terça-feira, agosto 31, 2010

BACCHANALIA FESTA

Silêncio. No seio da mediocridade política nacional emerge a novela Queiroz à falta de temas e personagens mais meritórios ou conflitos mais fecundos. Desaparecem todos os demais actores para enfrentar os demais problemas, angústias a sério, despedimentos por carta, por SMS, porque não há rosto para comunicar tanta devastação. Ter as presidenciais no horizonte condiciona moções, denúncias e palavras urgentes para a reorientação da bússola da acção política às as matérias mais urgentes: uma gestão frugal e parcimoniosa dos recursos do Estado; a superação de uma lógica clientelar na organização do Estado; a instauração do mérito, substituindo o favor político nos níveis intermédios e de topo na função pública; a extinção das parcerias público-privadas mais danosas, dos desmandos criminosos que possibilitam. O ar público segue inapropriadamente murcho. A leveza é tal que vemos Marcelo comentar desportivamente Alegre como mal apoiado por Sócrates e vemos Alegre passando os dias calado ou, se fala, a soltar baboseiras, refrões de pólvora seca, como por exemplo esse clamor pelo Estado Social falido; ou então menciona corrosivamente Cavaco como se não fosse o PR o grande elo de sustentação, aliado prático e consecutivo, das políticas de um PS-Governo contestado precisamente pelo mesmo Alegre, quando ainda deputava. Há tal ambiguidade, tal dualismo nestes actores, estratosfericamente fora do País sofredor, que é como se tudo se tocasse e misturasse, orgia de consentimentos, silenciosos pactos, paradas, esperas, emboscadas. Dá a impressão que o País morre, mas esta gente comenta outra coisa e está noutro lugar. Cala. Mergulha na baça política. Baços tempos, bacchanalia festa.

EM FORMA DE PUBLICIDADE

Concordo com os postulados de Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada, sobre o SNS tal como ele ainda é e não deveria ser, nas suas terríveis insuficiências e indignidades. As coisas não são como o "socialismo" beato as pinta e mistifica, especialmente quando o cenário de colapso e falência roça o horizonte. Mas, all in all, o que mais avulta para além de tudo nestas conversas em pingue-pongue, 31 da Armada/Câmara Corporativa, é a publicidade. A publicidade hetero e auto, esfregada e roçada, na bloga, sim, está em grande forma. Magna Ironia. Um blogger aparentemente insultado ou menoscabado por outro, logo o promove num publicitarismo generoso e liberal. A grotesca posta de resposta a uma provocação, neste desporto, tipo: «Você é um ignorante!» — «E você é um estúpido!» representa um jogo subterrâneo promocional onde a amizade e a benevolência aguardam por eclodir, se é que já não efervescem em beijos, abraços, copos e aperitivos. Adoram-se na medida em que ensaiam polemizar, como se a melhor forma de retorquir a provocações e insultos não fosse ignorá-los olimpicamente.

O MORIBUNDO VIVAZ

Sendo o cenário do desemprego em Portugal uma catástrofe sem precedentes, o Governo resolveu dar-lhe luta. Como? Com uma vasta acção de marketing. Marketing para quê? Para provar que toda a luz reside no maravilhoso mundo das décimas. O Eurosat diz que o desemprego em Portugal está nos onze por cento? Contesta-se os dados do Eurostat sobre desemprego em Portugal. O modo como o Governo se afiambra às décimas lembra os transes quixotescos mais tresloucados e nenhuma autodefesa poderia ser mais ridícula e mais pífia. Por isso, a percentagem oficial do Executivo para o segundo trimestre deste ano fornece-a o Instituto Nacional de Estatística (INE) e é de 10,6. O porta-voz desta batalha terceiro-mundista pelas décimas é o fantástico secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, Valter Lemos, um homem conhecido pela sua extrema honestidade e absoluta competência. O Governo é um novelo moribundo agarrado pelos fios do calculismo e da contradição, mas vivaz a defender-se, disfarçando a realidade.

IMPRÓPRIO PARA CONSUMO

Alegre é como um produto estragado. Foi vendido ao BE como cheio de garra, capaz de bater o pé à treta tirana do PS volúvel socratista e o seu sistema oprimente sempre ao arrepio dos próprios discursos e respectivas boas intenções. O Alegre das grandes babas de resistência a abusos que perorava no Parlamento calou-se irremediavelmente. Não existe como activista cívico. Calou-se como espírito independente. Todos, especialmente Sócrates, o calam. Uma pechincha na pequena e desprezível barganha política.  Não importa se é triste e trágico ter o PS unido num silêncio tenebroso em torno da sua candidatura. Perante o Governo-PS, enquanto grande desmantelador do Estado Social e absoluto dissolutor da res publica na sua sustentabilidade, Alegre assobia para o lado e trata das unhas. Emudeceu no que aos pontos de fractura do BE com tal realidade diz respeito. Emudece enquanto os debates mais estéreis eclodem, Revisão/Orçamento, e as clientelas continuam sôfregas a estrangular o erário assim como os burocratas coactores de subordinados propagam mentiras na Saúde e na Educação, dando mais consistência ao País de Alice gizado por Sócrates e à retracção da nossa esperança. Unir no nada não é unir.

EFEITO PASSAGEIRO DE PROBABILIDADES

«Coisa alguma me explica: os meus vícios e as minhas virtudes são absolutamente insuficientes para isso; a minha felicidade fá-lo melhor, mas com intervalos, sem continuidade, e sobretudo sem causa aceitável. Mas repugna ao espírito humano aceitar-se das mãos do acaso, não ser mais que o produto passageiro de probabilidades a que nenhum deus preside, nem sobretudo ele próprio.»
lkj
Marguerite Yourcenar - "Memórias de Adriano"

segunda-feira, agosto 30, 2010

O GRANDE FRITO

Podemos não concordar com o processo que arrasta Carlos Queiroz nesta vil via sacra, mas o homem pôs-se a jeito: nada disto se passaria se Queiroz não se mostrasse tão irredutível quanto ao próprio afastamento, após ter destruído o seu capital de credibilidade e confiança no balneário da Selecção e ter concedido entrevistas com justificativas a configurar uma quebra unilateral de lealdade. Histórias do amadorismo dos outros, a suscitação de um "polvo", desculpas e mais desculpas. Queiroz não se remove nem se deixa remover. O seu apego é feio. Por isso está a ser cozinhado, frito, assado, agora com mais uma medalha para a colecção: foi esta segunda-feira suspenso por seis meses por perturbação de um controlo antidoping, anunciou em comunicado a Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP).

MAU

Mau. Primeiro Deco, depois Simão e agora Paulo Ferreira. É difícil que o precoce renunciar à Selecção de estes jogadores tarimbados nada tenha a ver com o efeito da miserável quezília Queiroz/FPF. Antes que mais alguém renuncie, gerando natural estranheza e natural estupor entre a massa mundial de fãs e apoiantes, urgiria avaliar o papel destrutivo rejuvenescedor do Grupo desempenhado por aquele litígio menos que infantil, tendo como pano de fundo a gestão desastrosa das dinâmicas interpessoais de Queiroz na saga pífia do Mundial da África do Sul. Queixas sucessivas dos jogadores nas flash-entrevistas. Desautorizações do seleccionador. Completo descarrilamento e descontrolo na salvaguada da unidade Equipa Técnica / Jogadores. Onzes de susto e contenção. Jogadores fora da sua posição de máximo rendimento. É muita fruta. Azeda. Muito navegador naufragado.

domingo, agosto 29, 2010

ELIS REGINA — ÁGUAS DE MARÇO

'TÁ QUIETO Ó MAU"

Por vezes fico impressionado ao ver como Alice Vieira, no JN, acredita no Pai-Natal na medida em que escreve naquela toada paternalística que confere ao Salazar de serviço a chave de toda a acção protectora e zeladora do bem comum, entidade que, por sua vez, nele deposita toda a esperança messiânica. Não existe em Alice aquela energia ou pulsão cívica que estriba com esta lógica depoente da confiança no Poder. Isto cola-se bem à confortável posição oligocrata em situação de gratidão sossegada e que ignora outras pulsões e moções em efervescência no cadinho da sociedade ou que no fundo as olha mais como ameaça que como destino fatal das sociedades civicamente avançadas. A invenção da personagem sr. Luís, no último texto, cola-se muito mais à figura do cliente político desesperado com o risco que uma mudança de Executivo envolve. Por isso junta as mãos, ajoelha-se e reza por Sócrates e se tem alguma coisa a dizer só a ele o dirá. O taxista Luís, com a solução milagrosa para o País, está completamente morto. Nunca chegou sequer a ser personagem. Se o fosse seria muito mais propenso à calhandrice. Vale a pena atentar nesta pérola: «E é bom que Sócrates se apresse. Primeiro, porque o país está numa crise que não aguenta mais. Segundo, porque se a resposta tardar, ele vai direitinho a Espanha oferecer ("oferecer" é, como já vimos, uma força de expressão) os seus serviços. Eu, se fosse ao eng.º Sócrates, apressava-me a mandar chamar o sr. Luís, antes que ele  mesmo sem TGV -desande para Espanha. Há alguns séculos houve um tipo que fez isso como pretexto para dar a volta ao Mundo  e ficou-nos sempre atravessado… Quando quiser, sr. primeiro-ministro, é só dizer, eu tenho todos os contactos. Até porque o sr. Luís prometeu fazer a minha felicidade se eu o ajudar a fazer a felicidade de toda a gente.»

AGOSTO FUMEGANTE

O mês de Agosto assistiu ao agudizar-se a percepção de que a Justiça claudicou completamente. Convém não esquecer que perante o silêncio tumular de Cavaco, os factos que a imprensa divulgou paulatinamente sobre o berbicacho Freepork, numa base quase diária, expuseram uma Justiça sul-americana que soçobra ao dúbio favorecimento e protecção de uns tantos tidos acima de quaisquer suspeitas porque sim, ideia a que estão indelevelmente associados os nomes de Pinto Monteiro e Cândida Almeida. Notícias são notícias. Por outro lado, o encerramento de 701 escolas atirou o Ensino para uma triste descoordenação logística, onerando famílias e municípios com a questão dos transportes, engendrando deserto e desolação novos no Alentejo profundo e esquecido, digno de todo o amor, e no Norte há muito em longo e inexorável declínio. O processo deveria ser completamente invertido. Finalmente, o calor e os fogos vieram no pior contexto possível porque a falta de recursos implicou quebra na vigilância das matas, onde toda a prevenção se transforma em eficácia, e as forças para combate mostraram fragilidades aos mais diversos níveis. Agosto mostrou um Governo estático, sumiço, incapaz de mobilizar e expor um rumo credível e claro a tal ponto esgotado que se perde agarra à politiquice mais incontinente como gato a bofe, com José Sócrates ainda a gesticular punhetas imaginárias em fugas quixotescas aos factos puros e duras da nossa economia naufragante. Pedro Passos Coelho pactua com tudo isto, embora à última hora com uma retórica de ultimato: nunca ousou fazer do Parlamento a arena de uma crítica cerrada, ponto por ponto, ao despesismo perdulário do Estado-PS, matéria que configura — e isto é suficientemente grave  a quebra de um acordo tácito para aprovar um PEC que determinou um brutal e obsceno aumento de impostos. Os portugueses são concitados a fazer a sua parte. O Governo Estado-PS não faz a sua.

DESPROGRESSÃO E LITÍGIO

Deslealdade sem tamanho que prima pela incapacidade de não surpreender, ultrajando quem trabalhou e confiou! Coitados dos três mil trabalhadores da Administração Fiscal. São obrigados a avançar para um mega-processo judicial contra o director-geral das contribuições e impostos, José Azevedo Pereira, que revogou os pontos por eles acumulados nos últimos anos e necessários para progredir na carreira. Será em Setembro que a acção judicial avançará. Procurarão anular a revogação feita por José Azevedo Pereira à pontuação dos funcionários  acumulada nos últimos anos: em 2009, os trabalhadores do Fisco tinham uma determinada classificação. Ela foi alterada em 2010, impedindo-os de progredir na carreira. O Estado, além de não ser uma pessoa de bem, também não tem palavra, embora se refugie no PEC e no OGE como emergências justificativas, obteve afinal dos seus funcionários a produtividade que depois não cauciona, pelo contrário, sanciona. 

COISAS PARA ARDER

Santa Podridão! A guerra ao carácter do PM não nos dá descanso. Os media não lhe largam o tornozelo. Há sempre umas pontas. Deixem lá o homem trabalhar e ter sossego, pá. Logo agora com mais uma diligência só para incomodar o PGR que não tem tido descanso a combater incêndios e a fazer os rescaldos. Já aqui demos conta de que a Engonhadoria Geral da República pedira há dias ao Tribunal de Loures informações sobre o envio da certidão com declarações de um dos arguidos no julgamento de Mário Machado sobre alegado favorecimento da família do PM. A fogueira já está acesa e está tudo preparado para incinerar as denúncias e destruir tais papéis que presumimos não terem sido matéria de chantagem por silêncio. Rui Dias, condenado a uma pena única de nove anos de prisão efectiva, referiu a existência de documentos de fluxos financeiros que alegadamente envolvem familiares do primeiro-ministro, ao depor na sessão de 30 de Junho do julgamento de Mário Machado, na 1.ª Vara Mista do Tribunal de Loures. Disse ainda em tribunal ter documentos que referem o desvio de 383 milhões de euros, envolvendo "o tio, o primo e a mãe" do PM. Gestor financeiro na área de mercados de capitais, Rui Dias diz que é por causa de esses documentos que está detido preventivamente, acrescentando que são originais e não cópias. Mário Machado, que também interveio depois de um juiz do colectivo ter anunciado que iria enviar para a PGR a certidão, garantiu na altura que «os documentos estão em dois blocos escondidos em dois sítios diferentes». José Manuel de Castro, advogado de Mário Machado, referiu que o alegado dossier integra «comprovativos originais de depósitos e transferências de bancos em paraísos fiscais» e entregou a documentação na PGR a 2 de Julho passado. O juiz do colectivo da 1.ª Vara Mista do Tribunal de Loures sustentou a extracção da certidão pela «denúncia de factos graves». Após tantas narrativas, as mais recentes, a novela inconclusiva Freeport, o romance indeterminado Face Oculta, teremos a crónica da sociedade em fascículos Tio, Primo, Mãe. Nada a temer quando se tem o Super-Engonhador com os seus super-poderes para super-engonhar.

CAVACO NÃO DIZ NADA

Ou a plantar couves na sua quinta de estimação familiar ou de papo para o ar na praia Olhos de Água, a Cavaco ninguém o vê e sobretudo ninguém o ouve. Ali, a palavra parcimoniosa [de que Sampaio nunca seria capaz e Soares reverteria em onanismo verborreico compulsivo] roça o meio caminho entre a inexistência e o anti-espectáculo, pois a banalização do discurso cria ainda maior desânimo entre as gentes. Nunca saberemos a estrema caváquica. Nem se lhe conhecerá uma espécie de rentrée presidencial. Porque confrontados com a realidade todos perdem, Cavaco, Sócrates e Passos Coelho, o melhor será estarem juntos para minimizar os estragos que eclodirão. O Orçamento tem de passar. Quanto ao resto da mercearia conceptual de encher, que espere. Não temos tempo.

O FRANCISCO

Vou romper com o fascismo do elogio mútuo, fazendo um encómio muitíssimo mais livre pois sem qualquer expectativa de retribuição ou interesse nela: parabéns, Francisco. Cinco anos de blogue. Uau! O teu blogue está para a bloga como que o pão está para o Pingo Doce: mais fofinho. Pronto, já fiz. 

À CIGANADA PORTUGUESA

Agora que Sarkozy se encheu de coragem para conduzir a "ciganada" ao seu ponto de origem, mas com direito a voo e a cheque dentista, os roma tomaram-lhe o gosto e da próxima não porão os pés em França, mas, sim, em Espanha ou na Inglaterra. Com um pouco de sorte e mau aspecto, podem ser deportados de novo e ao fim de duas ou três deportações, dados os números de cada agregado, poderão alcançar uma pequena fortuna. As novas deportações são chiques porque não envolvem longas marchas da morte, os deportados sentem-se tímido-contentes com a atenção das câmeras do fugaz, pois os media degustam isto com a mais despudorada hipocrisia. De repente, todo o Arco Político se compadece da higiene precária, das pulgas, dos percevejos, da liberdade para moinar, das mulheres-máquina de parir. Sob um ângulo completamente imprevisto, temos mais, nós portugueses, é que pôr os olhinhos na "ciganada" deportada. As políticas em Portugal têm consistido em fazer a mesma coisa aos portugueses e cada vez com menos disfarce. Deportá-los do cerne da decisão e do centro da legitimidade política. Os deputados respondem perante os líderes políticos, não perante cidadãos que os não puderam conhecer e escolher. Os portugueses são ciganos no seu próprio País, pelo menos é assim que o Executivo e o Regime os trata. Quem, por todos os meios de fazer corar Armando Vara, não tem dinheiro em off-shores, é cigano. Quem se inscreve nas Novas Oportunidades e obtém quase instantaneamente um diploma com o qual já agora poderia ter nascido, é cigano. Quem paga o Fisco monstruoso que pagamos e não vê os problemas do défice e da dívida resolvidos, mas, pelo contrário, a Despesa a crescer descontrolada e o rating da República a encarecer sucessivamente os juros da própria dívida, é cigano. Quem nunca foi indicado para um cargo por Almeida Santos ou Mário Soares, longe da maçada de um concurso, é cigano. Quem recebe o RSI e progressivamente desaprende da procura de emprego, absorve uma cultura de dependência do Cacique, descrê da importância de estudar, para quê?, é cigano. Quem não é amicíssimo do Procurador Geral da República e não está metido em sucessivos berbicachos com grossas maquias de dinheiro surripiado com a sofisticada engenharia oportunística, só pode ser cigano. Portanto, portugueses, bem-vindos ao vosso admirável mundo cigano de ciganos. A vossa deportação faz-se de pasmaceira espiritual e passividade para com chulos. O vosso nomadismo consiste na indignidade de um Povo indiferente ao próprio destino e a quem o reja. Pode ser o Diabo. Pode ser a Europa, porque o seu único e grande lema resume-se no indiferentismo contido nisto: «Eles [nunca Nós!] é que sabem!»

sábado, agosto 28, 2010

ONZE CONTRA DOZE

Acho perfeitamente descabido e injusto dizer-se que o Benfica jogou com dez contra os onze do Vitória de Setúbal. Não é verdade. Jogou com doze: saído Júlio César, esteve em campo Roberto e meio. O que, somado à aura mística dos Adeptos, dá mais um e meio, logo, doze. Nesses doze residiu toda a alma desta primeira vitória na Liga 2010/2011. Fora de ironias, a perseguição rasca ao guarda-redes Roberto já cheira a destruição gratuita de um carácter (clicar na imagem). Por que não há-de o guardião benfiquista crescer, impor-se, apesar do péssimo começo de conversa?! Parecem esquecer o que significa cair de borco numa responsabilidade gigantesca como aquela baliza ou então ir ao encontro do primarismo liquidatário de alguns adeptos sem paciência nem compaixão.

LADRÕES DA ESPERANÇA

Desde sempre o terror completo só se consumou quando, encurralados, nada nem ninguém devolvia a Esperança às vítimas. A mestria nesse aspecto, o furto da Esperança, aperfeiçoa-se, requinta-se. Uns, cretinos inumanos, dominam-na melhor que outros, sequazes ineptos, e hoje, em Portugal, temos mestres acabados do desânimo inculcado na doxa e na psique colectivas: uma avalancha de propaganda. Uma exposição radioactiva à mentira cerrada. Eis o que carreia exactamente para as massas o mesmo efeito desesperançador. Nenhuma esperança nos advém de lado nenhum. Nem das instituições nas quais supostamente deveríamos confiar. Nem do Presidente da República. Nem do Parlamento. Nem dos líderes da Oposição. Ninguém. Nada dos arrebata. O nosso campo de concentração em que nos encerram está fechado à esperança, à regeneração, mas aberto ao papaguear da demagogia. A não ser algumas sentinelas, de resto logo abafadas e espezinhadas, nada! Perversões na vida pública têm velhos e acérrimos defensores com acesso imediato aos media. Crimes e actos celerados passam em claro e até alguns ilustres os justificam. A "democracia", que é um mito, degrada-se, avilta-se. Parece não haver saída. Quem são esses ladrões da nossa esperança?! Quem nos libertará de um Regime desavergonhado ao nível do pior centro-sul-americano?!

A MORTE DO REICH

RUDE DÉNOUEMENT OLIGOCRATA

À medida que o tempo passa, compreende-se com mais propriedade o tipo de tango que o PM desejaria dançar com o parceiro que lhe deu o braço num dia negro para a República Oligocrata ao toque das trombetas apocalípticas do rating. Um que iluda os problemas estruturais gravíssimos do País e tenha, nesse mesmo parceiro de oportunidade, o PSD de PPC, um mero actor equivalente nos processos de cinismo usados pelo marketing politiqueiro socratista. Um que mergulhe o parceiro conveniente nos problemas criados pelos desmandos despesistas dos "socialistas" e o faça desde logo deles corresponsável. É um claro abuso de confiança e mais uma rasteira entre muitas e sucessivas ora aos adversários, ora ao País, ora à Justiça e a quem a agarrar. Com as costas quentes, fica-se mais legitimado para empatar o problema da Despesa, para o qual é preciso coragem e verdade, e foi um compromisso assumido mas entretanto não cumprido pelo Governo, algo que um negociador prudente deveria ter exigido ver exarado em acta. Não se pode negociar com um celerado cretino, rude e recalcitrante sem que ao menos um mísero papel ateste o que foi assumido. E mesmo assim nunca será de fiar. Elucidativo de tudo isto é o texto de Rui Moreira, hoje, no JN: «Ao que parece, o PS "não pede desculpa pelas suas convicções relativamente à Constituição" e não troca a revisão constitucional pela aprovação do Orçamento do Estado. E escrevo ao que parece, porque, como é consabido, o PS de Sócrates vai mudando de opinião em função dos dias e da maré. Ao que se sabe, essa troca nunca esteve implícita nas exigências feitas por Passos Coelho para aprovar o OE. As condições que o PSD colocou estão relacionadas com a necessidade imperiosa de controlar a despesa pública. Ou seja, depois de ter viabilizado o Programa de Estabilidade e Crescimento numa situação de emergência por causa das exigências de Bruxelas e dos problemas de financiamento externo do Estado português, o PSD exige, agora, que o OE reflicta as promessas então feitas pelo Governo de que a redução do défice seria feita, também, através da redução da despesa, e não apenas por via do aumento da carga tributária que na altura foi viabilizado. E, ao fim destes meses, já se percebeu pelas estatísticas que são conhecidas que o Governo não quer (ou não consegue) reduzir a despesa pública primária, que continua a crescer de forma descontrolada.[...] Esse "denouement" pode custar caro ao país no curto prazo, mas implicará uma bipolarização da política portuguesa que é essencial para que, de uma forma ou de outra, seja pela esquerda, seja pela direita, o país escolha um rumo, e deixe de ziguezaguear ao sabor dos estados de alma do primeiro-ministro e dos interesses temporários do PS. Terá, também, a vantagem de esclarecer de uma vez por todas a questão presidencial. Se o PSD anunciar que não viabiliza o Orçamento, Cavaco terá, finalmente, de fazer uma escolha. Desta vez, não terá refúgio. Mesmo que nada faça, como tem sido seu hábito, estará na mesma a fazer uma escolha.»

A MÁSCARA FACIAL E O MEU BEBÉ

Nunca esquecerei o modo como tu, Bebé, filha minha novinha, vieste a correr para o refúgio do meu colo, quando a tua tia de repente se te afigurou assustadora com aquela máscara facial. Correste na minha direcção num pranto continuado e convulsivo, como se a não conhecesses de lado nenhum. Saltaste para os meus braços, enquanto choravas aterrorizada, abraçaste-me num aperto sôfrego com essas mãozitas bem enclavinhadas nos meus ombros, sufocada de sustinho. Na maior parte do tempo tão irreverente, destemida, o meu amorzinho de menos de dois aninhos, roliça e linda! No entanto bastou a misteriosa máscara facial da titia para um acesso, afinal tão raro, de terrorzinho lindo que o Papi consolou. Tesouro!

À FLOR DA CAPITULAÇÃO CIVIL

O Regime está falido? O Regime é corrupto, arruinado e ruinoso? Ninguém acredita no Regime? Mude-se de Regime. Porque depois de as elites usurpadoras terminarem de escaqueirar o País, a Europa dar-lhe-á a estocada final, transformando o rectângulo num protectorado de facto, governando de fora o que jaz carcomido, desbaratado e desgovernado por imbecis pomposos, charlatães garganeiros, efeminados bem vestidos e simultaneamente arrebatadores de matronas! Acordem para a desgovernança "socialista". Goste-se ou não do mensageiro, a mensagem é esta: «Segundo o Eurobarómetro, 95 por cento dos portugueses (de facto, Portugal inteiro) acham a situação económica "má" e, apesar da retórica do primeiro-ministro, 71 por cento acham que irá ser pior. O que não admira. O que admira é que, nesta aflição, 76 por cento dos portugueses não tenham confiança no Governo e 67 por cento não tenham confiança no Parlamento. Pior ainda: as sondagens parecem indicar que a desconfiança não vem particularmente deste Governo e deste Parlamento, porque não existe nenhuma alternativa clara que o país prefira (o PSD, por exemplo, ou uma aliança CDS-PSD). Os portugueses não confiam pura e simplesmente no regime: nos políticos do regime e nos partidos do regime. Ora, estando num sarilho sem ajuda, deviam em princípio andar aflitíssimos. Mas não andam. Porquê? Porque pensam (47 por cento) que, se for preciso, a "Europa" lhes deitará a mão ou que, em geral, resolverá a crise (28 por cento). Por outras palavras, de "sopa do convento" a "Europa" ascendeu à categoria mais seráfica de um novo D. Sebastião. Claro que ninguém, ou quase ninguém sabe o que é e como funciona a "Europa" e só algumas luminárias perceberam que as regras definidas pela Alemanha para toda a gente (diminuição do défice e da dívida externa) podem em rigor prejudicar Portugal. Só que esse pormenor não conta. O Messias, por definição, é um mistério e age misteriosamente. Conhecer o Messias diminuiria a fé na sua eficácia. A "Europa" serve de conforto ao desespero do indígena precisamente porque um nevoeiro de absoluta ignorância a separa dele. É curioso como 30 anos de democracia conseguiram levar (ou devolver) os portugueses à irresponsabilidade. A sondagem do Eurobarómetro não seria diferente no tempo de Marcelo Caetano e até em certas fases de Salazar. Os resultados revelam um cidadão, proibido ou incapaz de se governar (no caso, de mudar o Governo). Um cidadão sem voto e sem voz, reduzido a acreditar num milagre. Não que ele não queira reformas. Quer reformas (60 por cento), mas já aprendeu pela experiência que é inútil esperar que elas se façam de dentro e cá dentro, pelos meios normais que a lei estabeleceu e com a "classe dirigente" que se apropriou do Estado. A salvação virá de uma força superior e, principalmente, estranha à mísera realidade portuguesa. Ou virá assim; ou não virá.» VPV

AUTO DO GARGANEIRO

O dia 2 de Julho de 2010 ficará na história como o dia em que o advogado José Manuel de Castro entregou à Procuradoria da República a última peça de um puzzle tenebroso: um dossiê com alguns originais comprovativos de depósitos e transferências bancárias para off-shores que, segundo o réu Rui Dias, envolvem "tio, primo e mãe" do PM. Subsequentemente a esse momento histórico, um juiz da 1.ª Vara Mista do Tribunal de Loures considerou gravíssimas as denúncias de Rui Dias e Mário Machado  os quais, ao contrário de outros criminosos presos e depois deixados à solta, foram rápida e exemplarmente sentenciados , e por isso mesmo mandou extrair certidão. Só agora a PGR vem solicitar ao tribunal de Loures que lhe envie a certidão ou lhe preste esclarecimentos sobre o envio? Porquê? Irá a PGR desconsiderar ou engonhar este lixo como aconteceu com os outros?! Muito engonha a Engonhadoria Geral da República para livrar o couro de um habilidoso garganeiro.

O SALTO DO ELEFANTE

E pronto consuma-se a transferência. Meireles dá o salto. O seu salto. Há muito sonhada e querida, a oportunidade aconteceu . Ficam todos felizes. Acaba o amuo ou aquilo que parecia um concentrado de manada de elefantes no balneário portista. Veremos o jogador feliz numa Liga estimulante por onde circulam muitas libras e muitíssimo mediatismo. Por causa dele, Meireles, o Liverpool ficará ainda mais sob a atenção nacional e pode até acontecer que Meireles fique com a sanita que pertenceu a John Lennon que, entre outros objectos, vai a leilão. É confirmável pela história: a quem merece o FC Porto não deixa ficar mal nem corta as pernas. Bem pelo contrário. Outros clubes preferem vender jornais e arruinar negócios por quebra de sigilo e da confiança entre partes.

AREIA PARA OS ÓCULOS

Luminoso o texto de JMF acerca do nosso sistema de Saúde e de como a sacralização imobilista do que temos, visto como intocável, visa esconder uma ineficácia que não é de todo aceitável, tanto mais que brandir a bandeira demagógica do nosso Estado Social equivale a disfarçar os seus défices abomináveis e as falhas na promoção e libertação das pessoas que o percorre, marcando-o antes dependências cíclicas engendradas pela política dos partidos de poder com o controlo de consciências através da compra do voto mediante simbólicos e transitórios benefícios: «Seja qual for o critério que apliquemos, ou o índice que preferirmos, “o período de maior crescimento e consolidação do Estado-Providência foi também o de mais forte crescimento da desigualdade de rendimento”, como escreve Luciano Amaral em Economia Portuguesa, As Últimas Décadas, o pequeno mas fundamental livro recentemente editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Se as políticas se medem pelos seus resultados e não pelas suas intenções, num país onde se gritasse menos e se pensasse mais aquela simples constatação impediria que se transformasse o nosso Estado social numa arma de arremesso político. Pela razão simples de que um Estado-Providência que falha num dos seus principais desígnios – o de fazer diminuir as desigualdades sociais – é, no mínimo, um Estado-Providência que merece ser questionado. [...] Como notou José Mendes Ribeiro em Saúde, A Liberdade de Escolher, com base num índice calculado a partir do ano-base de 1995, até 2006 “a produção do SNS cresceu apenas 30 por cento em termos de consultas, internamentos, urgências e cirurgias, mas o respectivo financiamento cresceu 150 por cento.” O que é insustentável. Até porque, apesar de gastarmos no sector uma percentagem do PIB superior à média europeia, o relatório relativo a 2009 do Euro Health Consumer Index colocava Portugal em 21.º lugar entre 33 países europeus, só tendo atrás de si os antigos países do Leste. Ou seja, melhorámos muito, mas o modelo de SNS não é ideal nem devia ser intocável. Por tudo isto, é surpreendente que não se queiram discutir mudanças. Que nem se olhe, por exemplo, para o que está a acontecer a uma velocidade estonteante no Reino Unido, onde a coligação conservadores-liberais desencadeou um processo de reformas que a revista The Economist – antes céptica em relação a este Governo – designou, num editorial intitulado “Radical Britain“, o “grande jogo”. Prevendo que, “tarde ou cedo, muitas outras nações do mundo desenvolvido terão de seguir pelo mesmo caminho”.»

sexta-feira, agosto 27, 2010

SIMÃO E O ÓPIO DO LODO

Deco saíu, sem brilho nem glória contra toda as expectativas de afirmação num Mundial, o último da sua carreira. Simão, tão novo ainda, 30 anos, tão promissor vaidoso capitão improvável, diz de igual modo adeus à Selecção. Coisa estranha e precoce. É a Selecção, uma cultura, uma solidariedade e uma comunidade de homens com uma ambição longamente acalentada, que vai morrendo. Morre às mãos de um só homem ávido falador sem bola. Colapsa porque a bola deu lugar às diatribes sôfregas de um debitador interminável de palavras e obviamente dado a litigâncias esterilizadoras do essencial. Diz que só sairá "morto" do posto por si esboroado. Mas ninguém o quer. Não se pode trabalhar sem ser querido. Só os tubarões do futebol o abonam. À sua passagem, um rasto de conflituosa e tirana mediocridade. Queixas. Desculpas. Justificações. Jogadores indefesos em posições de campo incompreensíveis, desconfortáveis. Jogar para empatar. Destruição e desgraça. Adeus, Simão!

SNS: UNTUOSA BEATICE

O País está exausto de palavras, do espectáculo das palavras daqueles cuja obrigação não é proclamar intenções, mas descrever o que fizeram quando resulta tão óbvio terem agido despudoradamente ao arrepio de quase todas as proclamações. Analistas políticos, comentadores, bloggers, esses, sim, falem, analisem conforme quiserem, sejam lidos, comentados e rebatidos conforme valham a pena. Quanto ao PM, à verborreia do PM, aos discursos gesticulosos do PM, esses chouriços infinitos filhos do teleponto e do oportunismo explorado sobre a inépcia comunicacional do adversário, jazem esgotados. Mais: ofendem por serem um modo ostensivo de troçar dos cidadãos na sua bruteza habitual e irreflexão sagrada. O paleio do PM não configura qualquer descrição decente da realidade, sequer a noção clara de um desígnio nacional pelo qual nos realizemos e distingamos. Não são uma bússola fiável e um terreno sólido onde basear o futuro. Vila Franca de Xira teve de padecer hoje novos perdigotos a puxar ao sentimento no que toca ao SNS, mas o cúmulo do vómito é que o império da diferença e da excepção absoluta em quase todos os domínios da vida pública, que é José Sócrates, fale do Serviço Nacional de Saúde com untuosa beatice gemendo e chorando o cinismo dos elogios, dizendo «Nós queremos ser iguais». Era preciso que se praticasse o que se diz, tendo em conta a rapina que as parcerias público-privadas exercem sobre o erário público empobrecendo-nos e diferenciando-nos mais e mais, as dívidas monstruosas acumuladas nesse subsistema e a diferença crassa que cresce entre quem tem dinheiro e quem não tem.

DITADURA DA CUNHA

Capturar a sociedade numa complexa teia de laissez faire, laissez aller, laissez passer e criar atrito entre a moral exigida e a praticada ou beneficiada pelos cidadãos, eis o que subjaz à portaria que o Governo se prepara para aprovar e que regulamenta os concursos de acesso à função pública, permitindo que a contratação de trabalhadores a termo para os serviços públicos seja feita por avaliação curricular, certamente a olho e atendendo ao sobrenome. Uma avaliação que não exigirá, na selecção dos candidatos, a prestação de provas de conhecimentos consuma o aprofundamento do factor cunha porque o avaliador dos currículos dificilmente não alimentará fidelidades políticas óbvias ao "socialismo" que pratica e expande a América Latina que há dentro de nós.

JÚDICE E A NOVELA LIMA

A vida pública nacional faz-se de biombos e tácticas de encobrir. São armas usadas pelas pessoas que detêm os recursos plenos, as cumplicidades determinantes e as oportunidades. A novela que envolve Duarte Lima caiu que nem ginjas nos media e no que então realmente interessava e incandescia a Opinião Pública: veio distribuir a atenção que se concentrava demasiado nos trâmites de uma PGR em maus lençóis, nos lixos processuais do Freeport, um processo na verdade condicionado e coarctado ao mais alto nível sob o preconceito de que o PM estava de antemão isento de quaisquer suspeitas. Só que há gente ao mais alto nível a surfar as lógicas de anomia, apatia e desinteresse do público. Conhecer e gerir estas coisas do gado superficial que as massas acabam por ser, sempre que encolhem os ombros, é uma arte cínica e tóxica, enquanto for possível dividir as pessoas para reinar, desinformá-las para as confundir, desbaratá-las para as controlar. É por isso que as intervenções de Júdice não são em nada inócuas. Não são normais. Escapam ao âmbito estritamente profissional. Configuram outra coisa: um feixe deliberado de insinuações assassinas. Farpas profissionais como afirmar que se Duarte Lima não declarou o dinheiro recebido da sua cliente é porque não é dele e que, não sendo dele, ou é da Rosalina Ribeiro ou é da herança, acrescentando que ao manter o dinheiro consigo, Duarte Lima levanta suspeitas sobre o seu envolvimento no homicídio, tudo isto representa todo um programa de acção com objectivos mediáticos que implicam uma leitura também política. Quer se queira quer não, Júdice está ligado à defesa viscosa e indefectível do socratismo e à lei da gravidade nas coisas do Poder como coisas que são como são. Em Júdice nunca encontraremos um pensamento e uma acção onde se acredite ou aceite que as coisas do Poder devam transformar-se e levar cada vez mais em conta as moções e aspirações de uma Sociedade Civil avançada. Porque se assim fosse, nunca receberia, com o nosso escrutínio, os milhões anuais do Estado na tal parecerística e consultadoria redundante, inútil e clientelar. Está tudo ligado. Duarte Lima assa convenientemente nos media e José Sócrates descola os costados do grelhador onde tem estado a estorricar não passando de um tição fumegante. 

quinta-feira, agosto 26, 2010

ABRACE UM DESEMPREGADO

Ele, de 34 anos, e a mulher por si assaltada, modalidade "esticão", de 49 anos. Por alguma razão  seria o rosto, a roupa, jeito, ar de despreparo inexpressivo do desempregado que perpetrou o assalto? , já na 2.ª Esquadra da cidade, uma amiga da ofendida deixou-se comover com a situação económica do detido, quem sabe trocadas umas palavras coração a coração, olhos nos olhos. Por isso, abraçou-o, chorando. Desejou-lhe boa sorte. Deu-lhe 25 euros. O homem, residente na Pampilhosa da Serra, cometeu o crime de roubo pelo método de esticão, na Avenida de Fernão de Magalhães, na Baixa de Coimbra e certamente roubava de fresco. Quando o acanhamento da fome acaba, vem o desespero da fome e a fome de desesperar dando luta a roçar os limites. Toda a gente que puder, adopte e abrace um desempregado como aquela amiga da ofendida. Há quem adopte e abrace um Lince, um Panda, um Macaco Raro, por que não há-de abraçar e adoptar um desempregado?! Os poderes públicos, tem sido evidente, abraçam e beijam quem os pode abraçar e beijar em retorno com gestos de zelo e presentes de lisonjear. Nada de compaixão pelos negligenciados e perdidos das más políticas a montante. Empresários abraçam os donos da decisão política e choram por compadrio, comércio de favores. Qual compaixão pelos negligenciados e perdidos das más políticas a montante? Políticos choram aos pés dos empresários e abraçam-lhes posteriormente o compadrio favoritista, um lugar de gestão. Nada de compaixão pelos negligenciados e perdidos das más políticas a montante. Abraçar e beijar é o cerne do amiguismo da política como coutada. Ninguém se comove com quem recai na miséria, atirado ao pó por tudo e por todos. Quanto mais corrupção, menos emprego e certamente menos decência.

SOLANGE

Só anjo, solar, tange a angina, 
minha angor pectoris engastada na tarde, Solange. 
Polpa, sumo e pétala da palavra que se me evola e cinge. 

GANHAR ORGULHO

Para além do que, com indisfarçável exultação, Manuel Queiroz escreve no seu editorial de hoje, no i, resulta claro que o poderio espanhol só é estimulante a um português brioso na medida em possa ser beliscado e contrariado o máximo número de vezes possível. O desejo de dissolução portuguesa na manta de retalhos espanhola não pode agradar a quem sempre foi livre e se autodefiniu por oposição de caracteres e idiossincrasia. Há quinhentos anos, o mundo era demasiado amplo para abocanhar exclusivamente e os casamentos entre coroas eram uma porta aberta a quaisquer possibilidades de hegemonia futura. Espionagem, rivalidade, desconfiança, marcaram-nos e demarcaram-nos. Foi mais com a manha que com a força que levamos a nossa avante até sucumbirmos nas dependências económicas e produtivas do presente. Resta perguntar por que motivo a ideia de agregação da República Bananal Portuguesa à Monarquia Espanhola tanto seduz precisamente republicanos, socialistas e laicos. Federar os Povos Ibéricos sob quê, senão sob um Rei, o Espanhol?!  Esses senhores capitulam a uma ideia apenas por força da pátina chamada mediocridade, vocação saqueadora e antipatriotismo com décadas de saque e traição à "democracia" como serviço zeloso e competente das gentes e não dos próprios bolsos. Não ganharíamos mais em refrescar a nossa forma de Regime — a Monarquia!  para  uma rivalidade a sério com o gigante exlusivista e monopolista ali do lado?: «A Espanha que ganha tudo, campeã do mundo e da Europa, que ganha no ténis, no basquete, no andebol, que tem a Telefónica que nos compra a Vivo  mas com batalha diplomática  ao som de biliões de euros. Um poder enorme, um gigante, uma força muito bruta que foi como sempre vimos os espanhóis. Um poder de hoje muito alicerçado numa bolha imobiliária que está a perder o ar de forma contundente, com um desemprego que vai para cima dos 20%, mas foi bom enquanto durou. Com muito choro e ranger de dentes agora. De certa forma, o Braga derrotou tudo isso. O seu presidente é um construtor civil, o seu treinador chegou a jogar em Espanha e muitos disseram que foi uma vitória da gestão do Braga, que até vendeu metade da defesa e mesmo assim está lá, na Liga dos Campeões. Talvez sim.»

GESTORES E CELEBRIDADES

O Eduardo Pitta considera que demasiado olho censório e preocupado sobre os salários dos gestores, especialmente, presume-se, os gestores sem habilitação técnica mas posição política, agregados ao "socialismo" socratista e que povoam PTs, RENs, EDPs, GALPs e outros buracos hegemónicos ou monopolistas em Portugal. Isso a somar a tantos mais tachos criados à medida ou expressamente inventados para perfazerem necessidades pessoais do pessoal político desempregado disfarçadas de públicas. Há que acabar com isto, já. O cidadão anda preocupado e escandalizado com isso, mas também com outra coisa igualmente obscena pela distorção duplamente injusta que introduz na vida em Sociedade: um modo de exercer o Poder que prima pelo baixo nível ou meramente concêntrico das prioridades, pela negligência incompetente do interesse nacional, que evita o que é prioritário — abolir desperdício e redundância no cerne do Estado!  em detrimento do essencial — dar às pessoas mais condições, mais usufruto do seu trabalho, coisa que um Fisco brutal impossibilita. Quanto Pitta reproduz a lista dos apresentadores de televisão mais bem pagos do País, segundo dados oficiais, reproduz o que se suspeita acerca da pornográfica desproporção do que se paga em Portugal. Mas não desviemos as atenções. Não é coincidência haver demasiados gestores de colocação política em empresas públicas com graves passivos e problemas de solvabilidade precisamente por isso: STCP, CARRIS, REFER. Quem não tem dinheiro, não pode ter vícios, mas parece que pode ter ganhadores excêntricos. Analisemos então, mas sem perder a verdadeira matéria de vista, a  mercearia esquizofrénica reproduzida pelo refinado blogger "socialista" Pitta: 40 mil euros mensais é o que ganha Manuel Luís Goucha / TVI; 35 mil euros mensais leva Fátima Lopes / TVI; 25 mil euros mensais, eis o que Catarina Furtado / RTP encaixa, assim como Cláudia Vieira / SIC, Cristina Ferreira / TVI e Júlia Pinheiro / TVI; 21 mil euros mensais embolsa Fernando Mendes / RTP; 20 mil euros mensais absorve Diana Chaves / SIC, Jorge Gabriel / RTP, José Carlos Malato / RTP; 10 mil euros mensais é com que se abotoa o João Manzarra / SIC. É triste e é fado que cada vez menos pessoas tenham motivos para ver uma televisão generalista soporífera e que um reformado com menos de trezentos euros/mês aceite tropeções na Língua Portuguesa e sorrisos amarelos pagos a dentes de ouro.

UMA MERDA TRÈS CHIC

José Junqueiro, fazendo jus à ideia geral de que para estes "socialistas" ávidos novos-ricos o País interessa infinitamente menos que a Política e o Poder, diz que o actual líder do PSD só conseguiu criar perplexidades no eleitorado com as propostas que até agora anunciou. De acordo, caso explique de que modo mete ele a mão e até que ponto no eleitorado. Zandinga nestas coisas e um claro defensor das Clientelas que representa contra todas as outras putativas, Junqueiro considera que Passos Coelho revelou ser um líder político novo, com vícios antigos, uma apresentação très chic, mas sem conteúdo. Ora, o que surpreende e choca na parlapatice de José Junqueiro é que a sua espada de latão tenha sido despudoradamente apontada aos partidos da extrema esquerda como aliados do PSD no clima de crise política que se instalou na Assembleia da República. Extrema esquerda? Ok, o PS é esquerda-estômago. Diz ele que essa aliança é motivada pela ambição de ver a Direita no poder, pois só assim o PCP e o BE conseguem aumentar as suas clientelas eleitorais. Estará Junqueiro bom da cabeça? O que são clientelas eleitorais comparadas com as clientelas empresariais, nas fundações, nos institutos, nas parcerias público-privadas, nos observatórios? Assim se afere o tipo de dor, de zelo, de prioridades reles, o que está, enfim, miseravelmente na cabeça de políticos de caco e de caca. A mediocridade mata. Mas mata o País antes de matar a rir estes enriquecidos profissionais da política.

O EXPEDIENTE

Se Queiroz não tivesse destruído de forma tão sistemática e obstinada os vínculos de confiança e fiabilidade técnica com os jogadores, homens experientes para avaliar disparates e delírios assim como a mediocridade, não teria sido necessário o expediente subterrâneo e lateral com que neste momento a FPF o assa até alcançar o ponto carvão: moral e desportivamente "morto". Nem uma gorda indemnização justifica todos os sacrifícios e todas as degradações a que o inefável adjunto se está a submeter. Nunca imaginei que por uns tostões um homem abdicasse da coluna vertebral ou baixasse à condição de lesma. 

ASS E O ASS MÁXIMO

Isabel, tu és um ser humano bom, meigo, à parte. Não poderia esperar senão que defendesses ASS mesmo com um argumentário comparativo de carácter historizante, coisa para que um filão de recortes e uma memória de elefante não parecem faltar. Madre Teresa de Calcutá costumava dizer que nada há de mais perigoso que a mentira. ASS apenas falou de mais. Deve sair por isso, mas não deve sair só. A fórmula de Governo sem o Povo, contra o Povo, para além do Povo foi levada longe de mais pelo ASS Máximo. A cair ASS, com muitíssima mais razão deveriam cair os restantes ASSES que têm sido este Governo, especialmente o ASS Supremo, o de Ouro, se me permites a imagem literária.

quarta-feira, agosto 25, 2010

CDS: CHORO E RANGER DE DENTES

Coisas, factos e evidências que contrariam os discursos de Mangualde e todas as tretas que nos impingem somente uma perpétua e irresponsável distorção da realidade. Por que silenciam quem diz a verdade e apresenta os factos puros da economia nacional?! É muito mau descobrir que o risco da dívida pública portuguesa é o segundo que mais sobe no mundo. Apenas superado ligeiramente pelo Vietname. Agrava-se 3,66%. Os Credit Default Swaps (CDS) associados aos títulos de dívida pública portugueses com maturidade a cinco anos agravavam-se hoje, Quarta-feira, em 3,66 %, para os 305,6 pontos base. A subida de 10,8 pontos base registada hoje face ao fecho de Terça-feira faz com que o custo para segurar os títulos de dívida a cinco anos, medido pela CMA, se agrave para os 305,6 mil euros anuais. No 'top 8' do custo dos CDS que mais se agravam hoje, apenas o Vietname supera Portugal, com o custo dos seus CDS a aumentar em 3,67 por cento, sendo que o aumento em pontos base é inferior, situando-se actualmente nos 259,57 pontos, menos 45 pontos base do que no caso de Portugal. O terceiro que mais agrava é Itália, cujo custo dos CDS estão a subir 3,43 por cento para os 219,39 pontos base. Dos oito que mais pioram durante o dia de hoje, de acordo com os dados compilados pela CMA, Portugal é o que maior valor tem nos credit default swaps associados à sua dívida a cinco anos. Este agravamento surge no mesmo dia em que o Estado português colocou no mercado 1.301 milhões de euros em dívida pública a seis e dez anos, com juros mais altos do que em emissões anteriores com as mesmas maturidades e um dia depois da Standard & Poor's cortar o 'rating' da Irlanda.

TRISTEZA E APATIA

Quem tiver reparado atentamente nos semblantes de Cardozo, David Luiz e mesmo Luisão, nos últimos jogos, notará nesses jogadores uma imensa tristeza e uma terrível apatia. Tudo ao contrário de Fábio Coentrão, um gigante a transportar quase a solo as penas do Benfica. Os corações daqueles estão noutro sítio que pode não passar de uma quimera, pelo menos esta época. Acho, por isso, inteligente e prudente o desaparecimento de Raul Meireles dos convocados do meu FC Porto e a mensagem que Villas-Boas vai passando para dentro quase a saca-rolhas! Não há profissionalismo intermitente e dado a amuos. Frustrações por transferências goradas curam-se com trabalho. Trombudos de qualidade contrariados e comidos de birra dentro do campo e do Clube que lhes paga, não, obrigado! Joguem somente quando esfomeados por bola e por relva. Nomes e passado valoroso não bastam.

EXULTAÇÃO E MISÉRIA

Exultação extrema: uma cidade, Bracara Augusta, por interposto clube atinge os milhões de euros da UEFA, uma visibilidade europeia e mundial graças a uma glória desportiva digna de todo o registo e elogio. Miséria aviltante: tumultos no aeroporto, álcool, crianças em prantos, trejeitos atoleimados, tensão insana no ar, histeria, violência, Polícia, o povo a transmutar-se em populaça, o sublime a descambar, impondo-se a fealdade. Não pensar é a regra de vida geral, no paraíso dos impunes e dos imunes. O paliativo do futebol permite desculpabilizar tudo o que nos planos da política e da economia se perpetra contra o Bem Comum e também serve de biombo desculpabilizador de quem corrompe, mente e prospera na mesma proporção. Uma coisa lava a outra. A ironia é que um corrupto, enquanto enriquece pornograficamente, seja o principal motor dos negócios, da vida e do bem-estar de uma comunidade de milhares e que por causa dele filhos sejam feitos, negócios e vida floresçam como de outro modo jamais floresceriam. Braga é Portugal, mas Portugal é menos que Braga.

terça-feira, agosto 24, 2010

BRAGA, MEU FILHO

No País dos Robertos e dos Casillas, o Braga foi enorme, provando que Vencer é quando um Domingos quiser. Braga, meu filho, bem-vindo à grandeza europeia e, por que não?, mundial!

PELOTÃO DE RESERVISTAS

Agora as presidenciais podem animar-se, quando sabemos que o candidato do PS é Defensor Moura, o do PSD e CDS,Cavaco e Silva, o do BE é Manuel Alegre e o do PCP, Francisco Lopes. Aguardamos por Santana Lopes para fazer de Fernando Nobre como uma boquinha mais à Direita, que é como quem diz. Todos diferentes. Todos iguais. A República está um mimo, no seu centenário funéreo.

ARTE DE SER TOSCO

ASS está encurralado por uma gaffe gravíssima e impensável por si cometida na célebre entrevista ao i. Gaffes e desempenhos globalmente toscos tornaram-se vulgares porque os actores políticos de segunda linha que nos têm calhado em sorte colocaram-se acima da crítica e do escrutínio das pessoas comuns a cujo serviço desprendido deveriam estar e a cujas críticas deveriam ser sensíveis. Perdem por isso o pé à dignidade dos lugares que ocupam em serviço delegado por nós comportando-se não como eleitos, mas como detentores naturais dos cargos. Enclavinham-se neles como Ahmedinejad ou Chávez, como se fossem luvas à medida. Com estes dois últimos Governos-PS generalizou-se uma forma anquilosada de abastardamento funcional ao mais alto nível, no Estado, a começar pelo chefe máximo. Toda a lata lhes assiste. Ninguém assume responsabilidades. Ninguém mostra pudor. Primeiro vende-se a mentira. Depois, vê-se. Os assuntos delicados e as verdades macroeconómicas, evitam-se. ASS, coitado, é humano além de ASS, mas deu mais um singelo exemplo do que acabo de expor. Não se pode servir a dois senhores. Ou se servirá a confidencialidade a que estão obrigados os servidores do Estado. Ou se servirá a política enganosa, com a sua ginástica de palavreado oco, de vão de escada, paixão que se dedicam os vitalinos, nas suas derivas papistas,  desdenhosas, intolerantes, caceteiras. ASS tem andado demasiado agitado e distraído. Colheu o que semeou.

SNS E PARTIDARITE RASCA

Sobre o PS e o PSD, a revisão constitucional e o SNS, escreve Manuel Queiroz no i de forma mais ou menos salomónica, recordando-nos implicitamente que os principais partidos tratam as matérias mais sérias com um tipo de aproveitamento primário e superficial do discurso alheio, sendo a prática o que bem lhes aprouver porque o escrutínio democrático em Portugal é um bebé de berço, ainda. Nada de bom advirá a um País traído pelos seus políticos ávidos e incompetentes caso continuem a manifestar tão pouca ou tão nula consideração pelos cidadãos aos quais insistem tomar por mentecaptos: «... o PS sabe que o SNS, sendo embora a grande realização da revolução de Abril, tal como está vai ter um custo insuportável para a democracia se os custos continuarem a aumentar ao nível que aumentaram nos últimos anos. E o PS até já mandou pagar taxas de internamento (em que depois recuou...) exactamente porque é preciso encontrar mecanismos para gerar receitas. O mesmo PS que despediu um ministro porque tinha essa preocupação de racionalizar os custos e de melhorar a sustentabilidade de todo o sistema. Um ex-ministro que é hoje deputado europeu.»

PROBO COMO VARA

Tenho muita pena dos que não acordaram ainda para a indústria de mentir dos assessores do socratismo e o seu estertor desesperado: vale tudo. Na verdade, esta gente cegou. Foi recrutada para cegar, mas só se pode cegar por um altíssimo preço e depois fazer, escrever, escavar, tudo ao serviço de um só, aliás "probo" como Vara. Sendo quem são, estão perfeitamente isolados no modo como isolam e atacam figuras da vida pública anti-socratismo. Não passam de coleccionadores de informação e recortes que depois instrumentalizam segundo sofismas doentios. José Manuel Fernandes remata bem um post, no Blasfémias, acerca da «latrina mal frequentada dos abrantes» e do modo como tenta adulterar e travestir as propostas constitucionais mais inócuas do adversário: «Os abrantes, os socretinos e o líder máximo resolveram foçar em direcção contrária, inventando e mentindo, mas apostando no preconceito e na intimidação. É sinal de que já perderam a cabeça e nem sequer têm esperanças de a reencontrar.»

ARNAUT E O CUSPE ESCRAVO

Sempre que o spin dos assessores "socialista"/governamentalesco decide colocar gente como o estimável, mas maçónico, logo duvidoso, António Arnaut a perorar de pantufas, no recesso venerável do lar, temos de exercer o direito à indignação contra a indecência. Não se admite a indecência de esses assessores-PS ao mesmo tempo servidores do Estado-PS explorarem cuspe escravo e reformado para defender o poder dos seus Palhaços. A Mentira montou arraial e atira merda em todas as direcções: usa os seus velhos. Usa as suas crianças amestradas. É preciso chorar lágrimas de crocodilo e apontar o dedo aos maus que querem destruir a Saúde Gratuita e Universal. Agora, a pretexto da Revisão da CRP, os assessores vão arrasar, comer as cuecas e as gravatas de Passos, que não é santo nenhum: se deu as mãos à estrumeira moral que subjaz à governação falsária, só tem o que merece. Será pisoteado sem piedade por ela, a Estrumeira, todos os dias da semana até sair das boas sondagens e regressar às más sondagens para assim dar sossego aos que enriquecem na promiscuidade dos negócios Estado-PS e PS-Amigos. A aparição de caramelos como Arnaut, velhas vacas sagradas do reformismo e das áureas reformas trazidas à liça, é um frete de rainhas da Inglaterra: papam tudo! Acusam Passos Coelho de estar a soldo dos interesses privados na Saúde e a soldo de interesses económicos mais subterrâneos. Ainda que estivesse, a verdade é que Arnaut, Almeida Santos, José Sócrates, toda a maralha "socialista", comedora do bom, do exclusivo e do melhor, são clientes de esses mesmos interesses privados a que podem recorrer, não vá o diabo tecê-las. O discurso, esse é que tem de ser todo socialmente beato, com a lágrima puxada à sensibilidade e ao popular e assim continua o grande negócio socialista-maçónico de sufocamento da Sociedade Civil, apropriação do Aparelho de Estado e condenação o País a um abismo negro e sem retorno.

segunda-feira, agosto 23, 2010

INAUDITA ASELHICE ASS

A última aselhice de ASS consistiu em abrir o jogo da Defesa de tal maneira que, apenas numa entrevista ao i, ficamos a saber, assim como o resto do mundo interessado, que espiões militares seguem para teatro de operações do Afeganistão no Outono e que de igual modo, no Líbano, deveria, deve ou deverá, haver este "instrumento". Seria preferível não saber nada de este "instrumento". Um "instrumento" secreto divulgado numa entrevista é um "instrumento" desabilitado por uma entrevista. Em suma, se não fosse o enorme amor que ASS nutre pelo socratismo putrescente, onde se contorce e se excede sob as formas de zelo mais demenciais, não fosse a politiquice e a trauliteirada a que se entrega preferencialmente, talvez, por uma vez, Portugal fosse servido e não a tribo fascizóide a que pertence.

COERÊNCIA E CALDOS DE GALINHA

Para memória futura, declare-se irresponsável querer artificializar uma crise política capaz de tirar o PS do Governo, quando as coisas estão a decorrer tão bem. Jamais seja esquecido que Estado Social só o PS o defende. Como? Cortando agora sem piedade nos apoios sociais, quando desde o início da crise o mesmo Estado-PS sustentou mais 235 mil pessoas em Portugal.

ESBANJAR COM CLASSE

Todos os portugueses esmagados de Fisco, desempregados e pobres, cada vez mais abandonados socialmente, deveriam ter direito a negócios vantajosos. Aqueles em que o Estado se mete levam-no por sistema a ficar com a parte lesiva e todos os ónus e a conceder o lado vantajoso à outra parte envolvida. Esses portugueses deveriam ser a outra parte envolvida. Segundo o relatório da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF) relativo ao segundo trimestre deste ano, que acompanha o desenvolvimento das parcerias público-privadas, as Scut Costa da Prata, Grande Porto e Norte Litoral, já tinham recebido no final de Junho 140,2 milhões de euros da Estradas de Portugal, face a um valor orçamentado para o ano de 2010 de 155,8 milhões de euros. Portanto, estava praticamente esgotada em Junho a verba prevista para pagar as rendas às três Scut que já deviam estar a ser portajadas desde 1 de Julho. Estes montantes resultam dos dois pagamentos que a EP tem que fazer às concessionárias da Scut no primeiro semestre do ano. No final do exercício orçamental esta "problemática" deverá ter custado ao Estado mais ou menos 280,4 milhões? Derrapagem linda, mas é a regra de ouro dos negócios do Estado.

domingo, agosto 22, 2010

POUCO PSD OU NADA

Se o PSD afinal não aspirar a nada mais senão a ser tão voraz sobre a Máquina do Estado como o PS-Governo tem sido, coisa de resto difícil de imaginar, não poderá ganhar absolutamente nada e não poderá seduzir para uma Causa Nobre, um Rumo Novo, esta massa de desapontados com o anacrónico egoísmo feroz, absolutamente hipócrita e inauditamente cínico do grande fazedor de discursos de Circo, José Sócrates, esse cansaço incansável na mentira política perpétua. Dizer, portanto, ao que vem e a que gula insaciável não estará disposto sobre o Aparelho de Estado, sob compromisso de honra, eis o que conviria clarificar neste ainda monte de meias-tintas, demasiados silêncios contemporizadores, que é o partido de Passos, o qual, entretanto, sabe a pouco e, no mínimo, não deveria saber a isto-mais-do-mesmo de que fala João Gonçalves: «O PSD, essa sublime "alternativa", é um aglomerado de papalvos descoordenados que se deixaram deslumbrar por duas ou três sondagens. Passos será o próximo Sócrates mas não tão cedo como muitos tolinhos ambiciosos imaginam. Dou um exemplo. No jantar de ontem, contaram-me que o "gabinete de estudos" da agremiação, dirigida por um tal Canavarro, tem trinta e uma (repito, 31) secções e subsecções.»

MOURINHO, PORTUGUÊS DESCOMUNAL

«El tercero es dar a mi país algo que aún nadie le ha dado: el título de campeón del mundo o de Europa. Esto es más difícil porque no me gusta entrenar selecciones. Es un sueño para mí. Me parece que Portugal, un país pequeñito, de diez millones de habitantes, sin un potencial económico, sin grandes infraestructuras, tiene un fútbol que merece algo importante. Es un fútbol que ha dado tres balones de oro, ha dado a Eusebio, a Ronaldo, a Figo... Un país que ha dado un Benfica histórico y un Oporto que ha ganado la Champions merece dos cosas: ganar un título grande y ganar algo aún más fácil: llegar, con la ayuda de España, a tener un Mundial de fútbol. Tenemos que ganar esta candidatura. [...] Soy un portugués muy atípico, porque el portugués en general echa de menos a Portugal y yo no. No tengo saudade, quizá porque tengo una familia espectacular, porque estoy enamorado de lo que hago... No tengo saudade, pero tengo mucha pasión. Soy un portugués que no quiere volver, no quiero trabajar en ningún club portugués, no quiero vivir en Portugal, pero soy un portugués al que le gustaría hacer algo importante con mis capacidades.»