CLAREIRA DE LUZ

Dali pudemos ver como Matosinhos namora o mar. O areal tão perto. Através do vasto vidro exterior do terceiro andar, a paisagem oferece-se ampla. Entardecia um céu nublado, penetrado por colunas luminosas. Entre rotundas clareiras de luz alternando no rebrilhar espelhado das águas quietas, navios adentravam o porto de Leixões, enquanto velas pequenas latinas, pandas, se recreavam mais ao largo, multicoloridas. Desabei ante a beleza. Sempre que um dia acabe ali, sol que se afunda, àquela luz, à flor de tanto mar, a cada navio que se agiganta, uma missa começa, disse-te. Não a celebrarmos nós, meu amor, sem a aspereza do esforço, comunhão oferecida, Deus meu! 

Comments

George Sand said…
O espéctaculo de cada dia, ainda e sempre.

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