sábado, julho 31, 2010

A LER


Tudo o que por aqui sábia e independentemente se escreve.

BLÁ, BLÁ PORTOS, PORTOS, PORTOS

GENERAIS CONTRA CAPITÃES

A realidade, essa maçada que persegue o País maravilhoso socialista-maçónico que existe na cabeça de José Sócrates, continua diversa do conteúdo das suas declarações expressamente dramatizadas para boçais aplaudirem e indefectíveis se babarem. Em papel, pelo teleponto, está toda a gente farta do estilo salazarento, salazaresco, em mau, no pior e mais abjecto dos sentidos: «No intestino do Ministério Público existe agora uma guerra entre chefes contra subordinados, generais contra capitães. E é duvidoso que todos consigam sair ilesos. Mas independentemente do body count na crème de la crème do Ministério Público, a batata quente do Freeport irá agora parar às mãos de um juiz de instrução criminal. Entre os cinco assistentes constituídos no processo, um deles tem a faculdade de deduzir acusação independente do Ministério Público. O advogado José Maria Martins tem uma conhecida guerra com os socialistas desde os tempos do processo Casa Pia, pelo que a acusação particular contra Sócrates é uma real possibilidade. Depois caberá ao juiz, e não ao Ministério Público, decidir. E é assim que deve ser. O futuro de Sócrates depende do juiz que ficar com a batata quente nas mãos.» Carlos Ferreira Madeira

LIQUIDAÇÃO EDUCATIVA

Viver e trabalhar nas escolas portuguesas é uma experiência ultrakafkiana, fonte de sofrimentos e tensões estéreis, apenas toleráveis quando se coloca à testa de tudo um módico de humanidade, afabilidade, decência, capacidade de escutar, perdoar e acamaradar. As dificuldades impostas aos professores visam já garantir o sucesso estatístico, obedecendo aos princípios de eficácia obrigatória/compulsiva também chamada eduquês. Por isso, há muito que os chumbos acabaram. Nos raros casos em que subsistem justificadamente, porque também há chumbos vindicativos e chumbos que relevam de um rigorismo imaturo de quem os dá, resta uma espécie de condenação às galés do respectivo profissional zeloso a contra-corrente. A Ministra Isabel Alçada, ao propor acabar com as reprovações, abre o jogo e determina abertamente que mais alunos passem pelo sistema como se não passassem por ele. Já é assim e o resultado, em iliteracias e falta de paixões indeléveis e fundantes de sabedoria e do respectivo e custoso prazer, é trágico. Passará a ser ainda mais trágico porque transitar ou obter aprovação garantidamente desmobiliza garantidamente o aluno e fragiliza ao máximo a posição do docente.

VIA EXECRÁVEL

Enfim, a imprensa está repleta de sinais que indicam estar a questão Free Porc muito longe de ver sobre si uma pedra tumular definitiva. Não há ali uma Via Sacra, mas uma via execrável longe do fim. Há demasiadas pontas soltas repletas de suspeição e indefinido esclarecimento. Por exemplo, o primo Hugo Monteiro admitiu aos investigadores que "o encontro do pai Júlio com o primo Sócrates teve influência no licenciamento" e informou que ele próprio se deslocou a casa de José Sócrates "e lhe disse que ia invocar o seu nome, a que [Sócrates] terá acedido". Além das tais 25 perguntas, Paes Faria e Vítor Magalhães queriam ter "explicações" de Sócrates para os testemunhos do tio e do primo no processo. Mas, como sintomaticamente disse ontem, a directora do DCIAP não considerou que a audição ao primeiro-ministro pudesse mudar fosse o que fosse. Começa a perceber-se cada vez melhor porquê.

SEM JOGADORES

Não compreendo como é que Queiroz, não tendo ninguém por ele, nem mesmo os jogadores ou muito menos eles!, aparece com um sorriso de orelha a orelha, à maneira socratina, convencido de que tudo vai continuar como dantes, com duas de letra e uma persuasãozinha com palmdas nas costas. Convenço-me de que o quase ex-seleccionador está empenhado em linchar a selecção, sacar o seu e seguir adiante como solitário adjunto de si mesmo.

TRETA DO GRAVE E DO GRAVÍSSIMO

Não há machado que corte a sensação global de impunidade em Portugal, a cada caso de peso, envolvendo gente execrável sempre à tona da caca que segrega. Em vão se escreverá, em vão se intervirá, quando os dados estão perfidamente viciados e depois sobeja toda a espécie de branqueamento e inconsequência. Mesmo o argumentário usado por certos blogues, na defesa de qualquer acórdão da treta como o do Free Porc, passa pela compulsão ao silêncio de quem ouse duvidar e levantar questões. Tem, por isso, toda a piada que, no uso da sua liberdade de raciocínio, Daniel Oliveira escreva isto: «No plano político [...] havia um debate (independente da investigação judicial) a ter sobre este caso: a que se deveu a pressa de, em vésperas de passar o poder para outros, encerrar o licenciamento daquele projecto, tendo em conta todas as dúvidas que subsistiam quer em relação aos efeitos ambientais da obra quer em relação às estranhas alterações que se fizeram aos limites da zona ecológica?», e logo a Isabel Moreira, a quem ontem dei um beijo e recebi outro, de modo pertinaz, ouse, em resposta, escrever isto: «Como estamos num Estado de direito, Sócrates é inocente, ponto, pelo que "gravíssimo", Daniel, é continuares a colocar a primeira hipótese.» e suceder que alguém atentíssimo ao transe responda isto: «Este post da Isabel Moreira é um verdadeiro tratado. Em duas linhas, vários equívocos. Confunde-se “presunção de inocência para efeitos judiciais” com “inocência”. Confunde-se “ausência de prova” com “inexistência de prova”. Defende-se que as decisões das autoridades judiciais são incontestáveis e insusceptíveis de crítica. Defende-se a supressão das dúvidas e da crítica política com base num argumento jurídico. Em suma, defende-se a submissão da opinião aos ditâmes do juridiquês mal amanhado.» É rigorosamente o que parece: um baile particular onde se está obrigado a dançar o tango, havendo, pelo meio, a Isabel Moreira com a velha ameaça velada a quem se recuse dançar conforme a música.

sexta-feira, julho 30, 2010

MUITO MAIS QUE AMANTES


A péssima índole dos homens de que se rodeia o 'deus' Sócrates e a do próprio 'deus' está demonstrada por demais, ao vivo, e na avalancha de factos relevantes que nos têm sido dados a conhecer. Soterrados pela PGR, mas libertos supletivamente pela imprensa ousada e cívica, perante o que deles resulta apurado do processo Face Oculta, não se pode obliterar os objectivos por que se norteavam dois homens: controlar a Comunicação Social; usar dinheiro de empresas públicas para financiar os interesses do PS; condicionar e constranger a actuação do Presidente da República de forma a provocar eleições antecipadas em 2011. Plano e acção conspirativa que Teófilo Santiago, responsável da PJ de Aveiro, Marques Vidal, do MP, na mesma cidade, e depois o juiz de instrução, António Costa Gomes, viram nos indícios recolhidos nas conversas mantidas entre José Sócrates e Armando Vara, homem a quem todas as delícias e venturas sucedem, não importa o que lhe suceda e o que dele se saiba. Sublinhe-se que José Sócrates e Armando Vara patenteavam uma cumplicidade extrema nos objectivos, sendo evidente algum ascendente de Vara sobre Sócrates, com este a mandar calar o PM, numa das conversas escutadas pela investigação. Nesta conspiração liderada ao mais alto nível, era combinada a intromissão na vida interna de empresas do sector empresarial do Estado e visava o Presidente da República, quer com ataques políticos, quer com a tentativa de o limitar devido a interesses do genro. 

ORCAS DA BLOGA

Eu sinceramente gostaria de ter o dom do 'sublime', do 'sucesso absoluto', mesmo sendo sozinho e eles dezenas, sobretudo em postas brilhantes e brilhantes trocas de galhardetes. Trata-se de blogues-baleia de 'escultural beleza', na bloga nacional, como esta baleia e esta orca. Em sede de cetáceos, os extremos tocam-se ainda mais na remissão recíproca contínua e na aparente, mas falsa, dissemelhança. Nós, os pequenos e médios espécimes, não contamos para aquela excelsa contabilidade ligeira em que se afervoram.

CÍNICO TABULEIRO

No negócio Telefónica/PT/Vivo não sei se Passos e o PSD foram coerentes ou não desde o princípio. O que sei é que as aves de rapina do PS-Governo não o foram de todo e agora procuram, a todo o transe, encavalitar-se no suposto colaboracionismo do PSD e de Passos com os interesses espanhóis. Esta birra artificial entre falsos patrióticos e duvidosos traidores à Pátria não lembrava ao diabo. Ora, à luz do estado da arte, percebe-se bem a profundidade e a extensão do cinismo patrioteiro pseudo-nacionalista do Governo-PS e a sofreguidão por apoucar PPC seja por que linha de argumentação for. Avulta como cristalina a fome de piruetas mediáticas e a procura de ficar por cima com as migalhas possíveis. O aliado da "Direita" deverá ser destruído na secretaria, nos bastidores, com passes prestidigitatórios e bocas foleiras, de preferência com génese interna ao partido. Foi assim com Menezes. Com Ferreira Leite. Talvez as boas maneiras de PPC compensem por cima o nervosismo ávido dos que sentem fugir-lhe o tapete por baixo dos pés.

GRANDE FEIO

Grande até ao fim, humano, sensível, exemplar na sua simplicidade e na força acalentadora da sua empatia para connosco. Um actor que nos levava às lágrimas pelas melhores razões e que pelas melhores razões ficará sempre junto de nós. Paz à sua alma.

quinta-feira, julho 29, 2010

CONA-QUEIROZ OUT

Depois das agressão ao jornalista Jorge Baptista, das calinadas gravadas pelo Sol e da história da «cona», deveria bastar um grão de polémica para que Queiroz saísse por seu pé. Mas não. Agora é a palavra "ameaçar" a estragar todo o esquema auto-vitimizador usado por Queiroz, que cada vez se assemelha mais a uma besta feroz encurralada pelos factos e, sim, alvo da conspiração dos que contra ele, contra o seu rasto de rupturas, perda de credibilidade, caos no balneário, antipatias e resultados a medo ou pífios, legitimamente conspiram. Quem instalou o mal-estar e a contradição no seio da Selecção? Agora ameaça "recorrer à FIFA" para denunciar "ingerências do Estado" na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), caso venha a ser prejudicado pelo inquérito aberto pelo Instituto do Desporto de Portugal (IDP), sobre alegados insultos aos médicos da brigada antidoping durante o estágio de preparação para o Mundial 2010. Mas, à falta de um colete de forças que acalme um homem há muito para lá de uma clara crise de nervos, deve perguntar-se se o Estado tem ou não toda a legitimidade para aí "ingerir" e "digerir". Não adianta espernear, trata-se de uma instituição que perdeu o estatuto de utilidade pública desportiva prestes a decidir conforme lhe for útil e conveniente e se ele, Queiroz, de tão cegamente preso ao lugar, não compreende que rebentou com o futuro, também não haverá homem ou deus que lho explique.

O ÂNGULO TÁUREO

Em matéria de touradas, talvez aquilo a que chamam Cultura — que amou comprazer-se espectacularmente no sangue de gladiadores ou nas medievais execuções públicas sangrentas, evisceratórias, amputatórias, terminais pelo fogo e o fumo, em autos da fé, em autos do Estado , deva ceder, gradualmente o lugar à Compaixão, ao comprazimento no que seja profundamente humano e eticamente humanizador e à rejeição da crueldade como entretenimento. "Talvez" é somente uma forma de falar. Necessitamos de adoptar o ângulo táureo, quando se trata de infligir ou suportar sofrimento, e não apenas contemplar a respectiva arremetida.  

UM PEDRO CORREIA VINTAGE

Gostaria de compreender por que motivo João Galamba e o demais pessoal sapador do socratismo (Abrantes, Jugulares, Aspirinas), de dedo em riste e espanador na mãozinha, não se remetem ao silêncio. Um silêncio inteligente. Por ser melhor, mais higiénico e sobretudo mais ético. Só assim não se remexeria de mais no lixo que toda a história mal contada Freeport encerra. Além disso, sujeitam-se a respostas à altura sobre factos que os deveriam envergonhar. Apanham, por exemplo, com posts, como o a seguir citado, de um Pedro Correia Vintage: «Não sei a que textos em concreto alude João Galamba, por interposto militante socialista da Amadora, para sustentar em abstracto que este blogue devia pedir desculpa ao primeiro-ministro. Será este, em que sublinho a presunção de inocência de José Sócrates enquanto aproveito para lembrar aos mais esquecidos que o actual chefe do Governo ascendeu a secretário-geral do PS na sequência de acusações não comprovadas contra o antecessor, Eduardo Ferro Rodrigues, numa clara demonstração de que a política tem horror ao vácuo? Será este, em que refiro a necessidade de explicações do primeiro-ministro, reafirmando a sua presunção de inocência? Será este, em que se anota que o Presidente da República considerou o caso Freeport um "assunto de Estado"? Ou este, que comenta a tardia demissão do procurador Lopes da Mota após a pena de suspensão que lhe foi imposta pela secção disciplinar do Conselho Superior do Ministério Público no termo do processo disciplinar instaurado pelo procurador-geral da República por pressões sobre os investigadores? Não ignoro que é mais fácil, para um deputado da nação, criticar blogues do que atacar o Chefe do Estado ou o procurador-geral Pinto Monteiro a propósito do caso Freeport. Até por isso, agradeço antecipadamente a resposta.» Pedro Correia

DITADURA CAMUFLADA

«Eu não aceito mas compreendo perfeitamente a incomodidade dos miseráveis abrantes que gostariam de perpetuar a boa-vida à conta dos nossos impostos, actuando a coberto do anonimato na defesa do indefensável. Mas, por isso mesmo, e porque sabemos o que fazem e como o fazem, não resisto a repetir esta frase de António de Oliveira Salazar, infelizmente tão actual nos tempos que correm: "Esse socialismo de Estado, que muitos apregoam e aconselham como um regime avançado, seria na verdade o sistema ideal para lisonjear o comodismo nato e o delírio burocrático do comum dos portugueses. O socialismo de Estado é o regime burguês por excelência. As falências, os desfalques, as irregularidades, se há compadres na governação, são facilmente abafados e os défices cobertos pelos orçamentos do Estado."» Salazar em 1933 em entrevista a António Ferro (via António Nogueira Leite, Albergue Espanhol).

CHORAR É PRECISO

Nós precisamos disto. De lágrimas. Alguém ensine o sr. Sócrates a chorar, the ultimate deal, o derradeiro transe. As declarações, a declaratividade crónica, de papéis na mão, teleponto, e poses simultaneamente triunfantes e compungidas já não bastam quanto ao efeito publicitário pretendido. Chorar, sim. Chorar talvez nos comova e leve a perdoar, na forma tentada, os problemas de de interferência em todos os domínios da liberdade, tanta incompetência e espírito de facção no cerne da governação nacional. E, já agora, Zeca, dê instruções aos seus indefectíveis, esse pessoal tremendamente remunerado do Jugular, da Aspirina e da Coisa Corporativa, que parem de ameaçar e coagir adversários e livre pensadores. Há limites. Que azar um eleitor/cidadão/contribuinte sentir, por um lado, naturalmente uma profunda empatia com o Presidente Lula da Silva, chore ou não, e, por outro, nada mais que asco para com outras figuras arrongantóides e abomináveis, incapazes de chorar, no seu narcisismo infinito!

NÃO VALE A PENA

Não vale a pena comentar, escrevendo o que seja neste sítio. Aí, a Censura é o prato do dia que desmobiliza e cansa. E eu estou farto de ser censurado nesse pérfido tugúrio.

quarta-feira, julho 28, 2010

ORGASMO-GALAMBA

É completamente verdade que um higiénico silêncio deveria ser a opção desses serventuários eternizados lá, onde a vida é doce e o futuro incerto. Não dá para grandes festas e grandes orgasmos éticos com o triste e suspeitoso desfecho do processo Freeport: «Os pulinhos verbais de dedo em riste a pedir contas é prematuro e até um pouco pornográfico, não é?! Afinal um conjunto de curiosas ligações políticas e pessoais que se encontram a cada esquina mal cheirosa de licenciaturas domingueiras, abortos arquitectónicos, aterros e uma miríade de casos que não perdoarias a ninguém são factos suficientes para justificar a dúvida, a pergunta e porque não a acusação. Vá lá, caro João, perdoarias tanto fumo a outra fogueira?» Afonso Azevedo Neves

ESPERANÇA FINANCEIRA

Em tempos de desesperança financeira, os portugueses podem e devem colocar os olhinhos no Simão.

PACTA SUNT SERVANDA

Lê-se a imprensa espanhola e verifica-se que, contrariamente aos accionistas, no âmbito do mais simples e anónimo comentador, poucos parecem contentes. Realmente, o dinheiro não tem pátria e soa chocante a confusão e a impotência da plebe tratada como plebe global: «El presidente de Telefónica, César Alierta, ha manifestado: "Estamos muy satisfechos de haber alcanzado este acuerdo con Portugal Telecom que beneficia a los accionistas de ambas compañías. Se trata de una oportunidad única de creación de valor. Vivo es el líder del mercado de telefonía móvil de Brasil, país por el que Telefónica mantiene una apuesta decidida de futuro".» Cinco Días [3 joan-28-07-2010-16:38:29h: «Incompetentes negociadores, en lugar de negociar a la baja, suben la oferta y pagan en exceso, aùn sabiendo la necesidad de vender de PT por el compromiso asumido con OI. Telefònica no sabe aprovechar un entorno favorable para negociar a la baja. Deben aprender de Botin y el Santander. Ahora la acciòn pagarà el excesivo precio pagado. Mientras en España Telefonica nos cobra tarifas abusivas para financiar sus despilfarros internacionales. Somos los españoles los que pagamos todo este desmadre.»]

GOLDEN CHULOS

Em 15 dias foi toda uma noção de "interesse nacional" e "dimensão estratégica" que se transviou ou trocou radicalmente, trocando ou transviando uma posição de controlo na Vivo por uma posição minoritária na Oi. Começar de novo... Farsa, pois, à altura dos farsantes de serviço. Até eu fui na converseta primária do "interesse nacional", como se tudo não fosse uma questão de dinheiro, sedução básica, populista, com manipulação massiva das tripas nacionais, enganadas com um refrão falso e um logro óbvio e, finalmente, a submissão retardatária ao mais forte. 

GULODICE ACCIONISTA

«Foi por accionistas e administração terem estado a remar para lados diferentes que o Governo acabou por intervir, quando percebeu que a sua própria passividade era omissão abusada por alguns. Não foi a primeira vez. Já há cinco anos, foi Sócrates que interveio e impediu que a Telefónica passasse a mandar na PT através de um aumento de capital implícito no “share buy back”. Interesse nacional? Não. Mas os accionistas podem agradecer a Sócrates por ter conseguido o que eles falharam: mais preço e Brasil. Que não desfaçam tudo agora em mais um festim de dividendos. Há meia dúzia de anos que se alambazam nisso, já chega.» Pedro Santos Guerreiro

OI, A ÉGUA DE TRÓIA

Estes accionistas, presidente do conselho de administração da estratégica PT, Henrique Granadeiro, Bava, e mesmo o Governo, devem ter recaído na mais profunda narcolepsia, além de não terem espinha dorsal, palavra ou sentido de autodefesa equivalente ao da invasiva Telefónica. Que havia a esperar? Enfim, a PT não é nossa, é de quem a agarrar, e não há nem pode haver patriotismo ou visão estratégica entre alternadeiras, capazes de transformar o maior encornanço no suprassumo da coordenação de esforços. Agora será a OI a nossa Égua de Tróia para penetrar e progredir num mercado suculento onde a Vivo já se tinha consolidado e leva avanço. Tudo se esquece: a agressividade táctica da Telefónica e todos os passos dados em falso até ao exercício da Golden Share pelo Golden Ass. Ao cheiro de 7,5 mil milhões de euros, a PT vende à Telefónica, que é espanhola, a posição que detinha na Vivo, que é brasileira. A tal Golden Share não passou de uma negaça para entreter e alimentar à fartazana rios de bytes e tinta e apelar às tripas patrioteiras e flanar a bandeira pífia do "interesse nacional" por um instante de ilusão. A memória das audiências mediáticas é de curtíssimo prazo, bem à medida de um PM entertainer. O comunicado da CMVM é cristalino: o pagamento será efectuado em três tranches: 4,5 mil milhões até ao fim de Setembro, mil milhões até ao fim de Dezembro, e os dois mil milhões remanescentes até 31 de Outubro de 2011. Isto só foi possível porque a estratégica PT celebrou uma parceria com a estratégica e talvez periclitante Oi, propondo-se adquirir (por 3,7 mil milhões de euros) 22,38% do capital da operadora estratégica brasileira para começar tudo de novo.

FICAM OS LIVROS

«Ficam os livros. Em certo sentido é terrível que a criação dure mais que o criador: Flaubert enfurecia-se que a Bovary continuasse viva e ele não. É curioso: agora é ela, a quem Flaubert deu vida, que lhe dá vida a ele. É essa a grandeza da Arte: o Verbo torna-se Carne que por sua vez torna a ser Verbo. Pode desejar-se actividade mais nobre? E agora, não sei porque obscuro nexo, veio-me à ideia o Manuel da Fonseca a dar autógrafos na Feira do Livro, o sorriso dele. Esperava que eu acabasse, jantávamos juntos e deixava-o no cais para a outra banda, de madrugada. Cada autógrafo demorava dez minutos no caso de um homem, quinze ou vinte no caso de uma mulher.» António Lobo Antunes

ENDOSCOPIA ÀS NOSSAS FÉRIAS

«Uma hipótese é meter a família no carro e, como recomendou Cavaco Silva, ir para fora cá dentro. Uma opção que traz alguns problemas. Primeiro, há que meter gasolina, o que não é barato. Depois, talvez seja boa ideia comprar uma água e um papo-seco para a viagem. Mas com cautela, na medida em que o IVA sobre os bens essenciais subiu um por cento. Os milionários que tiverem dinheiro para depósito cheio e farnel poderão fazer-se à estrada, embora conscientes de que mais cedo ou mais tarde vão passar numa SCUT, daquelas que não eram pagas mas entretanto passaram a ser. Antes disso, num semáforo, ainda são capazes de topar com o ministro das Finanças com um chapéu virado ao contrário a pedir nem que seja a moeda mais pequena, em busca de receitas extraordinárias. Em princípio, depois de percorrer 50 quilómetros, o cidadão já não tem dinheiro e tem de voltar para casa.» RAP

POBRE PAÍS DOS GNOMOS

Renato, tu és um moço sensato e inteligente com quem habitualmente partilho muitos pontos de vista e até exulto perante o teu desassombro. Neste caso, considero que não acertas e se calhar manejas um preconceito contra quem desconfia absolutamente do PM muito semelhante à desconfiança preconceituosa de esses seus detractores entre os quais me incluo: se os norte-americanos tiveram um Nixon, por que diabo não haveríamos de ter um também?! As notícias dadas a medo sobre o sr. Sócrates nem se comparam com o currículo do espécimen, que muitos conheceram de perto e naturalmente execram. Tenho muita pena da parte humana do sr. Sócrates, sempre sob suspeita e sob ataques de toda a natureza, sobretudo de blogues obcecados confrontados com factos arquivados por sistema. Não posso ter pena nenhuma do político sem escrúpulos, nada fiável e enganador, hábil e preso ao Poder como uma ventosa a um vidro húmido. Não há fumo sem fogo e não nos serve uma Justiça que poupa ardilosamente todos os isaltinos, valentins e sócrates, mas é implacável com a arraia delituosa comum. Imagem, meu caro, tudo isto é uma questão de imagem: Imagem do país, Imagem do espécimen, Imagem disto que mal parece Portugal pois mais se parece com o verdadeiro país dos gnomos e de quem escreve gnomonianamente, baixando as calças em se tratando do Poderzinho.

O PRÍNCIPE PUTREFACTO


Não há palavras, nem Hospital Magalhães Lemos, que traduzam este acabado parvalhão«Deus Nosso Senhor»? «Príncipe da Democracia»? Realmente, também não conheço um só "socialista", deste calibre ou de outro mas com estes genes, que esteja pobre ou na miséria. E fica absolutamente tudo dito.

terça-feira, julho 27, 2010

TÓXICOS COMO SÓCRATES

Não! A "verdade", em Portugal, é uma coisa que nunca vem ao de cima. Pelo contrário, é abafada, maltratada, esmagada, torturada, espremida, encerrada em masmorras, fornicada, esquartejada, alvo de assédio, pressão por telefone, pressão por telemóvel, pressão com prendas, pressão com ameaças, dada a comer aos cães e, no fim de esse processo verdadeiramente esclarecedor, dá à luz abortos, sorridentes e tóxicos, como Sócrates, e quem mais o agarrar, como às pombinhas da Catrina. Isto não é toda a gente que sai sempre limpo, fresco, virginal e impoluto (como o breu) apertados devidamente os colhões certos à Justiça ou lá ao que lhe queiram chamar. Horrendo, abominável, eis o mínimo a dizer de qualquer espectáculo de branqueamento seja aqui, seja na China.  Depois não se queixem, enquanto se equilibram nesta ciranda de loucos!

ESCUDO ANTI-MISSA

Eu até entendo os pressupostos de CAA, neste artigo. O que me enche de surpresa é que ele não veja como cristalina a necessidade de políticos e gestores chegarem-se visível e efectivamente à frente, darem o exemplo e contribuírem ostensivamente para minimizar a fome e o desvalimento de milhões de portugueses. No seu artigo, espécie de escudo anti-missa, CAA centrou a argumentação numa equiparação abusiva Estado-Igreja. Se há esperteza tipo Jardim Gonçalves para meter sumptuosamente ao bolso com esquemas tão formalmente engenhosos quanto socialmente perversos, terá de haver ainda mais esperteza compensatória da parte de quem mais lucra, pelo desnível cavado, obsceno, na sociedade portuguesa, mais notório que nunca. O Estado nem é pessoa de bem nem  referência ética, mas a Igreja, pelo contrário, tem uma mensagem que sobrevive a qualquer hiperbólico apelo de D. Carlos Azevedo e não beneficia tanto assim dos tacticismos elencados pelo opinador. Por que motivo fogem eles, políticos e gestores, de essa mensagem urgente e se multiplicam em desculpas?! A conversa aqui já não pode ser fiscal, mas situar-se no plano da pura e imediata solidariedade.

CÚMULO DA FEALDADE

Convinha que a sociedade portuguesa acordasse para isto: se estes indivíduos esquematizaram fórmulas sofisticadas de ganho pessoal com manipulação de números na sacrossanta actividade bancária, há quem se dedique a empreendimentos semelhantes com Nações, Estados e Povos, sem qualquer espécie de vergonha na cara e nulo escrutínio da nossa parte. A malícia e o vazio ético são o cúmulo da fealdade, seja qual for o ramo e o nível de responsabilidade, mas nestes casos trasandam por demais. Por que não se demitem estes últimos, assim que lhe moverem um processo subscrito por milhões de nós?!

MORTE & MORTE LDA.

Compreendamos bem esta lição: Guterres afastou-se assim que compreendeu para que buraco negro atiravam o País desastrosas contas públicas e puros erros de gestão despesista aliados ao ávido séquito de "socialistas" serventuários de si mesmos, atirados à mais despudorada glutonaria clientelar por sua vez alcandorada às secretarias de Estado com as  experiências de tipo Vara. Era um homem sério. Por sua mão, o País afundava. Pois sairia pelo seu próprio pé, sem mas. Assumiu ter falhado. Desapareceu de cena porque não suportava estar em cena apenas por razões de mercearia devorista do erário público. José Sócrates, bem pelo contrário, transformou o discurso político na arte espalhafatosa do oco e a não assunção de responsabilidades na arte negra da vida pública como nenhum Niccolò Machiavelli alguma vez ponderou para um Príncipe. Discursivamente, discorda do projecto de revisão da Constituição do PSD, no que respeita ao plano reestruturador do Serviço Nacional de Saúde em estado de irremissível falência. Na prática, os anos Sócrates foram matando até ao limite, espremendo e enfiando num buraco, esse mesmo Serviço Nacional de Saúde. A publicidade horrenda do socratismo é contradita pela secura das suas medidas cegas. Anos cujo zelo pelo Serviço Nacional de Saúde só pode ter sido proporcional à beleza harmónica da vuvuzela: extinguiu maternidades e SAP's, eliminou urgências em hospitais, extirpou centros médicos, estrangulou a sustentabilidade e a decência do INEM. Tudo isto, enquanto encorajou o negócio abortivo com a frieza da falsa e enganosa prioridade, dando a mensagem perversa, errada. A da Morte. Pois bem, o legado é esse: o desprezo pela periferia das periferias, o corte cego em função dos números num desprezo mercantilista pelas pessoas concretas e as suas necessidades de Saúde Pública. Não há mentira enrolada em papel sorridente que nos suavize o profundo ultraje a que a situação putrescente socratista globalmente nos submete.

DOCE PASSIVO TAP

Chega-se a um momento em que os "socialistas" ou o PS-Governo não sabem o que fazer das palavras, havendo algumas que escaldam na língua mediática, que fala o conveniente e indolor. Por exemplo "privatizar". Qual a linguagem mais indicada para continuar a fingir um discurso de Esquerda enquanto se pratica pela Direita o que seja preciso embora pareça mal, tendo em conta a forte coacção de Bruxelas? «... a privatização da TAP consta do PEC que o governo entregou em Bruxelas. E é sugerida pela Comissão de Reestruturação Económica e Financeira da TAP, criada pelo governo em 2009, ano em que a empresa registou 200 milhões de euros de capitais próprios negativos. [...] O governo pode ainda optar por assumir o passivo da TAP num quadro de venda da empresa a privados, mas a alienação de 100% do capital não parece estar nos planos do executivo. A fusão da TAP com a angolana TAAG ou a brasileira TAM foram outros cenários equacionados na administração da empresa e no governo de José Sócrates. Os jogos de semântica ajudam ao controlo do ciclo das notícias, mas não são particularmente esclarecedores para a opinião pública.» Carlos Ferreira Madeira

PATERNALISMO CATURRA

Quando Mário Soares diz que gosta da atitude de Passos Coelho, por este ser «educado», mas critica o projecto de revisão constitucional preconizado pelo presidente do PSD, dizendo que deu vários tiros nos dois pés, convém compreender o que isto veicula. Além da manifestação de um paternalismo viscoso por Passos pela razão de este não hostilizar ostensivamente o carácter disforme do PM, quanto à primeira parte, quanto à segunda, a mensagem essencial e profunda a relevar é que nada pode pôr em causa a captura pelo PS socratino do aparelho de Estado. Qualquer coisa que despolitize, despartidarize e desparasite o Estado ao mais alto nível, mesmo uma propositura de Revisão atabalhoada da Constituição como a de Passos, será mal visto e até recoberto com nervosas cruzes anti-vampiro pelos "socialistas-laicos-maçónicos", exemplares glutões daquele aparelho e a ele colados com as ventosas eternizadas da sem-vergonha. O PS socratista basicamente é isto e Soares politicamente também não passa disto. Por isso escorre por aí um fartar vilanagem na Justiça garantística de criminosos e corruptos, tenaz que nos aperta. Por isso avoluma-se a desgraceira nas contas públicas depois da farsa fraudulenta dos mil enganos pré-eleitoral, nas legislativas. Por isso do PS-Governo e do seu PM avultam a incompetência e a desmobilização geral e ainda assim uma insistência tonta em prosseguir como se fora de fresco, com o mesmo esgar obstinado e aluado. Soares paternaliza Passos, mas, caturra e faccioso como é, apadrinha de peito feito um Sócrates só arrojado na mais penalizadora estultícia de Estado: seguir sugando o erário e suspirando narcisicamente por si mesmo. Por qué no se calla?!  

FREE PORC

Charles Smith e Manuel Pedro vão ser julgados por corrupção e tráfico de influências, coitados!, tão solitários. Após anos de investigação, o Ministério Público considera ter havido tráfico de influências, corrupção e corruptores e há algo no ar que nos garante, nestes bodes expiatórios de segunda linha, que o caso sossega naturalmente dos seus altíssimos fumos funestos de altíssima corrupção ao mais alto e excelso nível. Os corrompidos conservam-se a monte, intocáveis e imunes, como de costume.

segunda-feira, julho 26, 2010

CAVALAR HIPOCRISIA

Tivemos uma semana de loucos com a disseminação de uma retórica espessa de fim do mundo, semeando o medo ao papão neo-ultra-hiperliberal que morava todo no PSD e em quem o apoie. Como o aparelho de Estado, apetecível e suculento, está bem como está por estar nas mãozinhas polpudas do Partido Absoluto Socialista e de quem o apoia, havia que gritar aqui d'el-Rei pelo fim da Saúde universal, pelo fim da Educação universal e pela porta aberta aos despedimentos sem freio, tudo medidas preconizadas pelo PSD e a sua revisão da CRP. Nesta semana, muda tudo e é a vez do 'assertivo' e 'firme' Ministro das Obras Públicas afirmar urgente privatizar uma empresa pública: diz ele que há «necessidade urgente de privatizar a TAP». Tudo bem que PSD e PS são os partidos-problema do Regime, mas é impressão minha ou estes "socialistas" são tão completamente doidos como eram os Romanos para Asterix?!

GANHAR PILAR

Se se efectivar realmente a obtenção da nacionalidade portuguesa por parte de Pilar del Río, que a requereu, Portugal ganha mais uma cidadã capaz de intervir ao modo como, gostasse-se ou não, Saramago intervinha. Omisso em tantas matérias, mas não na perturbada obsessão religiosa, ele foi alguém que buliu com a sacral indiferença humanista e compassiva de muitos e a quem nada justifica a recusa póstuma de um nome de rua, beco ou avenida. Pilar quer ser portuguesa? Óptimo! Faz mesmo falta quem diga qualquer coisa contra, por exemplo, os 5 milhões de euros gastos em pensões ou reformas vitalícias de políticos, contra o aumento obsceno da despesa corrente do Estado (o PSD deu a mão a isto, apadrinhou esse devorismo galopante em roda livre, meu Deus!) e o paradoxal endurecer (globalmente solitário ou desacompanhado de outras) das medidas restritivas do RSI. Quando as clientelas partidárias, sobretudo a "socialista", continuam a atirar o Estado para um abismo irremissível, como compreender os sacrifícios gerais, impostos unilateralmente pelo Par do Tango, sem o bom exemplo particular dos políticos e das suas políticas?! Falta quem, assumindo a plenitude da cidadania portuguesa, diga algo, estimule algo, exemplifique algo. Por exemplo, Pilar del Río. No fim de contas, fico a pensar que Portugal deve ter mel, tantos, sendo estrangeiros, o desejam. Não tem senão fel para milhões dos que cá nasceram e enfardam traições e mentiras de toda a sorte.

FONTAINHAS A ARDER

Ao que parece, «a situação é muito ».

«CONA» — DISSE ELE?

«"Porque é que o Luís Horta não vai fazer controlo para a cona da mãe dele?"» Uma análise preliminar de esta frase atribuída a Carlos Queiroz, mal-humorado, no dia em que recebeu a brigada da Autoridade Antidopagem (ADoP) em pleno estágio da selecção nacional, na Covilhã, obriga a uma conclusão rápida: não é só o problema de o playground planetário «cona» estar infelizmente associado a um insulto ordinário 'gravíssimo' e 'intolerável', mas sobretudo a capacidade de encobrimento que estes organismos (FPF, IDP) possuem, especialmente quando as coisas correm bem. Evacuar Queiroz é, há muito, uma questão de liminar higiene dada a desastrosa antipatia que cultivou aos mais diversos níveis. Imaginemos que as coisas corriam mesmo bem, Portugal eliminava a Espanha, conforme lhe competia, e seguia por lá fora, cagando e tossindo. Nunca, neste mundo, a «cona» da mãe de Luís Horta seria notícia e, portanto, pretexto válido, aliás, para o despedimento por justa e atendível causa do 'professor' Queiroz.

CAN'T BELIEVE MY EYES

OK, então ficamos assim: Rui Pedro Soares fica dono do Sol, Valentim Loureiro licita a Lua e Isaltino compra um Tribunal perto de si. Assim se transforma tudo isto numa coisa bem mais exótica e à medida. Sócrates já deve ter fundos para comprar a TVI e nem percebo por que  o não faz. Teria mais antena e certamente muitos tête-à-tête com Marcelo.

domingo, julho 25, 2010

É O QUE SE QUER

«Com a inofensiva “Samp” a ver quase sempre jogar, o FC Porto dominou por completo toda a partida.»

IPPON FOR LIFE

Quando, na vida de cada qual, a dor se excede e a provação está repleta de desmesuras, nada melhor que partilhá-las com os outros, amados e próximos ou benévolos leitores, partilhando o que se é até à última gota. Foi o que fez o Tiago consigo mesmo também através do seu blogue. «Este é o meu Ippon fo Life!» Não poderia perder a oportunidade de evocar tal luta e tal testemunho exemplares à altura dos quais todos deveríamos estar, aprendendo desde já a ler e a valorizar em vida o que se torna demasiado fácil e até ocioso prezar somente aquando da morte. Fac eas [animas defunctorum], Domine, de morte transire ad vitam, quam olim Abrahae promisisti, et semini eius. 

A UNIQUELY HUMAN GIFT

«Language is a uniquely human gift. When we study language, we are uncovering in part what makes us human, getting a peek at the very nature of human nature. As we uncover how languages and their speakers differ from one another, we discover that human natures too can differ dramatically, depending on the languages we speak. The next steps are to understand the mechanisms through which languages help us construct the incredibly complex knowledge systems we have. Understanding how knowledge is built will allow us to create ideas that go beyond the currently thinkable. This research cuts right to the fundamental questions we all ask about ourselves. How do we come to be the way we are? Why do we think the way we do? An important part of the answer, it turns out, is in the languages we speak.» Lera Boroditsky is a professor of psychology at Stanford University and editor in chief of Frontiers in Cultural Psychology.

TRAGIC LOVE PARADE

Dezanove pessoas morreram e trezentas e quarenta e duas estão feridas com gravidade na sequência do desejo de chegar à Love Parade da cidade alemã de Duisburgo. Concebida em Berlim, em 1989, para celebrar o espírito da queda do Muro, a Love Parade juntava todos os anos, na capital alemã, cerca de dois milhões de participantes heterossexuais, homossexuais e indefinidos. Ontem deu para o torto e à entrada do espaço para o efeito, quando o pânico irrompeu num túnel de acesso que aliás era o único acesso, mas a culpa não é com certeza da opção sexual nem sequer da abundância de sexo, drogas e álcool, ao que consta. Claro que, perante esta tragédia, há quem seja estridente na defesa do facto de a Parada do Amor / Parade der Liebe não ser propriamente uma parada gay, apesar das insinuações dos jornais portugueses, como se não o soubéssemos ou não soubéssemos que relevar isso faz toda a diferença. [foto do The Sydney Morning Herald].

DA ARTE DE DESPEDIR

«Portugal acha que mais vale falir e despedir toda a gente do que despedir um funcionário. O antigo governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, afirmou em tempos que achava a lei laboral equilibrada, porque apesar de ser muito difícil promover o despedimento individual, o despedimento colectivo está facilitado. Brilhante. Um só, nem pensar. Às dúzias, façam favor. A questão do despedimento só poder ser feito com justa causa é um absurdo. Podemos ‘despedir’ o cônjuge, com quem fizemos um contrato para a vida, com um estalar de dedos, mas ficamos casados com o/a empregada até que a reforma nos separe.» jcd

sábado, julho 24, 2010

A PRESSÃO DA IGREJA

O que o Francisco Mendes da Silva escreve sobre a Igreja e sobre os Políticos não é só, resumidamente, um velho argumento maldoso e hipócrita em quarta mão. Além de o ser, não anula esta evidência: os políticos gerem impostos e recursos. Decidem a partir e de acordo com o para que são mandatados por todos. Em Portugal, traem esses princípios na medida em que têm legislado a favor da sua própria corporação e em seu próprio benefício de políticos (no activo ou reformados) desde há três décadas, evitando falar e agir com realismo e prudência aos cidadãos, num jogo modicamente limpo. Pelo contrário, a Igreja não gere impostos e o seu vastíssimo património, ao contrário das obras de arte pilhadas por prestigiados Países Ocidentais ao longo dos séculos e hoje nos respectivos museus a gerar pasmo, foi uma dádiva livre da fé dos Povos. Tem um valor simbólico, artístico e espiritual que é uma referência à Grandeza para que a Igreja antes de mais apela. Deveria ser evidenciado também que certos políticos no activo do PS-Governo vieram pôr paninhos quentes ao apelo da Igreja para que prescindam de 20% dos seus rendimentos. E vieram fazê-lo com enorme e evidente desconforto. Ouvimo-los falar dos imperativos secretos da própria consciência individual, como se efectivamente a tivessem ou a exercessem. Citaram o próprio Evangelho, «a mão esquerda e a mão direita». Basta recordar Vieira da Silva e Pedro Silva Pereira, nas suas intervenções públicas. E porquê? Porquê uma resposta tão evasiva e individualizadora da caridade e do sacrifício de abdicar do que lhes excede? Porque a verdade é que a miséria em que recaem milhares de portugueses é uma obscenidade com agentes e causadores. Miséria para cujo remédio já só existe a verdadeira partilha. Dada a gravidade do cenário,  não chega que seja voluntária. Tem de ser compulsiva sob pressão social, eclesial, intelectual, cívica. 

SOBREENDIVIDADOS

«Socialmente as pessoas não querem assumir as dificuldades financeiras nem o desemprego. E assumir a perda de bem-estar é ainda mais doloroso. Sempre que se sugere às famílias que cortem em algumas despesas "supérfluas", a primeira resposta é quase sempre igual: "Não conseguimos viver sem isso". Muitas famílias são desorganizadas e não querem deixar a zona de conforto e admitir a nova condição. Têm de ir ao cabeleireiro, aparecer nos jantares de amigos, fazer férias no Algarve, ter carro, telemóvel, TV Cabo... Caso contrário, não conseguem acompanhar os amigos e deixam de os ter... Esse é grande drama das pessoas.» João Duque

BREVE HISTÓRIA DOS ABRANTES

Mas em Espanha. Lá como cá ou onde há "socialistas" há um apego especial pela "política" como eternizada forma de fazer pela vida.

PORTUGAL ESQUARTEJADO

O funcionalismo público fantasmagórico não é um exclusivo da Guiné-Bissau nem tão benigno cá como é lá. Ele é praticado ao mais alto nível em Portugal: o esquartejamento do Erário Público, monstruoso e sem qualquer escrutínio, segue intocável e desonesto pelo PS-PSD, enquanto se fasciza e torna intolerável a vida comum com impostos sobre impostos. Não é remotamente que por isso mesmo se encerram escolas e se desertifica o interior para supostamente se "optimizar" ou "maximizar" recursos ou "racionalizar" gente e se chantageia os pequenos núcleos de cidadãos, caso protestem. 

TRAIÇÃO AO TERRITÓRIO

«....não contesto o entusiasmo que isto suscita em todos os órfãos de uma Grande Revolução Cultural, em especial entre aqueles que, tendo abandonado o esquerdismo em tempo útil de carreira política, não deixam de se sentir seduzidos por estes movimentos que eles chamam de reforma, mas que mais não se tratam do que de outra coisa… e nesse aspecto a terminologia revolucionária do intelectual Vital faz todo o sentido. Até porque neste aspecto a herança indiferenciadora dos ideais marxistas-leninistas une-se num abraço estreito com as do liberalismo de tipo napoleónico: ambas reduzem as pessoas a números e a massas estatísticas que se podem transformar por decreto. Pelos vistos hoje acordei mesmo eu.» Paulo Guinote

SPORTING EM GRANDE

Vi com entusiasmo a fantástica exibição do Sporting, ontem, nos Estados Unidos, face ao petromultimilionário Manchester City, mas o que cito em seguida parece ser ainda mais impressionante: «Em Portugal, a crise obriga a aumentos de impostos. Ou a "apertar o cinto", uma expressão que se tornou típica no léxico nacional. Em Macau, os buracos do cinto tendem a alargar, de tal forma que, no próximo mês, cada um dos mais de 500 mil habitantes receberá do governo um bónus entre os 350 euros (residentes temporários) e os 600 euros (residentes efectivos). Os lucros do jogo estão a crescer numa média de 30% por trimestre e, segundo relatos locais, as lojas com malas da Louis Vuitton ou com roupas Channel ou Armani têm filas intermináveis com pessoas da China.  O Sporting, com a colaboração da filial local, tem agora a oportunidade de abrir uma academia com todas as condições para explorar um filão como poucos mas, ao invés, pretende fazer erguer um projecto noutras condições na vizinha China até 2012.» i

ESTA GENTE POLITICAMENTE INFECTA

«Nestes últimos anos mais do que nunca, a missão e os "objectivos" da Escola não são de todo confundíveis com a prática e os objectivos desta gente politicamente infecta que nos cabe em sorte aturar.» Carlos Botelho

SARAMAGO NA FLIP 2010

Lou Reed era para ir, mas não vai à Festa Literária de Paraty, FLIP. Por isso, a organização do evento decidiu não substituir o eterno líder do Velvet Underground por outro participante. No lugar da mesa com o músico, a FLIP vai contar com duas novas atracções no sábado, dia 7 de Agosto. Os escritores Carlos Drummond de Andrade e José Saramago, morto em Junho deste ano, serão homenageados com leituras de suas obras. 

sexta-feira, julho 23, 2010

OS SETE FÔLEGOS DE ASS

ASS é um animal político e retórico, com genomas estalinistas e fascizóides encapotados pelos conceitos opostos ditos e repetidos ad nauseam em boca própria. Ninguém mais democrático. Ninguém mais moderado. Ninguém mais social. Ninguém mais eternizado no Poder e disposto a qualquer osso para o efeito. É uma espécie de Lello, só que nem tão óbvio nem tão vazio. Com laivos mesmo de pensamento revestido com verve de acutilar, ASS é incansável como um Lenine. Quando mais desesperados se encontram pelos índices decrescentes de popularidade aferidos pelo respectivo medidor, mais os "socialistas" accionam ASS. E ASS debita trauliteiradas com a linguagem do século XIX e a demagogia do século XXI ou XXII. É um tocador de pífaro político e o azar é termos de o aturar indefinidamente dada a consistência lesma de toda a Oposição, PSD sobretudo, e do PR. Um melodioso irmão de alma dos ministros da propaganda dos velhos sistemas de pensamento unívoco e uniformizado, ASS é um ferrinho para duas de letra na hora de malhar nos adversários políticos, apodando-os cinicamente de Direita sem se rir. Pelo meio, ainda consegue ser Ministro da Defesa. É obra.

PGR SOB CONDUTA CRIMINOSA?

Mais uma insurgência contra a conduta supostamente criminosa do PGR, mas que não passará de notícia de jornal, nota de roda-pé a animar mais um dia de impunidade ao mais alto nível perfeitamente normal. O Estado de Direito é uma ficção tal como o Estado Social: «"O Código Penal diz que documentos desta natureza não podem nem devem ser destruídos, sob pena de o respectivo autor ser punido por uma pena de prisão, o que perguntamos ao procurador-geral da República é que nos explique em que circunstância é que foram destruídos os documentos e se foi tido em conta que existe uma incriminação para este tipo de conduta".» Fernando Negrão

INVERSAMENTE PROPORCIONAL

Aparentemente a Banca Portuguesa resiste aos testes de stresse, mas essa resistência só pode ser inversamente proporcional à paciência e resistência da esmagadora maioria dos Portugueses quer à adversidade da política e dos políticos quer também à adversidade nos processos de assédio e esbulho da mesmíssima Banca.

O ANELO DE SER PORTUGUÊS

A julgar pelos números (em média, 3863 pessoas recebem a nacionalidade cada mês), tem sido este o modo como se supera o défice reprodutivo nacional. A felicidade por alguém se transformar em português, após longo tempo de anelo, deveria merecer um estudo especial e à parte: «"Em 2007 decidi que tinha de tratar do assunto", conta. Quando, seis meses depois de entregar a papelada, recebeu uma carta, ficou "felicíssima". Mas afinal continuava em falta o registo criminal e, depois de "algum desleixo", só este ano entregou o documento. "Há duas semanas recebi o meu cartão do cidadão."» Inês Cardoso

ENFARDAR A NORTE

O sector bancário está de parabéns e nada nem ninguém se poupa a salvaguardá-lo, nem mesmo a Comissão Europeia, já o mesmo não se poderá dizer dos esforços por elevar, proteger e dignificar a Sociedade porque, a partir do próximo ano lectivo, já não vão abrir 701 escolas do primeiro ciclo, mais 200 do que a estimativa inicial do Governo, sendo que mais de metade localizam-se na zona Norte. Portanto, só boas notícias. Nada de mexer nos bois do socialismo, nos observatórios, nas assessorias redundantes, nos gabinetes e fundações-sorverdouro: a Casa Pública comum estala de dívidas e dificuldades como madeira ressequida enquanto Ministério da Saúde parece deve quatro milhões de euros em cheques-dentista às clínicas da Região Norte, consolando-nos a tutela ao dizer que deve "apenas" 2,38 milhões, pelo que, na dúvida, os médicos já recusam pacientes em virtude do atraso nos pagamentos às clínicas que aderiram ao programa de saúde oral. O aprendiz de feiticeiro que finge governar isto não pára de sorrir enquanto literalmente "optimiza" recursos e faz o Norte enfardar a triplicar. Cada vez fica mais claro o real conceito de Estado Social e de como se defende: fustiga-se o Norte com um brilhozinho nos olhos.