COLAPSO QUE PREFIGUROU O COLAPSO

Recordar Entre-os-Rios, topónimo que passou a designar uma trágica sinédoque, obriga a uma comparação obrigatória: de há dez anos para cá deu-se a completa erosão dos últimos vestígios de pudor no Partido Socialista, coisa morta e passenta, derreada sob a pérfida clique socratista. Naquele tempo acerbo e doloroso, ainda havia ainda a capacidade de assunção de responsabilidades políticas. Hoje, não. Ao desastre da incúria representada simbolicamente no colapso de uma ponte e a morte de alguns dos que nela circulavam, temos em decurso o completo colapso do País, ponte para coisa nenhuma, enganado e descurado como traseiras de Lisboa. Portugal está a ruir, levando-nos no desmanchar-se. A queda do Estado foi simbolicamente prefigurada ali. E não há futuro senão esbulho, enquanto nos consentirmos governados segundo um Sistema cretino, que nos exclui, ávido em prosseguir à tona do seu Lixo sempre bem lavado e sempre Lixo. Tudo se perverteu. Mesmo as sondagens, enquanto euromerda, segregam-se mentirosas por aí, malignas, pois não passam de arma musculada com que se desmobiliza uma sociedade sitiada e se conserva a Mentira de boa saúde.  

Comments

floribundus said…
o ministro coelhones
passou-se para a 'construçon cibil'
Dylan said…
Raiva, olho o Douro, desejando que este fosse o Lethes, o rio do esquecimento. Dez anos e duas pontes depois, pouco mudou: um estranho isolamento, tão perto do Porto e tão longe de tudo. Castelo de Paiva permanece submergido pelo rio, como de um concelho do interior se tratasse. Inertes, assistimos à queda da ponte, ao ruir de um dos pilares da democracia - a política -, erodida através da culpa que foi imposta às cheias do rio. A ferida dolorosa nunca cicatrizará, resta saber se as prometidas acessibilidades também demorarão semelhante tempo.

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