcavelos, com nuvenzinhas cor-de-rosa e melros canoros: «O melhor do Congresso estava guardado para a última intervenção de Passos Coelho - que, julgo, constituirá a referência maior daquilo que o PSD pretende ser. Foi um momento de ruptura, que pretendeu rasgar dogmas estatizantes já cristalizados. A este nível político, foi o discurso mais liberal que Portugal ouviu desde a morte de Sá Carneiro. Algumas vozes, sempre muito doutas, asseguraram que se trata de conversa de oposição, cujo conteúdo será logo engavetado se o PSD chegar ao poder. Pode ser que sim. Mas Passos Coelho anuncia uma revolução tranquila, feita a favor do País e apenas se o País a quiser - ironia das ironias, aquele que foi denegrido como uma segunda edição de Sócrates inicia o seu caminho para o poder representando precisamente o contrário daquilo que o actual primeiro-ministro sempre quis ser.» CAA

PASSENTA NEGAÇA

Bizantinices e minudências estão de regresso à chamada Justiça Portuguesa, essa pseudo-Fénix incapaz de ressurgir das próprias cinzas: a acusação do caso Figo/Taguspark determinou que Rui Pedro Soares, João Carlos Silva e Américo Thomati, os três administradores do Taguspark que tinham sido constituídos arguidos no processo, fossem acusados de corrupção passiva para acto ilicito. Faz isto sentido? Não. Não faz qualquer sentido, além destes, não haver aparentemente qualquer acusado pelo crime de corrupção activa. O que está a dar são negaças. Tudo em Portugal funciona na base da negaça. Engoda-se o público. Dá-se a ler ao português néscio que está tudo a funcionar normalmente, mas não passa de encenação e disfarce. Mitigar consequências de maior aos amigos e autores morais do trabalho sujo continua habitual. Nada como a arte do palavreado floral que engenhosos juristas inventaram para empatar processos e desenrascar velhos pedófilos e velhos corruptos.

terça-feira, abril 13, 2010

NASCIMENTO DE UM HOMEM

Parte um homem pleno e livre, a quem os donos-usurpadores de Portugal não inspiravam medo. Tinha um blogue, O Ouvidor do Kimbo. Chego lá pelo Rui Crull Tabosa. De si, escreve Henrique Nascimento Rodrigues: «Eu fui concebido nos longes de Angola, num despovoado que se chamava Cangamba, nos Luchazes. Era por aí que se marchava, a pé ou de tipóia mas não de jipe, para as ”terras do fim do mundo”, as do Cuando-Cubango. Julgo que ainda hoje as chamam assim. E assim também se chamavam então porque delas não havia notícia de gentes, apenas de animais, de chanas, lagoas e pântanos, até lá muito ao sul, ao Dirico, ao Mucusso, a Sambio e ao CuangarHenrique Nascimento Rodrigues

FACTOR SIZA

Com sucessivos e imparáveis reconhecimentos internacionais, a consagração planetária do arquitecto e artista Siza é total e completa. Quem o conhece de perto interroga-se como é que um homem com um trato tão simples, cordato e humano pode transcender-se em suprema criatividade e ter ido tão longe nas suas realizações pessoais. Já a sementinha, o menino Alvarinho, pelo contrário comporta-se como talvez nem Nero ou Calígula com os seus imediatos. Tem uma vida inteira para a aprender com o pai a Ser. Ter é fácil: «Architects Fumihiko Maki of Japan and Alvaro Siza of Portugal were added to the academy's honorary category for foreign artists

TAMPÃO EM GENTE

Pinto Monteiro tem sido sintoma, sinal e parte do profundo problema de descredibilização democrática portuguesa. Representa o cadáver vivo das funções de neutralização-pára-choques que encabeça em favor de gente putrescente. O PGR não é um drama em gente. É um tampão humano. Contém danos. Está ali a inchar e a encharcar-se de problemas e estigmas por culpas alheias. Desprocura. Desinveste no que é são e justo. Intervém a favor do Primadonna por pressurosas palavras desastrosas ou omissões forçadas e desastradas: quatro meses só para enviar para Aveiro o material probatório destinado a ser destruído? Porquê? Passos Coelho acalmara as hostes que lhe eram menos favoráveis dentro do PSD e na sociedade civil precisamente quando veio reclamar a cabeça do desprocurador. O mínimo que se podia exigir. Fez-se ouvir alto e bom som em plena campanha pela liderança, enquanto os demais candidatos transigiam neste ponto sinalizando uma flacidez pouco recomendável. Presume-se que agora o silêncio ensurdecedor sobre tal matéria corresponda às razões pelas quais os políticos têm a tal fraca memória: vêem-se rapidamente absorvidos pelo Sistema a despeito do reformismo e independência que nos garantem representar. Fazem-se eleger por nos cantarem aos ouvidos a canção isenta que os cidadãos prezam. Depois são capturados pela lógica irredutível do poder e dos poderes estabelecidos contra as pessoas e apesar delas. O divórcio entre eleitos e eleitores começa aí, nesse meter o rabo entre as pernas contra a parte fraca nesta história. O desvalido cidadão.

segunda-feira, abril 12, 2010

TVI24: COMBATE DE GALHOS

À primeira vista parece promissor e saudável que a TVI24 se embrenhe no domínio apaixonante dos blogues, com a estreia, ontem, domingo, de um novo formato de debate que juntou à mesma mesa quatro bloggers absolutamente esperáveis, pois já lá estiveram. Sucede que a coisa jamais funcionará com as supostas democraticidade e abrangência porque o fenómeno tinge-se de libertário, inflamável e imprevisível. O debate chama-se «Combate de Blogs», não percebo por que não aportuguesam a palavra grafando de uma vez por todas «blogue(s)». Em estúdio estiveram Rodrigo Moita de Deus, do «31 da Armada»; Filipa Martins, do «Albergue Espanhol»; Tomás Vasques, do «Hoje há Conquilhas» e Miguel Morgado, do blogue «O Cachimbo de Magritte». Ontem, o tema em destaque foi o Congresso do PSD, em Carcavelos. Infelizmente, a bloga institucionalizada, tida como escol nacional, não passa de escória segregatória dos demais blogues e bloggers, com opções e atitudes de casta à parte, própria dos bonzos e ténias regimentais, com passadeira vermelha e luzes de sinalização tipo ambulância, ora em trânsito da bloga para a imprensa, da imprensa para a bloga, da bloga para as TVs, das TVs para as colunas das revistas e dos jornais, como o célebre palreiro CAA. A isto se resume a questão valorativa de esses blogues. Negócio, antes de qualquer outra coisa. Bocas apalhaçadas, antes das ideias e da convicção. Passes publicitários autopromocionais, antes da causa de renovação nacional e da necessidade de sentido crítico. E correcção. Sobretudo correcção. Quais são, pois, os melhores blogues e bloggers de Portugal? Será o blaterante, desprezivo, mas não desprezível, Blasfémias ou o altivo e circense 31 da Armada? Não interessa. O negócio rende-lhes. Nada contra, ressalvo. Pena é quando a vaidade lhes sobe aos cornos e o inchaço de elite também. Já não conhecem gente!