«Eu creio que o Universo é uma Evolução. Eu creio que a Evolução vai para o Espírito. Eu creio que o Espírito, no Homem, se conclui no Pessoal. Eu creio que o Pessoal supremo é o Cristo Universal». Pe. Pierre Teilhard de Chardin [joshuaquim7@gmail.com] © Joaquim Carlos Rocha Santos
Domingo, Outubro 31, 2010
TEMPOS DO PIOR
O pior está para vir, mas tem autores. Em primeiro lugar, o Governo, onde a devassidão corporativista e clientelar com os vícios mais asquerosos contra a boa governança encontraram abrigo e alastraram as suas metástases purulentas, do Face Oculta para cima. Durante longos meses, o PSD exerceu passivamente o seu dever de vigilância e crítica. Opôs-se em fraco. O tom de denúncia contra as evidentes malfeitorias socialistas proveniente de MFL não foi devidamente secundado porque o dinheiro manava, dava consolo e sossego ao que os olhos viam e o coração sabia: os socialistas não prestavam. O PSD, coisa dispersa, também é culpado pela ingenuidade e a complacência. Perante os dados de que dispunha, o Presidente poderia ter tido uma intervenção bem mais incisiva e preventiva. Mas não. Fraco. Frágil. Omisso, numa mesura de palavras que chegou a ser irritante, a sua voz diluiu-se na voragem mediática sob o controlo da máquina PS. É culpado. O Pior está para vir, mas tem culpados bem concretos que se podem graduar em função da malévola incompetência de uns, impotência e omissão de outros. É só fazer as contas.
DILMA, FIDEL, CHÁVEZ
Os brasileiros não são burros. Elejam ou não elejam Dilma, estão de sobreaviso em relação à não inocência da sua classe política. O corrupto político brasileiro, tal como o português, assegura por todos os meios a devida endogamia republicana para que direitos adquiridos e benefícios se mantenham intocados. Acontece em Portugal e noutros países subdesenvolvidos: por isso são sempre os mesmos e o diferente é rechaçado. A vitória da candidata 13 pode ter sido anunciada, mas graças à obrigatoriedade de votar no Brasil, todas as surpresas têm parto.
SPINNING E IMAGEM
«Esta disciplina económica deixa pouco espaço para a política de spinning e de imagem.» Mas não creio que tenham acabado os velhos vícios de embair a populaça e surfar negativamente frases de adversários, especialidade que o rançoso socratismo explorou, enquanto o velho mundo europeu já acabava e Portugal já se afundava.
LAMBER AS FERIDAS
Sexo dos anjos e outras bizantinices, onde? No sítio do costume, o lugar onde se lambem todas as feridas e simbolicamente se fala disso, sem band-aid político que lhes valha, neste lento fim de tudo.
ANTAGÓNICA AGONIA
Há, por estes dias, dois PS perfeitamente antagónicos. 1. O PS de Teixeira dos Santos, entidade amaldiçoada, crispada, politizada, meio perdida, sempre a colocar a tónica nos custos contra o défice que a negociação com Catroga envolveu, responsabilizando o maior partido da Oposição por amendoins, 500 milhões, comparados com a derrapagem brutal de mais de 2000 milhões que os socialistas ociosamente consentiram em 2010. 2. O PS de Assis, humilde, desprendido, sempre aberto, felicitando inclusivamente o desfecho do último número de Circo, fugindo à hostilização parola das Oposições, forma cínica de fuga em frente a que Sócrates nos habituou. Entre um e outro PS há um traço de união: falharam, mentiram, fomentaram e acobertaram lixos. Ninguém os suporta. Ninguém suporta o contágio e a proximidade com isto. A agonia disto, leve o tempo que levar, trará luz sobre os contornos da megafraude política a que fomos submetidos durante seis anos.
Sábado, Outubro 30, 2010
O PARALELEPÍPEDO
Ó João Galamba, tudo o que tu exalas é a verdade e a rectidão. Benditos os paralelepípedos que te suportam o peso. Deixa-me oscular-te prostrado em terra porque, na verdade, reconheço que tu és um deus passeando e largando gases pela brisa da tarde. Ámen.
INSUPERÁVEL PROLE
As maiorias absolutas, tipicamente, gerem as crises de um modo mais eficiente. Mas não em Portugal. Em Portugal, as últimas maiorias absolutas, especialmente a danosa e conspurcada socialista, aprenderam gerir a rapina com mais escondimento, a dominar os procedimentos mais danosos com enorme discrição para serem ainda mais rapaces e ainda mais impunes à vontade. Um homem aqui. Outro ali. E o ruído de fundo esbate suspeitas. Da PGR, coisa notória e grosseira, à TSF, coisa subtil e quase efeminada, e o escrutínio popular morre. Morre por causa da maioria socialista, da sua gula, do seu cio. Não admira que mais podridão aflore: o saque perpetrado pela gestão política da Refer, repleta de gestores redundantes de nomeação política, buliu com a máquina socialista. Saltam nomes de entre a lama. O de Jorge Coelho usado por Lopes Barreira. O de Godinho, bode expiatório, amigo do PS e suposto dador de prendas e donativos ao PS. Para além das acusações formais, paira no ar do despacho final do processo Face Oculta o manto negro das pressões que tocam várias pessoas da máquina socialista. A troco de alegados favores a Manuel Godinho, surgem em vários momentos referências a donativos para o PS e, a três meses das fraudulentas eleições legislativas de 2009, há uma «disponibilidade para contribuir para uma campanha partidária». É natural que José Sócrates empalideça cercado de merdas destas por todos os lados e notório inspirador delas, quer queiram, quer não queiram. Terão efectivamente sido dadas verbas pelas empresas do universo de Godinho ao Partido Socialista? A bestial derrapagem no défice diz-nos que tudo o que é mau e danoso para Portugal é possível em se tratando de socialistas. Isto porque Governar sempre foi, para os socialistas, um espectáculo de incompetência, oportunismo e devassidão. Nada mais rapace, mais vocacionado para a esterilidade económica e a rapina que esta rapaziada, a insuperável prole de Almeida Santos e de Soares.
GAY POR UM DIA
Sim, há acordo: foto de família, assinatura às onze. A desgraça geral vem a caminho, mas há acordo, após negaças, manhosas trapaças-PS na tentativa de arranjar parceiro não para o tango, mas para o último baile do arame farpado, última valsa sobre o trapézio, twist desconchavado sobre o fio de aço. Temos de estar gratos e felizes porque os partidos da desgraça se abraçaram, oscularam e agora fazem um festim de sexo político contra a nossa castidade compulsiva. Deixá-los! É de enlouquecer, ficar piurso ou gay por um dia.
POST A QUATRO MOEDAS BOAS
Meu caro Pedro, trata-se de maximizar os dividendos político-mediáticos do acordo, conforme bem sabe. Se o PSD fez a gestão do tempo da sua palavra, do seu acordo, fá-lo na medida em que Governo, essa nulidade moribunda, e mesmo a Presidência, essa pasmaceira passiva e assustadiça, querem aparecer eles, só eles, como virginais entidades impolutas, únicas fautoras do acordo-farsa, completos Pilatos do Regime que vai-ao-charco. Meu caro Rodrigo, como tu és engraçado! Ficas mesmo bem na TVI24, com o teu glamour de bem alimentado toda a vida, és um autêntico Cristiano Ronaldo da bloga, dedicado e perfeccionista. Tudo o que tu dizes é importantíssimo, mais: é imprescindível. Isto sem ti não era a mesma coisa. Vá, um beijo russo nesses lábios de mel, talhados para a assessoria de imagem de um futuro Governo de Salvação. Meu caro João, essa piada é deliciosa como aliás quase tudo o que tens escrito, tão técnico e exacto e fantástico. Tanto te deve o meu País por teres toda a razão e seres lido por milhões de mesmos que depois vão logo tentar melhorar isto-vai-ao-charco. O que seria de mim sem te ler as coisitas que vais postando, cientificamente do melhor, politicamente do mais lúcido?! Um grande beijo daqueles que Brejnev dava na boca aos demais líderes das demais repúblicas socialistas soviéticas, beijos merecidos, neste dia de sexo político PS-PSD. Isso-de-bom e um grande bem-hajas. Meu caro André, a gente escreve, escreve, mas fica tudo igual. Não compreendo por que um homem como tu ou como eu se fatiga tanto por tão pouco. As nossas palavras já não produzem efeitos, começam aliás a pedir um acréscimo de pólvora contra essa rapaziada rapace socialista. De resto é uma delícia ler-te e não saberia viver sem ti-blogger. Por isso, despeço-me beijando-te esses lábios preciosos e democráticos de efebo bem-intencionado cujos ossos também aperto num sinal de amor e fraterna exaltação. Fica bem. Viva Portugal, se conseguir.
Sexta-feira, Outubro 29, 2010
RESCALDO DA RAPINA
Não bastava a chuva que lavou Lisboa, enlameando-a de lama natural, ela está de regresso e em força, a Crise. Financeira, económica, moral, televisiva, radiofónica, tem velhas causas estruturais e agentes conjunturais made in Portugal, mas também causas e agentes europeus. Já todos percebemos que o quórum de caquécticos do Conselho de Estado vai lavar alguma roupa suja, a partir das 17h. Velhos, lordes, gordos e bochechudos, inúteis, acomodados, cínicos, volúveis, tontos, como o assanhado Soares de há um ano atrás, hoje a limpar as mãos à parede. Pobres membros do Conselho de Estado! A que conclusões tardias chegarão? Que deliberações impotentes? Um primeiro-ministro terá de possuir qualificações profissionais, técnicas, académicas e humanas. Não mais poderá provir do torvelinho voraz partidário-aparelhístico. Caso contrário, tudo culminará nesta tragédia toda ela filha da gula partidária, da opressão gratuita e insana pelos mais fortes sobre os mais frágeis, tragédia da inviabilização material e emocional das famílias, tragédia dos filhos que não nascem, da vida que se aborta; da política-espectáculo fátuo, falso, farsa, tragédia da perseguição fiscal às pessoas, tragédia do hábito político de mentir e ludibriar, tragédia da soberba facciosa de amiguismos e favoritismos — amargos frutos da mais empedernida errância maligna, vã-glória maliciosa de mandar, reles rapina de grupelho. Agora é tarde. Tentem varrer o lixo e colar os cacos.
ABALO EM LISBOA
Por razões cósmicas insondáveis, o planeta anda particularmente estúpido no plano telúrico. Temo por um terramoto que afecte Lisboa, neste ou noutro Inverno, coisa com que sonhei há pouco e foi pesadelo demasiado perturbador. Qual invasão espanhola, aquando da respectiva Guerra Civil?! Qual bombardeamento londrino, na II Grande Guerra?! Incomparavelmente pior! Faites attention, s'il vous plait!
O LADRÃO TODO-BOM!
Coragem, portugueses! Vós empobrecereis e amargareis por uma década, talvez. Mas eles ficaram ricos. A rapaziada do lado certo enriqueceu em sossego. Ninguém lhe mexa. Nada de bulir com eles, que bem mereceram a farta maquia esgalhada em telefonemas e passes de génio, negócios à fartazana. Coragem, portugueses! Já faltou mais para o Fim do Mundo. O mal dele, Mundo, e do País, são essa raça viperina, os bloggers. O mal do País são os jornalistas sem avença de partido, os polícias-mesmo-polícias, investigadores intrépidos, os juízes metediços, gente que lhe dá para investigar no lado proibido: é que não largam o senhor primeiro-ministro, coitado, e os seus amigos altamente recomendáveis! Coragem, portugueses! Votastes bem: eles estão ricos. Enriqueceram honestamente. Vós mendigareis. E é justo e proporcional ao vosso voto perspicaz e avisado no próspero "socialismo". Há que continuar no bom caminho: indiferentes, distraídos e negligentes, como bons adeptos do clube lá da terra, o Partido Socialista de Portugal com os seus membrudos amigos ladrões. Ladrões? Sim. Mas bons ladrões e até com um ou outro bom ladrão todo-bom. Há que desprezar, espezinhar e matar profetas-Medina, bloggers incómodos, opiniões enervantes e insubmissas a enrouquecer aqui, nas suas denúncias, por anos. Se se pudessem eliminar esses obcecados em comentar a nossa triste vida pública, teríamos finalmente todo o sossego tumular que estamos mesmo a pedir! Coragem, portugueses! Já faltou mais para o Fim do Mundo! É só mais um esforço para o fim da aventura-aventesma Portugal, presidido por Merkel, Portugal, esse cu de Judas eurorrisível no continente errado.
Quinta-feira, Outubro 28, 2010
MADE OUT PORTUGAL
Interessantíssimo. O mérito é uma coisa fantástica. Sem futuro entre portas, por enquanto.
ROMPER E REATAR
Negociar, eles negoceiam, mas não deve ser sobre o que nós pensamos. Acontece que o rigor do Governo é nenhum uma vez que fintar os números foi regra, nenhuma a transparência das suas contas de cabeça, especialmente quanto à execução orçamental de 2010, cuja realidade tem saído a conta-gotas e é negra além de amadora: mexer na despesa com seriedade teria sido mexer na boyzada e nisso, absolutamente sagrado para o socialismo rapace, eles não mexem, pode o País perder-se, estatelar-se. Com um olho nas sondagens e outro na cara dos oponentes, o PS-Governo rompe e reata negociações com a leveza e frequência de uma namorada caprichosa. Temos de colocá-la de castigo com uma valente bofetada.
Quarta-feira, Outubro 27, 2010
«É AMIGO DO PS»
A ética republicana está a rebentar pelas costuras: perdido por cem, perdido por mil, deve pensar Sócrates, morto por se ver livre da contestação monstruosa que deflagrará contra si, dia após dia, mal o cidadão compreenda a malfeitoria perpetrada contra o País em toda a sua materialização orçamental. Ou então, ensaia a última patranha para tentar inocentar-se do Mal Feito, enquanto denigre o PSD. Entretanto, e porque estas coisas têm tudo a ver, Ana Paula Vitorino implica Mário Lino no caso 'Face Oculta': «Ana Paula Vitorino, antiga secretária de Estado dos Transportes, revelou que o ex-ministro das Obras Públicas, Jamais Mário Lino, a tentou sensibilizar para os problemas que existiam entre o empresário Manuel Godinho — o único arguido em prisão preventiva — e a Refer. Ana Paula Vitorino terá contado ao MP que Mário Lino tentou convencê-la a intervir, dizendo-lhe que Manuel Godinho era amigo do PS». «Lino, ex-ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações é o novo presidente do conselho fiscal das companhias de seguros do grupo Caixa Geral de Depósitos, que era ocupado pelo falecido Saldanha Sanches».
O REFERENCIAL RIFADO
Cavaco é indiscutivelmente honesto e simpático, um homem tradicional e de família, valha-o Deus por isso. Porém permissivo e timorato. Ele gostou de Maria de Lurdes Rodrigues, uma sádica ensandecida, e apoiava-a. Esteve mal. Deveria gostar, em vez dela, de Santana Castilho e apoiá-lo. Gostava de Dias Loureiro. Fez mal. Deveria gostar de nós e despachá-lo a pontapé do Conselho de Estado, a tempo e horas. Dinamitou Santana-Primeiro-Ministro, num artigo tão manhoso e oportunista como profético, no Expresso de 27 de Novembro, 2004. Fez mal. Em lugar de Santana, viria a surgir a verdadeira Moeda Má, falsificada e falsificadora, fonte de sofrimentos recentes, actuais e futuros. Sofrimentos para si-Cavaco (mil vezes maltratado, torpedeado, combatido pela horda socialista a mando de esse Primadonna). Sofrimentos, privações, para o País, para nós, em 2011 e pelos anos seguintes, com ou sem FMI, por cada novo pobre, falência, desempregado, parturejados por este Abominável Orçamento e o caminho que nos trouxe à maior parte enganados até ele. Por isso, não votarei no "referencial" rifado Cavaco. Votarei em Nobre, homem solidário e compassivo, desprendido, exossistema.
Terça-feira, Outubro 26, 2010
HÉRCULES SOERGUE ANTEU
Agora é que é. Cavaco deixará de se sentir aterrorizado pelo Primeiro-Ministro e tolhido pela máquina de assassinar adversários do PS-Governo. Agora é que é. «Pela situação delicada em que o País se encontra, pela experiência que reconhece ter e por reconhecer que pode ser útil», Cavaco diz-se candidato. Porque agora é que é — perpétuo tirocínio à Presidência da República. Tarde de mais. Cavaco tem sido a prótese de Sócrates. Cavaco tem sido os chinelos de Sócrates e o seu Viagra. Sócrates tem sido a praga de gafanhotos de Portugal, coisa a que o Viagra-Presidente assiste impávido. Eu votarei em Nobre. Lutarei por Nobre. Para matar Anteu foi preciso separá-lo do solo. Hércules ergueu-o até ficar bem morto. Sobre as nuvens da fantasia flutua Sócrates e não há nada que o devolva à realidade ou, melhor ainda, o evacue da completa falta de seriedade e desprendimento com que ensaia governar o País. Era suposto colocar-se ao nosso serviço e não ao serviço da extensa prole devorista de Almeida Santos. Cavaco foi incapaz. Nunca "estabilidade" significou tamanha putrescência, rigidez cadavérica num que Regime pesa como uma cruz sobre o Povo molusco. Mais Cavaco, escova de dentes de Sócrates, espécie de Pinto Monteiro na Presidência da República? Não, obrigado. Basta.
AQUI D'EL BLOGA!
Enfim, de uma maneira ou de outra, todos nos queixamos com razão, enquanto nos apaixonamos por isto-bloga e criamos couraça.
DESÂNIMO COLOSSAL
A última década, já apodada de Década Perdida, teve como traço distintivo a consolidação e alargamento da corrupção política em Portugal com a expansão massiva das clientelas directamente dependentes dos sucessivos orçamentos. À esterilidade e incompetência dos agentes políticos socialistas, especialmente sob Dâmocles-Sócrates com o seu reconhecido gosto mouco de perseguir e retaliar por delito de opinião, acresce a deliberada opção por gastar qualquer soma, o que for necessário, em refinada propaganda, apurada comunicação e exaustivo SIS, isto é, num conhecimento tão extensivo quanto possível do putativo ou efectivo adversário a fim de o manietar pela chantagem, castrando-lhe os movimentos. A espada de Dâmocles impende agora sobre Sócrates-Dâmocles. Mas vale a pena. É que a capacidade de efectiva chantagem política operada pelo socratismo tem sido tão eficaz que, só para dar um exemplo, converteu a figura de Cavaco na de um gatinho inerme, aflito por atravessar a rua, enquanto os carros passam rente. Em face de tudo isto, não admira que um desânimo colossal percorra a nossa sociedade desvalida, injusta, desequilibrada. Vejam os franceses. Insurgem-se caprichosamente porque são infantis, ufanos e caprichosos, na sua lenta decadência próspera. Nós, nem que nos escravizem, seviciem e vendam às postas ao mercado alimentar chinês, nos rebelaremos. Sob a anestesia de uma fervura de esbulho lento, morreremos sem esboçar protesto. Os novos judeus do século XXI são todos portugueses e vivem neste rectângulo submisso: vamos, suavemente, ao matadouro social e económico, levados pela mão de políticos debochados, afeiçoados ao crime impune, fogosos amantes de si mesmos, actores destemidos, loucos. Se nos calcam com o tacão da insensibilidade que saqueia e explora, deve estar certo.
CHEFE MAS POUCO
O Chefe de Estado foi pouco chefe e menos ainda de Estado. Não me lembro de figura mais inútil e decorativa desde o General Óscar Carmona. Amanhã ritualizará a sua recandidatura a Belém. Não é, naturalmente, o meu candidato. Acabou-se a minha lealdade política à inanidade e à fonte de toda a espécie de insatisfações de Regime. Sócrates representou a Razão mais absoluta, desde o Ultimato Inglês, para uma ruptura abrupta, custasse o que custasse: mesmo a reeleição, mesmo uma Crise Política. Uma Crise Política a tempo e horas salvar-nos-ia disto-Bancarrota, deste haraquiri à economia, deste esmagamento do português comum. Onde estava Cavaco, enquanto o socratismo cevava os seus, desbaratava recursos, malbaratava o nosso futuro, medrava no seu perpétuo embuste propagandesco?! Clamámos por Cavaco de sobejo. Depois da vitória de 2006, vejo que o mandato cessante não serviu de nada: alertou subtilmente para os problemas que agora deflagram e os seus agentes políticos, pulgões-glutões dos Orçamentos, mas não impediu o descalabro presente, tendo até traços de perversa ou ingénua conivência silenciosa com o pomposo tiranete Primadonna. Por isso, Cavaco e não Cavaco dá no mesmo. «Prefiro lírios, meu amor, à Pátria».
Segunda-feira, Outubro 25, 2010
Domingo, Outubro 24, 2010
AGÓNICO REGIME A ESPERNEAR
Sem dúvida, como escreve o Nuno, o simulacro negocial do Orçamento, em decurso, não passa de um exercício ventriloquia de Cavaco-bonecreiro por interposto Catroga-boneco. O Regime esperneia e agoniza por salvação, crucificando-nos.
O DESPUDOR DA MÁ MOEDA
Cheio de cio sociopata, até ufano da porcaria que tem feito, o Primadonna mantém-se, fresquinho como uma alface, no precário púlpito-de-pregar. Acredita que o Orçamento do Estado made by PS para 2011 «defende» e «abriga» o país da «turbulência» e das «tempestades financeiras». Pois esse mesmo Orçamento abjecto, destrutivo, fonte de sofrimentos incontabilizáveis, faz ainda mais por nós, portugueses: prova o que acontece quando os eleitores não se abrigam de embusteiros. Sem profissão, mas com lábia de enlamear e descredibilizar após ascensão meteórica no PUS, todo o trabalho do trambiqueiro consiste em, sorrindo muito, esfarelar a economia, soterrá-la de impostos, engordar a sua gente. Quando o pré-colapso se declara, basta colocar depois as culpas no PSD, no suposto calculismo político das Oposições e na Crise Internacional. O intrujão vive na parva convicção de que o Povo grunho se satisfaz com quaisquer bodes de expiação que a máquina propagandesca lhe apresente. E funciona.
Sábado, Outubro 23, 2010
FROUXO
Nestes dias, torna-se indiscutível sublinhar que o Mal é Mau e explicar porquê. Não basta ao Presidente da República ser boa pessoa, considerar coisas óbvias como Portugal estar a viver uma «situação particularmente complexa e mesmo grave», mas sem culpados, sem veredictos, sem saídas [ok, «o Mar», mas o mar serve sempre para tudo quando já não há mais nada]. A estabilidade de Cavaco é mórbida. A estabilidade de Cavaco merdaliquefaz a vida pública e as clarificações de que carecemos para começar tudo de novo. Uma crise política não «seria extremamente grave», como ele concebe. Seria, será!, a única-última coisa regeneradora, na economia e no resto. Um frouxo rei faz frouxa a farta gente. E está visto que estamos fartos da paz podre estável, fartos da pasmaceira estável de Cavaco. Priorizou a reeleição, cooperando com o bandido a quem deu o ouro e o salvo-conduto para chegarmos até aqui. Por isso, nada mais anormal que afirmar ter relações absolutamente normais com ele, Primadonna, e com os restantes inimputáveis da bandalheira abandalhante. Não bastava a fantasia louca de um, tinha de se lhe somar a loucura fantasiosa de outro.
NARCISO E O NARCO-NARCISISTA
Nestes tempos de nacional Apocalipse / αποκάλυψις, isto é, de 'revelação' da verdade negra que enegrece o País, a Sábado contém uma entrevista luminosa de Narciso Miranda. Ela resume o sistema apodrecido do narco-mediático narcisista, responsável máximo pelo colapso de Portugal: «O país idealizado por ele [Sócrates] é perturbador, é o país do laxismo, do facilitismo, do favor, da ficção, do discurso fantasmagórico e das cunhas «descaradas». Relata que tentaram convencê-lo a não concorrer às últimas eleições autárquicas: «Ofereceram-me o cargo de presidente da Metro do Porto, presidente dos transportes públicos do Porto, presidente das Águas do Rio Douro e Paiva, presidente do ex-Instituto Nacional de Habitação, e para uma eventual holding para gerir infra-estruturas marítimo-portuárias. Ofereceram-me sete cargos de presidência em empresas.» Quando irão literalmente presos esses chulos que "oferecem" cargos, sinecuras, posições, tetinas, privilégios, mordomias, reformas, em troca de qualquer coisa e essa coisa é que é linda?! Pinto Monteiro, grande combatente anti-corrupção e moralizador da vida pública nacional, talvez possa responder.
PUS
Chávez está cá, de novo. Trata-se de formação intensiva para consolidar em Portugal o PUS, Partido Único Socratista. Único a assassinar a economia. Único a empobrecer os cidadãos. Único a viciar de dívida um Estado-Mangedoura só para socialistas em Putarias Publico-Privadas e outras engenhosas manigâncias de empobrecer a maioria e enriquecer os do costume. Chávez está aí. Assinar protocolos, parcerias e negócios para atirar depois ao lixo, especialidade sua, está na agenda de esta visita. Quanto ao PUS, desastre de Portugal, é uma secreção política de cor róseo-amarelada, ou amarelo-esverdeada, frequentemente mal-cheirosa, produzida em consequência de um processo de infecção bacteriana do Estado e constituída por leucócitos ou glóbulos brancos em processo de degeneração, plasma, bactérias, proteínas, e elementos orgânicos. PUS, terrível e terrífico, é tudo o que nos resta. Chegado ao Poder, canto de sereia que liquida, merda liquefeita repleta de estabilidade, o PUS deixou o Povo nesse estado ainda mais ajoelhado que promete durar muito.
O VÍCIO DO JOGO
O socratismo enferma do vício do jogo com o nosso dinheiro. Anos de circo, de extravagância e ostentação palavrosa a redundar neste buraco impensável. Muitas e muitas vezes, havia um optimismo tosco e labrego que convergia no pecado grosseiro a seguir descrito: «Existe o falar bem, o falar com fluidez, o falar apropriadamente e o falar a propósito; é pecar contra este último género discorrer sobre o banquete magnífico a que se compareceu junto de pessoas que estão reduzidas a economizar pão; dizer-se maravilhas da própria saúde perante enfermos; entreter com as próprias riquezas, proventos e mobiliário um homem que não possui rendas nem domicílio; numa palavra, falar da felicidade própria perante miseráveis: esta conversação é-lhes excessiva e a comparação que hão-de fazer do vosso estado com o deles é odiosa.» La Bruyère, Os caracteres
ESPONDILOSE DA BLOGA
Cultivo por aqui, há muitos anos, sem a cultuar, uma crítica sistemática a um sistema de mentir e esbulhar que se incrustou no Regime, absorvendo-o, e que conflui perigosamente com um partido político tão evidentemente como o tifo é unha e carne com a ratazana, rickettsia mooseri. Com isso, fui coleccionando notórias invejas, mesquinha indiferença (a falta de uma palavra de apaixonada agressão ou de solidário estímulo não passa muitas e muitas vezes de puro assassinato e demissão de espíritos a roçar o egoísmo mais indigente). Coleccionei também e, sim, isso cultuo, a amizade de muitos leitores. Graças a Deus por eles. Tudo o que sou e tudo o que sinto segue em frente. Sim, sigo cheio de seiva, energia de apóstolo, por entre pedregulhos, fragas cortantes e penedos, sob o persistente e ostensivo desprezo da bloga oficialista, empresarial, indiscutível, tipo Blasfémias, 31 da Armada e outros lordes definitivos da especialidade opinativa aparentemente mais popular. Dir-se-ia que a Merda, isto é, o seu pedantismo exclusivista, abençoa a Outra-Merda, isto é, a maldade da maligna actuação política dos nossos dias, mesmo quando aparentemente a expõe e aparentemente a denuncia com propriedade e acutilância. Isto pelo simples facto de que, desprezando a pluraldade das vozes, essa bloga "única" e "indiscutível" na verdade se demite de federar vontades, congraçar esforços, unir na lucidez e na paixão por Portugal. Vivo perfeitamente com isso. Temo é que o País não vá a lado nenhum sem pluralismo, sem abertura, no exercício imprevisível da diversidade que comenta e se interessa. É a espondilose da bloga betinha em todo o seu esplendor hepático, baço, opaco: ela despreza um tom, uma leitura e uma linguagem que não são os seus. E faz mal. Sou o que sou, aquele que sou e sei que resistirei. Duvido que resistam!
ESPONDILOSE DO REGIME
Tenho visto demasiada miséria pelas ruas, ultimamente, e são muitas as que percorro a pé, na minha cidade. Habita-me uma esperança misteriosa, radicada no humanismo e na fonte de Vida que é Deus, no sorriso impossível que muitos mantêm, apesar de tudo. Tenho tido garra para lutar contra uma podridão tão grave como aquela que antecedeu o 25 de Abril de 1974, denunciando-a. O colete de forças contra a Liberdade de então é hoje um colete de forças contra a Verdade. Assistir à miséria moral e material em decurso no meu País é um duro e imerecido golpe para minha geração e a dos meus filhos. A miséria assume muitas formas tristes. Seja a velha mulher que me aborda na rua, atirando como de improviso: «O senhor não tem qualquer coisa para me dar?». E não tenho. Seja aquele aluno que falta por sistema e a sua magreza extrema denuncia o límpido despropósito de passar fome na sala de aula, quando pode sofrê-la mais bem com uma bola nos pés e o consolo proporcionado pelo convívio dos iguais. Assistimos ao cair de um pano negro, negado e renegado por uma índole rara de faustosos cabrões, do mais reles e ávido que a história pariu. Não são propriamente socialistas. São uma merda híbrida e sôfrega qualquer e terão muita sorte se saírem vivos da devastação criminosa que urdiram e que muitos cobrem de eufemismos para não descreverem desmandos, abusos, grosseiro devastar da sustentação e bem estar da maioria, sobretudo na última década e meia. Putarias público-privadas em troca da minha pele e da tua, leitor sem clubite politiqueira. Vamos sofrer? Bom apetite, que não é propriamente para todos.
Sexta-feira, Outubro 22, 2010
Quinta-feira, Outubro 21, 2010
PODAR O NARIZ
Conspirativo e abatatado do Pinóquio-Primadonna importa mais, passe a hipálage, que sonhar ser possível negociar com terroristas, peritos no saque geral, na omissão dos números, na permissividade multiplicativa dos cargos, dos luxos, das mordomias. Com uma boa máquina de propaganda, dispendiosa e holística, qualquer cromo e qualquer corno pode fingir de governante, rodeado de tudólogos. Pode qualquer corno e qualquer cromo ocultar uma profunda e danosa incompetência, só perceptível ao leigo no limite do esbulho, hora de fugir, pântano-pauis declarado. Ter bom carácter e empatia autêntica com as pessoas vale ouro, negócios, o ânimo acrescido das gentes: neste momento, era melhor termos lá um urso que o pedantolas refinado, sociopata recalcitrante. Ver o desespero dos banqueiros, agora pedintes sornas, é lembrar cuspo antigo atirado ao ar e já sobre as suas faces. Tanto roço e aliciamento de políticos a salivar. Nunca transigir com terroristas! Gente que abocanhou Portugal, delapidou capital humano, enxotou-enxovalhou professores, mentiu na economia, fingiu no défice, calou discordâncias, perseguiu críticas, ultra-eleitoralizou medidas, também reverte qualquer migalhinha desfavorável em seu benefício, fabrica sondagens manhosas, lisonjeiras, esgueira-se em plena rapina, põe as culpas no partido mais à mão. Sonha escapar impune. Hoje quer escapar. Tenho pena do tenro PSD de Passos Coelho: deveria ter sido absolutamente incisivo desde a primeira hora. Não. Licenciou e subscreveu o derradeiro regabofe socialista com o PEC II. Não foi por falta de aviso sobre essa gente perigosíssima. Não faltavam indícios. A avidez estava à vista, a sôfrega indecência também.
Quarta-feira, Outubro 20, 2010
DÉFICE TABU DE 9%
Que a gestão das contas públicas pelo PS é uma salgalhada rapace e trapaceira não há qualquer espécie de dúvidas. Cresce aliás a suspeita de que o défice real se cifre nos 9%, situação tabu e, a revelar-se como tal, escandalosa em face da meta dos 7,5% acordada com Bruxelas. Aparentemente, o PSD vai fazendo o que lhe compete. Entregou os seus princípios de viabilização do Orçamento do Estado para 2011, enviando a moção, aprovada por larga maioria no Conselho Nacional de terça-feira, ao presidente da Assembleia, Jaime Gama, ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, e aos líderes parlamentares. É o mínimo e nesse mínimo a denúncia da devastadora rapacidade do pessoal socialista, alegre condutor disto ao descalabro mais desabrido. A situação é viscosa. O Orçamento criminoso. Imperdoável. E tudo isto tem um nome sonante como um flato de Soares/Almeida, de resto, apoiantes do seu filho-flato: Sócrates! Ao Pinóquio em forma de Carrasco foi dado por Almeida/Soares, por algum do baronato PSD e pelo voraz Boyzinato PS, e até por Cavaco, todo o apoio, rédea total para desbundar connosco e com as contas públicas, alargando a base de vampiros socialistas-despesistas, multidão de Lellos-mordomistas-devoristas: isso vicia e será repetido e repetido. Viabilizar o Orçamento é garantir a mesma e melhor forragem à nata do sarro socialista. É sustentar o lastro socialista, enquanto se trucida a vida dos portugueses. Havia um lema: Engordar a Boyzada! Devastar Portugal!
Terça-feira, Outubro 19, 2010
TIRÂNICOS LAMBE-CUS
Faz todo o sentido exercer contra-chantagem ao chantagismo crónico do PS-Estado sobre os partidos, sobre a sociedade civil, sobre os pachorrentos cidadãos, sobre contribuintes, sobre as cinzas do Portugal livre em fim de festa. As veleidades de 2010 aldrabadas, mentidas e repisadas pelo circo-PS acabaram. Não mais se poderá permanecer alheado do que faz e desfaz quem nos pseudo-governa. Nessa tal contra-chantagem, parece serem quatro as condições para o PSD viabilizar, através da abstenção, o Orçamento do Estado do próximo ano. Mas poderiam ser mais. Até este pronunciamento, vimos todo o gado regimental, das gordas Esquerdas às cevadas Direitas — ambas historicamente dependentes do Estado —, a erguer-se em defesa do Orçamento, quando era ainda desconhecido. Erguiam-se sob o cutelo (ou a pretexto) dos mercados internacionais, do colapso da dívida, da nossa insolvência, da nossa bancarrota. Levantou-se da sombra essa horda de lambe-cus toda por Sócrates apesar de Sócrates. Vieram-se pressurosos na excitação do Orçamento como efebos inexperientes ante silhueta fêmea posta à mão pela primeira vez. Não se vieram pela distorção-captura do Estado pelo PS. Não se vieram pela invasão do mau carácter e da mentira deslavados na vida pública que o socratismo tem representado. Não se insurgiram contra a profunda e rotunda descredibilização destes governantes, obscenos manipuladores dos recursos de propaganda que nenhuma tirânica ditadura do passado alguma vez deteve. Pois bem, uma má chantagem hábil pede uma boa contra-chantagem em defesa dos portugueses indefesos. Haja negociação! Aparentemente, sem a satisfação daquelas quatro condições, Pedro Passos Coelho chumbará o Orçamento de 2011. Pensemos o que quisermos.
Segunda-feira, Outubro 18, 2010
E O ORÇAMENTO PROTEGE
A ASCENDI. «Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma,
Que emprega palavrões como palavras usuais,
Cujos filhos roubam às portas das mercearias
E cujas filhas aos oito anos — e eu acho isto belo e amo-o! —
Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escadas.
A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa
Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.
Maravilhosa gente humana que vive como os cães,
Que está abaixo de todos os sistemas morais,
Para quem nenhuma religião foi feita,
Nenhuma arte criada,
Nenhuma política destinada para eles!
Como eu vos amo a todos, porque sois assim,
Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,
Inatingíveis por todos os progressos,
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!»
lkj
Ode Triunfal, Álvaro de Campos
Que emprega palavrões como palavras usuais,
Cujos filhos roubam às portas das mercearias
E cujas filhas aos oito anos — e eu acho isto belo e amo-o! —
Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escadas.
A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa
Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.
Maravilhosa gente humana que vive como os cães,
Que está abaixo de todos os sistemas morais,
Para quem nenhuma religião foi feita,
Nenhuma arte criada,
Nenhuma política destinada para eles!
Como eu vos amo a todos, porque sois assim,
Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,
Inatingíveis por todos os progressos,
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!»
lkj
Ode Triunfal, Álvaro de Campos
DERROCADA PORTUGUESA COM CERTEZA
«Ao ver tantos antigos e prospectivos líderes do PSD em fila para ir convencer Passos Coelho a deixar Sócrates no poder, lembrei-me do mais dramático discurso que um presidente da república fez até hoje em Portugal. Foi a 30 de Setembro de 1974. Spínola veio à televisão revelar que estava iminente a bancarrota, o caos e uma ditadura comunista. E quando toda a gente esperava que o general anunciasse a exoneração do governo, o estado de sítio ou coisa assim, eis que ele participa... a sua própria demissão. A elite suplente do PSD está na mesma. Brada que este governo não é de confiança, que perdeu o controle da despesa e que vai, com impostos, afogar a economia. Mas em vez de concluir que é urgente arranjar outro governo, que diminua o peso do Estado e crie um ambiente favorável ao investimento, ao trabalho e à poupança, ei-la a proclamar que o melhor é o PSD submeter-se — pela terceira vez num ano — à vontade de Sócrates, viabilizando, sem refilar, o orçamento nos termos do governo. Há razões para a viabilização? Há. A eleição presidencial, que impede uma transição rápida, é a melhor. Mas evitar a bancarrota? Essa já foi a história do PEC de Maio, com a bênção de Bruxelas — e eis onde chegámos. Há ainda quem preferisse aguardar por melhor ocasião para apear Sócrates. Mas quando é que, nos próximos anos, estará o país numa situação em que não seja uma “irresponsabilidade” derrubar o governo? Examinemos, porém, a perspectiva da bancarrota. Dizem-nos que significa descrédito, empobrecimento e governação estrangeira. E como estamos nós? Só o BCE nos empresta dinheiro, divergimos da Europa, e os PECs chegam de Bruxelas. Não haja ilusões: nenhuma simples exibição de “bom senso”, sem mais, fará os “mercados” esquecer que o Estado e o modo de vida em Portugal não condizem com a economia e a demografia. Essa é a questão. Para os mercados, já falimos. Só a alavancagem do país pelo BCE nos tem poupado à realidade. Mas Bruxelas exige agora, como contrapartida, um consenso orçamental. O governo, sempre hábil, viu logo a oportunidade de transformar o que deveria ter sido o seu próprio óbito, num meio de desacreditar a liderança do PSD, forçando-a a aceitar, sem discussão, a agressão fiscal de que discorda e que prometera rejeitar. É isso que está em causa. Vai Bruxelas — e, devido à alienação dos mercados, é de Bruxelas que devemos falar — punir o país se o PSD resistir? A oligarquia do regime, num curioso intervalo da habitual descontracção nacional, resolveu assumir que sim. A tensão deixou o PS e o PSD nervosos com os respectivos líderes. Não haver orçamento tem custos, mas haver, como simples imposição do governo, também. Para começar, o custo do saque fiscal que vai, mais uma vez, compensar a incapacidade governamental de conter as despesas. Depois, o custo político. Porque caso o PSD deixe passar a proposta nos termos que o governo exige (repito: nos termos que o governo exige), dificilmente voltará a ser, sob esta ou qualquer outra direcção, uma alternativa credível — sobretudo se ficar a impressão de que o drama desta semana foi afinal uma comédia. O regime arrisca-se, para segurar as mesadas do BCE, a perder a capacidade de gerar alternância. Acreditem: essas coisas também se pagam.» Rui Ramos
Domingo, Outubro 17, 2010
O PROBLEMA DAS CLIENTELAS
Vale a pena reflectir nisto: «O problema essencial não reside, ao contrário do que vem sendo revelado pelos diversos actores, na necessidade do país em encontrar financiamento externo. O problema essencial reside no facto de a classe política (de todos os sectores) manter a empregabilidade das suas clientelas, espalhadas, de forma mais ou menos equilibrada e na devida proporção, por toda a rede da administração pública. São mais de 350.000 funcionários excedentários, um exército de gestores que só o são porque passaram pelo filtro dos partidos ou têm alguém amigo na política e, a montante e a jusante, clientelas empresariais, agora mais visíveis, porque, apesar de tudo, o governo resolveu torná-las públicas numa base de dados sobre a contratação. O chamado «estado social» é minúsculo e Portugal continua a ter dos maiores índices de pobreza da Europa.»
TRISTE FANTASMAGORIA
O candidato Alegre não pesca uma! Nem convicção, nem acerto, nem absolutamente nada. Quem baixa a bola e a mantém baixa perante as injustiças em decurso, pretendendo depois atirar aos pombos ou aos pratos pode nem reparar no que acontece à sua volta. Como andar de bem com a própria consciência quando se transige com o puro Mal, quando se omite o Mal e se faz barganha com ele?! Alegre vendeu-se ao Bando Bandalho por um prato de lentilhas e umas palmadinhas nas costas. Faça bom proveito.
BATE-SE-LHES À PORTA
E não está ninguém em casa. É natural. Têm sido "ninguém". Sempre foram "ninguém" a presumir diálogo, ideias, contra-argumentos, equivalência e consideração da parte da bloga com nome. Sem rebuço nem vergonha, "ninguém" ainda encontra pólvora para fogachos, larachas e sátiras amarelas, Bando ao serviço do Bandalho. Por isso brincam com coisas sérias. Falam de poder e salpicam de cocó esse PSD que lhes vem sendo tão tenro. Mas a grande evidência é o não poder. O deserto. A ausência de estratégia, a terra queimada que tal bando socialista de lobos-calimero vai deixar para trás. Grande evidência é o haraquiri à soberania real e efectiva do Estado Português com o despudorado assalto à mão castrada feito ao dia-a-dia dos portugueses, Emídio Rangel a salivar «apoiados!» naquela gaguez contorcida e convulsiva de imperiosa bajulação. Toda a gente importante tem grande esperança no trânsito deste supositório orçamental. Forçoso é introduzi-lo, dizem. Sem culpados.
O VELHACO E OS IMBECIS
Eis uma abordagem limpa à triste coisa lusa e triste sina de estarmos na mão inominável de um maligno agir político. Malicioso e putrescente como não há memória de há décadas a esta parte: «O velhaco já não quer governar, já não dá conta da merda que fez, e faz, neste país. Não quer governar com o orçamento que tem, não quer governar com nenhum orçamento porque nenhum lhe permite gastar à parva, esbanjar como um perdulário tonto, derreter milhões em festanças loucas com distribuição de bodos à maralha, e cabedais chorudos aos amigalhaços e aos beneméritos do partido. O velhaco quer que o tirem de lá ou ele destrói o resto.»
A CARCAÇA QUE NOS FUZILA
Nós precisámos em Portugal de um tipo de humanismo e autenticidade que flagrámos em Piñera, excelentíssimo presidente do Chile, qualidades que muito justamente o Pedro põe em destaque. Mas isso é coisa que nem o ressequido Cavaco interpreta, no seu silêncio de rato concentrado em armar uma cilada ao voto. E muitíssimo menos existe, em leve vestígio, na carcaça político-humana que reveste a casa interior oca e devoluta a resumir Sócrates. Pelo contrário! Só por isso torna-se absolutamente chocante ouvirmos-lhe coisas a tresandar de inverosímeis na senda das últimas medidas que foi «obrigado a tomar», como: «Uma dor no coração» ou «Uma dor d'alma.» Nada dói a quem nos não conhece de lado nenhum. Nada dói a quem nem verdadeiramente se cruza connosco na rua, nós, por quem aliás deve nutrir significativo desprezo e ver como ralé, uma vez que a maioria das políticas sem frugalidade nem decência o espelham e quase nenhuma o esconde. Não há qualquer dor no coração num modo abjecto e oportunista de conduzir politicamente a vida, própria e alheia. Não existe!... Eu dizia-lhe o que é que lhe dói. Por uma vez, dêem-nos um ser humano na política! Um Paulo Bento dela. Alguém que nos mobilize, olhos nos olhos, encha de esperança por ser fiável, humilde, límpido. Carcaça que nos fuzile, não!
Sábado, Outubro 16, 2010
OE: O HORROR ESTÁ NO AR
Este OE supera em larga medida o domínio académico do absurdo ou da locura. Tomemos como exemplo o que se passa nas escolas, sede de todos os congelamentos e barreiras. Pense-se nas esquadras: em ambos os casos predomina uma nova tribo de carolas que trabalham quase de graça, novos escravos. Mal têm para comer, pagar infantário e outras contas. Vão vivendo. Mal. Sem esperança. Sem expectativas. Sem dignidade reconhecida e praticada para acederem a bens culturais e terem orgulho no País que servem. Pede-se-lhes que financiem a própria formação, quando mal dá para se conservarem de pé. Polícias e professores foram rebaixados em troca de quê? Muitos cidadãos adoraram ver no espeto os alvos fáceis de velhos os ressentimentos. Não eram eles. Eram os outros. Agora toca a todos e é brutal. Perante isto, perante tal aperto-anaconda constritiva a velhos e crianças, a caloiros eternos precários no trabalho, a funcionários públicos, aos supressão de apoios sociais, percebe-se cada vez pior que este Governo mantenha o projecto de construção do Novo Aeroporto de Lisboa, segundo consta no relatório preliminar do Orçamento do Estado para 2011: «Em relação ao Novo Aeroporto de Lisboa (NAL), prosseguir-se-á o processo com vista à sua contratação, concepção, construção, financiamento e exploração», assim como continuarão «as obras de expansão do aeroporto da Portela para fazer face ao aumento da procura até à conclusão do Novo Aeroporto de Lisboa». Um País, que não é Suécia nem Suíça nem Luxemburgo, tem afinal governantes que olham para as infraestruturas como aspectos bem mais importantes que as pessoas, o seu bem-estar, a melhoria dos seus padrões de vida. Sobre o projecto de alta velocidade, este Governo quer dar «início à execução das obras constantes do contrato de concessão do troço Poceirão-Caia, do Eixo Lisboa-Madrid, o que deverá ocorrer no primeiro trimestre de 2011» e «o relançamento, em tempo oportuno, do concurso para o projecto, construção, financiamento e manutenção da infra-estrutura do troço Lisboa-Poceirão». Estou convencido de que se estas obras fossem submetidas a referendo, conforme fazem governos que respeitam e consideram os seus próprios povos, seriam rejeitadas ou adiadas. Mas isso não se pode exigir neste simulacro pífio de democracia remendada.
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